Grupo Refit, maior devedor de ICMS em SP, é alvo de operação
Sonegação investigada chega a R$ 26 bilhões, sendo que, somente no estado de São Paulo, a empresa tem R$ 9,6 bilhões inscritos na dívida ativa

Uma megaoperação realizada na manhã desta quinta-feira, 27/11, cumpriu mandados de busca e apreensão contra 190 alvos ligados ao Grupo Refit, dono da antiga refinaria de Maguinhos, no Rio de Janeiro, e dezenas de empresas do setor de combustíveis.
O Grupo Refit, comandado pelo empresário Ricardo Magro, é considerado o maior devedor de ICMS do estado de São Paulo, o segundo maior do Rio de Janeiro e um dos maiores da União. Segundo os investigadores, o esquema causou em prejuízo de R$ 26 bilhões aos cofres estaduais e federal.
Os alvos da operação são suspeitos de integrarem uma organização criminosa e de praticarem crimes contra a ordem econômica e tributária e lavagem de dinheiro.
Cabeça – O Empresário e ex-advogado Ricardo Magro ganhou destaque no noticiário de negócios em 2008, quando comprou a Refinaria de Manguinhos. Em recuperação judicial, ela foi rebatizada de Refit, e já enfrentava processos de cobranças de impostos e investigação do Ministério Público.
O empresário também atuou como advogado do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (Republicanos-RJ) - de quem é amigo. O empresário não está no Brasil.
Não é de hoje que o nome de Magro está relacionado a denúncias de evasão fiscal na gestão da refinaria. Ele também já esteve envolvido em supostas compras de decisões judiciais na Justiça paulista e apareceu na lista dos brasileiros que mantém offshores em paraísos fiscais. Em 2016, chegou a ser preso por suspeita de lesar o fundo de pensão Postalis. Também foi alvo de investigações da Polícia Federal.
A Refit entrou no radar das autoridades após a deflagração da Operação Carbono Oculto, em agosto deste ano. As autoridades investigam se o combustível da Refit abasteceria redes de postos de gasolina controladas pelo PCC. Em outubro, a Receita Federal apreendeu dois navios com carga que ia para Manguinhos.
Em SP – No estado de São Paulo, o valor das fraudes cometidas por pessoas e empresas ligadas ao Grupo Refit chegava a R$ 350 milhões por mês, segundo o governador paulista.
A empresa tem R$ 9,6 bilhões inscritos na dívida ativa do estado de São Paulo, sendo R$ 6 bilhões declarados pelo próprio grupo e o restante ligado a autos de infração.
Esquema - O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou em entrevista coletiva sobre a megaoperação que o Grupo Refit se utilizou de mais de 15 offshores nos Estados Unidos. "Durante as diligências, descobrimos mais de 50 fundos de investimentos usados para ocultar o beneficiário final", disse.
O secretário da Receita disse ainda que o grupo substituiu um dos fornecedores que foi revelado pela Operação Carbono Oculto. "Essa operação é simbólica, porque estamos falando de um dos maiores devedores contumazes do Brasil", complementou ele.
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