Inflação alta emagrece o retorno de aplicações de renda fixa

Dinheiro na poupança tem perda de poder aquisitivo e, em fundo de renda fixa, retorno bruto um pouco acima do IPCA em 12 meses

Rejane Tamoto
10/Dez/2015
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Inflação alta emagrece o retorno de aplicações de renda fixa

As taxas de juros em patamar elevado e o cenário de incerteza política e econômica têm guiado os investidores para o conservadorismo da renda fixa, mas ainda assim o ganho real (descontada a inflação) não é tão significativo -se considerada a inflação oficial, que acumulou 10,48% em 12 meses até novembro pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). No mês passado, a alta foi de 1,01%.

No mesmo período, os fundos de renda fixa da categoria Simples - que em geral têm tíquete de entrada mais baixo - tiveram um retorno bruto de 13,66%, o maior no intervalo de 12 meses entre outras categorias de renda fixa, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

No mês, essa aplicação ofereceu retorno médio bruto de 1,22%. O dado não considera a taxa de administração cobrada pelo fundo e nem a incidência de Imposto de Renda. 

Apesar da boa rentabilidade, a entrada de recursos nos fundos de renda fixa teve um revés no mês passado. A boa rentabilidade não necessariamente se converteu em aumento de depósitos. 

De acordo com o balanço da entidade, as maiores rentabilidades brutas foram oferecidas por aplicações de maior risco, como os fundos multimercados do tipo Dinâmico, que foi de 33,35% em 12 meses até novembro, e os fundos de ações que investem no exterior, com 32,91% no mesmo período, não só por causa da alta do dólar mas do bom desempenho do mercado no exterior. Os demais fundos de ações fecharam o período no vermelho. 

No mês, no entanto, o destaque foi o fundo multimercado Macro, com rentabilidade de 1,76%, e que realiza operações em diversos ativos, com base no cenário macroeconômico de médio e de longo prazo.  

Carlos Massaru Takahashi, vice-presidente da Anbima, diz que a inflação ainda continua pressionada e a tendência para o próximo ano é que o ganho real da renda fixa permaneça um pouco acima dos índices de preços.

"Ainda há um sinal claro de desaceleração do crescimento da economia e ainda é preciso que o ajuste fiscal seja feito. A inflação deveria entrar em uma inflexão e isso ainda não está ocorrendo", afirma.

Segundo ele, apesar da volatilidade, as taxas da renda renda fixa continuam atrativas, com os prêmios dos títulos públicos indexados ao IPCA perto de 7%. "A inflação vai ter que começar a ceder em algum momento e os juros terão de diminuir. Por isso, é importante pensar no médio prazo", afirma. 

Se o ganho real é baixo nos fundos, no caso da poupança é negativo. Um levantamento da consultoria Economatica mostra que a rentabilidade da caderneta em 12 meses até novembro foi de 7,95%, muito menor do que o IPCA de 10,48% do período. 

Assim, o investidor teve perda real de poder aquisitivo de 2,29%, o que significa que não conseguiu manter o poder de compra do dinheiro aplicado.

Esse foi o pior resultado desde setembro de 2003, quando a perda real chegou a ser de 3,21%. Essa é uma das razões que tem feito muitos investidores a sacarem os recursos da caderneta ao longo desse ano. 

CAPTAÇÃO: PREVIDÊNCIA SE DESTACA

Não é possível saber quanto migrou da poupança para os fundos de investimentos. O fato é que, em novembro, a indústria registrou um resgate líquido de R$ 20,4 bilhões - o maior desde outubro de 2008, quando as retiradas foram maiores do que as aplicações em R$ 28,9 bilhões.

Com esse desempenho, a captação líquida dos fundos no ano até o mês passado ficou em R$ 7,9 bilhões- o menor nível para esse período desde 2008.

Segundo Takahashi, da Anbima, os saques foram concentrados na última semana do mês passado e o que também influenciou esse resultado foi a ocorrência de come-cotas (o recolhimento de uma parcela do Imposto de Renda no dia 30 de novembro), que retirou da indústria cerca de R$ 5 bilhões.  

A captação líquida ficou negativa nos fundos de renda fixa, ações e multimercados. "Há um fluxo sazonal de retiradas do poder público da renda fixa por causa das despesas maiores no fim do ano", diz. 

Já as captações líquidas dos fundos de Previdência, FIDCs (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios) e FIPs (Fundos de Investimentos em Participações) ficaram positivas. 

O que mais chamou a atenção, no entanto, foi a entrada de recursos de R$ 32,6 bilhões no ano até novembro nos fundos Previdência.

O vice-presidente da Anbima disse que esse movimento é consequência do trabalho de consolidação da força de vendas das instituições financeiras.

"Além disso, o fundo de previdência é usado pelo cliente private como uma estratégia de planejamento sucessório e tributário. A mudança no mercado de trabalho, que recebe mais profissionais autônomos, também explica o crescimento do fundo de previdência aberto", diz. 

Segundo ele, a tendência para 2016 é uma concentração de recursos do investidor tanto nos fundos de renda fixa quanto nos produtos de previdência. "A tendência é o investidor procurar fundos menos voláteis e mais líquidos", afirma. 

FOTO: Thinkstock

 

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