IGP-DI avança 0,68% em junho ante 0,40% em maio

Expectativa é que o índice usado para reajustes de tarifas públicas, contratos de aluguel e planos e seguros de saúde desacelere neste mês

Estadão Conteúdo
07/Jul/2015
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IGP-DI avança 0,68% em junho ante 0,40% em maio

O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 0,68% em junho, após alta de 0,40% em maio, segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas). 

O índice é utilizado em reajustes de tarifas públicas, contratos de aluguel e planos e seguros de saúde. No ano, o IGP-DI acumula alta de 4,50% e em 12 meses até junho, de 6,22%. 

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O IGP-DI é composto por três outros indicadores da FGV: o IPA-DI - que representa o atacado e subiu 0,43% no mês passado, o IPC-DI - que apura a evolução de preços no varejo e foi de 0,82% em junho e o INCC-DI, que mensura o impacto de preços na construção e apresentou alta de 1,84% no mesmo período.

Um dos itens que puxou a aceleração do índice em junho foram os preços dos produtos agropecuários no atacado, que subiram 0,15% no mês após queda de 1,15% em maio, segundo a FGV. 

A instituição informou ainda que os preços dos produtos industriais no atacado registraram alta de 0,54%, ante avanço de 0,71% em maio.

Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) - que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva - os preços dos bens finais tiveram alta de 0,34% em junho, após aumento de 0,47% no mês anterior. 

Os preços dos bens intermediários subiram 0,15% no mês passado, em comparação com a alta de 0,51% em maio. 

Outro fator de pressão foram os preços das matérias-primas brutas, que registraram aumento de 0,92%, ante recuo de 0,58% na mesma base de comparação.

O núcleo do Índice de Preços ao Consumidor - Disponibilidade Interna (IPC-DI) de junho subiu 0,71%, taxa maior do que a registrada no núcleo anterior, de 0,69%, referente a maio. Ele mede tendências e é calculado a partir da exclusão das principais quedas e das mais expressivas altas de preços no varejo. 

Dentro do IPC, um fator de pressão foram os aumentos de 0,86% nos preços dos automóveis, ante alta de 0,30% em maio. 

Já na construção civil, a pressão veio do custo da mão de obra, que avançou 3,28%%. É o que mostra o INCC, cujo resultado em junho é quase o dobro do resultado do mês anterior, quando foi de 0,95%. 

IGPs: DESACELERAÇÃO EM JULHO

Os rumos dos Índices Gerais de Preços (IGPs) ao longo do mês de julho serão determinados pelas matérias-primas agropecuárias, cujos preços têm oscilado de acordo com notícias sobre safra e clima, sem uma tendência clara no curto prazo, afirmou nesta terça-feira (07/07), Salomão Quadros, superintendente adjunto de Inflação da FGV. 

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A depender da inflação do varejo e da construção, o índice geral perderá força neste mês.

"O IPC deve ter certa desaceleração. Talvez não seja tão grande por conta do reajuste da Eletropaulo (nas tarifas de energia elétrica em São Paulo). O INCC também virá menor. Já o IPA depende de até onde as correções de preço de soja e milho vão. Se for um movimento menor, o IPA se mantém, e haverá alívio no IGP", diz Quadros.

Os preços de soja e milho avançaram e contribuíram para que o IPA, que mensura a inflação atacadista, acelerasse a 0,43%.

"Temos visto pequenos ciclos de alta e queda de soja e milho, que não necessariamente apontam tendência, são movimentos de curto prazo", afirma. 

Neste mês, a soja ficou 0,89% mais cara, enquanto o milho recuou 2,55% - bem menos do que a queda em maio.

O trigo, por sua vez, ficou 2,25% mais barato, mas seu peso é infinitamente menor dentro do atacado. 

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"Mas o resultado deixa claro que não tem mais nenhum efeito do câmbio", diz Quadros. Por isso, a incógnita resta mesmo com as matérias-primas agropecuárias, já que até a alta do minério de ferro em junho também deve se dissipar.

No varejo, a alta de 0,82% em junho foi a maior para o mês desde 1997 (1,30%). Segundo Quadros, o ciclo recente de aumentos em preços administrados e a pressão sobre os alimentos contribuíram para o rompimento da tendência histórica de uma inflação mais branda no meio do ano. 

No mês passado, houve avanço de 4,12% nas taxas de água e esgoto, algo não muito comum para a época.

"Por tudo isso, rompeu-se completamente com o padrão dos últimos anos", afirma. 

Para julho, contudo, boa parte desses impactos deve perder força. Além disso, os alimentos no domicílio tendem finalmente a dar uma trégua ao bolso do consumidor, depois de ganharem força e ficarem 1,05% mais caros em junho, puxados por frutas, laticínios e ovos.

Na construção, o INCC também virá menor em julho, depois de realizada a maior parte do impacto dos reajustes salariais no Rio e em São Paulo. Ainda que esteja previsto o dissídio da categoria em Brasília, Quadros pontuou que a influência será bem menor sobre o índice.

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Foto: Thinkstock

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