Índice de confiança do consumidor cai em janeiro
A queda foi de 7,7%, de acordo coma FecomercioSP. Na comparação com janeiro do ano passado houve alta de 14,8%

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) voltou a cair ao passar de 110,7 pontos em dezembro para 102,2 pontos em janeiro, o que representa uma queda de 7,7%.
Na comparação com janeiro do ano passado houve alta de 14,8%, de acordo com pesquisa feita mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
A escala de pontuação varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Os dados são coletados de 2,2 mil consumidores no município de São Paulo.
Após cinco altas consecutivas, o Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), um dos dois itens componentes do índice, recuou 6,1% ao passar de 72,6 em dezembro para 68,2 pontos em janeiro.
Em relação a janeiro de 2016, o índice teve alta de 19,5%. O segundo item componente do ICC, o Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), sofreu retração de 8,2%, passando de 136,1 pontos em dezembro para 125 pontos em janeiro.
Na comparação com janeiro do ano passado, houve alta de 13,2%, a décima alta consecutiva.
De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, há uma atmosfera mais positiva do que existia há um ano, com as recentes mudanças no quadro político e econômico.
“O resultado da pesquisa de janeiro mostra ainda um consumidor insatisfeito com as condições socioeconômicas do presente e inseguro quanto ao futuro.A situação do presente acaba por se refletir também nas expectativas, uma vez que as famílias seguem temerosas em relação ao mercado de trabalho”.
De acordo com a análise da FecomercioSP, o consumidor inicia o ano de 2017 demonstrando as mesmas preocupações vividas ao longo do ano passado: orçamento apertado por ganhos de renda mais modestos, em virtude do aumento real do custo de vida, causado pelas altas dos preços e juros e, principalmente, pela incerteza em relação ao seu emprego no futuro.
De acordo com a pesquisa, no resultado do ICEA, os consumidores com renda familiar superior a 10 salários mínimos e com 35 anos ou mais foram determinantes para a retração mensal. Já a queda do IEC foi motivada pelo público masculino e consumidores 35 anos ou mais.
OTIMISMO
Já de acordo com os dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o consumidor brasileiro está mais otimista neste início de ano.
Em janeiro, o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) atingiu 103,8 pontos, um aumento de 3,5% em relação a dezembro e 5,3% na comparação com janeiro. Ainda assim, o indicador está 4,5% abaixo da média histórica.
"A maioria dos índices que compõem o Inec registra crescimento na comparação mensal. A principal razão da melhora do índice é o maior otimismo dos consumidores com relação à evolução futura do emprego, dos preços e da renda", destaca a entidade.
As expectativas em relação à inflação melhoraram - o número de entrevistados que esperam queda nos preços subiu 8,1% em relação a novembro e 15,4% na comparação com janeiro. O grupo dos que esperam queda no desemprego subiu 8,3% e 11% nas duas comparações. As expectativas em relação à renda pessoal são melhores para 7,5% em relação a dezembro e 8,7% em relação a janeiro.
Também há uma previsão de melhora em relação à situação financeira (+2,7% na comparação com dezembro) e ao endividamento (+ 3,5%).
O único índice que registrou queda foi o de compras de bens de maior valor, que recuou 2,6% em relação a dezembro e 4,5% na comparação com janeiro.
Para o economista da CNI Marcelo Azevedo, a reação das expectativas de compra de maior valor depende da melhoria dos outros indicadores.
"As compras de maior valor exigem financiamentos e, consequentemente, comprometimento de parte da renda por mais tempo. Por isso, a disposição dos consumidores vai melhorar na medida em que as pessoas se sentirem mais seguras com o emprego e com as condições financeiras", afirma Azevedo, em nota.
* Com informação de Estdão Conteúdo
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