Indústria aprofunda queda em janeiro

Cenário é de provável continuidade da recessão, pelo menos até que a inflação comece a desacelerar, viabilizando a redução da taxa de juros, segundo economistas da ACSP

Redação DC
04/Mar/2016
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Indústria aprofunda queda em janeiro

A contração de 13,8% da atividade industrial em janeiro, ante o mesmo mês de 2015, foi o pior resultado desde abril de 2009, no auge da crise financeira mundial, quando a retração alcançou a 14,1%. 

Os economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) observam que o recuo da atividade industrial poderá ser amenizado pelo aumento das exportações.

Para ter uma ideia, os dados de exportações de fevereiro, divulgados pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MIDIC), mostram alta de 4,6% ante igual mês de 2015, graças aos aumentos dos embarques de manufaturados (7,9%) e semi-manufaturados (14%), apesar da queda dos produtos básicos (-0,5%). 

“Esses resultados positivos poderão mitigar a continuidade da contração da indústria, projetada para 2016, enquanto não houver recuperação da confiança dos empresários”, afirmam em nota.

Por outro lado, os destaques negativos da indústria em janeiro ficaram com os segmentos de bens de capital, com fortíssima contração de 35,9% e de bens de consumo durável, cuja queda correspondeu a 28,2%, decorrente principalmente das reduções na produção de veículos (-31,3%) e informática e eletrônicos (-38,8%).

Ainda no confronto com o mesmo mês de 2015, houve queda de quase todos os 
segmentos, com destaque para as indústrias extrativas (-16,8%), têxteis (-20,2%), móveis 
(-19,5%), bebidas (-11,25%), calçados (-7,7%) e alimentos (-5,8%). Em sentido contrário, aparecem apenas dois ramos: fumo (21,5%) e papel e celulose (1%), provavelmente afetados positivamente pela elevação do câmbio.

A divulgação do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas do país) mostrou que a indústria sofreu a maior queda desde 1996 (-6,2%), decorrente principalmente das contrações da indústria de transformação (-9,7%) e da construção civil (-7,6%), salvando-se apenas a indústria extrativa mineral, que acumulou 4,9% de crescimento anual, apesar dos efeitos negativos da tragédia ocorrida em Mariana (MG).

PIB DE 2016 DEVE CARREGAR QUEDA DE 2015

Na opinião dos economistas, a forte queda de 3,8% do PIB em 2015 já era amplamente esperada. Segundo eles, a recessão foi se aprofundando, passando de uma queda na atividade econômica de 2% no primeiro trimestre para uma contração de 5,9% nos últimos três meses do ano.

Assim, parte dos resultados adversos de 2015 podem “transbordar” para o ano em curso, configurando o chamado “carregamento estatístico”. Isso indica uma provável continuidade da recessão, pelo menos até que a inflação comece a desacelerar, viabilizando a redução da taxa de juros. 

“Para isso, contudo, é fundamental equilibrar as contas públicas, revertendo a trajetória insustentável do endividamento público, além de dar fim à crise política, recuperando a confiança de famílias e empresários.”

Os economistas destacam que a retração de 4% do consumo das famílias, depois de onze anos de crescimento ininterrupto, decorrente da redução da renda e do crédito, das maiores taxas de juros e da elevação da insegurança no emprego, terminaram derrubando a confiança do consumidor, diminuindo sua disposição a gastar.

No caso do setor serviços, que representa o principal setor produtivo e empregador do país, também houve contração recorde no ano passado (-2,7%), destacando-se o declínio da atividade comercial (-8,9%).

Os investimentos produtivos e em infraestrutura (formação bruta de capital fixo) mostraram intensa diminuição de 14,1%, explicada pela menor disponibilidade e maior custo do crédito, pela acumulação de estoques, e, principalmente, pela apreciável queda da confiança do empresário, afetada negativamente pelas crises política e econômica.

A avaliação é que a continuidade da retração dos investimentos não somente aprofunda a recessão no curto prazo, como também diminui as possibilidades de crescimento do país no médio e longo prazo.

“O tombo do PIB só não foi maior por conta do setor externo, que deu contribuição positiva, com elevação de 6,1% das exportações, beneficiadas pelo câmbio, e diminuição de 14,2% das importações, também por efeito da elevação do custo da moeda estrangeira, e, principalmente, pela própria queda da atividade econômica (consumo e investimento produtivo).”

FOTO: Thinkstock

 

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