Índices de inflação já retratam os efeitos da crise econômica

Tendência de desaceleração ocorre tanto nos preços livres como nos administrados pelo governo (energia, transporte, telefonia, combustíveis), segundo economistas da ACSP

Redação DC
08/Abr/2016
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Índices de inflação já retratam os efeitos da crise econômica

A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ou por um índice mais abrangente como o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) está desacelerando de forma importante, devido tanto aos efeitos da recessão como pelo recuo do câmbio, em linha com as expectativas de mercado.

A avaliação dos economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é que esse movimento continue nos próximos meses, permitindo a redução da taxa básica de juros Selic.

 

 

De acordo com o boletim da entidade, a tendência de desaceleração da inflação mensal medida pelo IPCA ocorre tanto para os preços livres como para aqueles administrados pelo governo (energia, transporte, telefonia, combustíveis entre outros), que, inclusive, apresentaram variação negativa (deflação).

No caso dos preços livres, a menor alta reflete a forte queda do consumo, em decorrência da intensa recessão sofrida pelo país, que, inclusive, no caso dos serviços está inibindo o repasse dos aumentos de custos.

Os alimentos continuaram sendo os “vilões” da inflação, avançando de fevereiro a março de 1,06% para 1,24%, com destaque para o aumento dos preços das frutas (8,91%), contribuindo para explicar 74% da alta do IPCA como um todo, devido a seu elevado peso no orçamento familiar.

No sentido oposto, o maior impacto negativo veio da energia elétrica, cujas tarifas diminuíram 3,41%, além das passagens aéreas, com queda de 10,85%.

IGP-DI

No caso do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), houve desaceleração mais intensa, ao passar de uma alta de 0,79% em fevereiro para um avanço de 0,43% em março, gerando menor elevação do índice acumulado em 12 meses, que passou de 11,93% para 11,07% durante o mesmo período.

Essa menor elevação também foi causada pela queda da atividade econômica, além da descompressão dos preços das matérias primas agrícolas e industriais, ocasionada pela importante redução da taxa de câmbio, fazendo atenuar o avanço em 12 meses do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), principal componente do IGP-DI, que entre fevereiro e março recuou de 13,35% para 12,38%, respectivamente.

FOTO: Thinkstock

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