Indicador de recuperação de crédito sobe 5,3% em agosto
A demanda do consumidor por crédito também subiu 7,4% em no último mês e avançou 1,9% na comparação com o mesmo período do ano passado

O indicador de recuperação de crédito elaborado pela Boa Vista SCPC teve alta de 5,3% em agosto em relação à julho, descontando os efeitos sazonais.
Em relação a agosto de 2015, houve elevação de 5,4%. Nos valores acumulados em 12 meses, o índice obtido a partir da quantidade de exclusões dos registros de inadimplentes apresentou elevação de 0,7%.
Em termos regionais, o Nordeste registrou a maior alta na margem (+10,5%), seguido do Norte (+8,2%), Centro-Oeste (+7,8%), Sudeste (+3,8%) e Sul (+1,7%).
"Apesar da intempestividade dos indicadores de algumas regiões, a média brasileira de recuperação de crédito tem permanecido próxima a neutralidade. Desta forma, o quadro de inadimplência na economia mantém-se estável, uma vez que o fluxo de registros de consumidores inadimplentes realizado nos últimos meses tem sido relativamente baixo", dizem os analistas da Boa Vista em relatório.
DEMANDA POR CRÉDITO
A demanda do consumidor por crédito subiu 7,4% em agosto em relação à julho e avançou 1,9% na comparação com agosto do ano passado, segundo pesquisa da Serasa Experian. No acumulado dos primeiros oito meses do ano, a demanda teve alta de 1,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com os economistas da Serasa, o forte avanço na margem foi beneficiado pela maior quantidade de dias úteis em agosto. "Desconsiderando o efeito-calendário, a demanda do consumidor por crédito ainda continua bastante enfraquecida", dizem os analistas em relatório.
Na divisão por faixa salarial, o maior aumento em agosto foi verificado entre os que ganham até R$ 500 (+9,7% na margem), seguido da faixa entre R$ 500 e R$ 1.000 (+9,0%), para aqueles que ganham mais de R$ 10.000 (+6,5%) e de R$ 1.000 a R$ 2.000 (+6,4%). Entre aqueles com renda de R$ 2.000 a R$ 5.000 o crescimento foi de 5,1%. Já na faixa de R$ 5.000 a R$ 10.000 houve elevação de 4,9%.
Na avaliação por regiões geográficas, o Sul liderou o crescimento (+10,9%), seguido por Nordeste (+8,2%), Sudeste (+6,6%), Centro-Oeste (+5,7%) e Norte (+3,6%).
MAIORIA DOS INADIMPLENTES DESCONHECE CONTAS BÁSICAS
A falta de atenção em relação a educação financeira e o desconhecimento a respeito das próprias contas são algumas das razões que comumente dificultam o pagamento das dívidas atrasadas e a organização do orçamento familiar.
Segundo uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 33,9% dos inadimplentes não têm muito conhecimento sobre suas contas básicas.
De modo geral, quem têm maior conhecimento sobre suas contas básicas são homens (67,7%, ante 64,9% das mulheres), mais velhos (93,3% para os acima de 65 anos, ante 61,8% na faixa de 18 a 34 anos), de classe social mais elevada (78,7% na classe A/B, de 65,0% na C/D/E) e que estão desempregados no momento (70,8%, de 64,5% ante os empregados).
Enquanto quase 44% não têm muito conhecimento das suas dívidas, em relação à própria renda essa proporção é menor (40,3%). Já no que diz respeito a compras no crédito (cartão de banco ou de loja e/ou carnê e crediário), 43,7% não têm muito conhecimento.
Entre os inadimplentes entrevistados, 22,6% disseram que "sempre" fecham o mês pagando todas as contas sem ficar devendo. Já 57,0% afirmaram que isso acontece "na maioria das vezes", para 18,4% isso ocorre "na minoria das vezes" e para 5,1% esse fato "nunca" acontece.
Estar inadimplente faz com que parcela significativa dos entrevistados alterem hábitos de consumo. Dos consumidores ouvidos, 79,7% disseram que tiveram de fazer cortes ou ajustes no seu orçamento, 77,7% abriram mão de coisas a que antes tinham acesso, 75,9% deixaram de fazer compras no crédito, 71,4% evitaram comprar artigos como roupas e calçados, 64,0% pararam de comer fora e 56,6% cortaram alimentos supérfluos (como iogurtes, carnes, bebidas, alimentos congelados, etc).
De acordo com o educador financeiro do SPC Brasil José Vignoli, estar a par do orçamento é essencial para uma vida financeira livre dos riscos da inadimplência. "O baixo conhecimento das contas indica que o consumidor perdeu o controle da situação. Nesse cenário, é extremamente difícil sair da inadimplência", afirma.
A pesquisa ouviu 602 pessoas inadimplentes - com dívidas em atraso há mais de 90 dias - entre os dias 17 de junho e 13 de julho, em todas as regiões do País.
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Atualizado às 14h30

