Inflação atingiu os pobres com mais força em 2015
Para famílias de menor renda, a inflação acumulou alta de 12,83%, aponta o Dieese. A inflação média do ano foi de 11,46%. Economia em recessão fez a classe C encolher

A inflação na capital paulista penalizou mais as famílias de menor poder aquisitivo em 2015, aponta cálculo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). E colabora para que mais pessoas deixem a classe C.
O Índice do Custo de Vida (ICV) registrou variação de 11,46% no ano, 4,73 pontos percentuais acima do apurado em 2014. Além do agregado, o indicador calcula o custo de vida do consumidor paulistano por estrato de renda.
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Por este parâmetro, a inflação para as famílias do estrato 1, com renda média mensal de R$ 377,49, acumulou alta de 12,83% em 2015. As famílias do estrato 2, com renda média de R$ 934,17, tiveram aumento de 12,07% no custo de vida no período.
A inflação para os mais ricos - famílias do estrato 3, que têm renda média mensal de R$ 2.792,90, atingiu 10,43%.
VILÕES DOS PREÇOS
Duas classes de despesas se destacaram com altas fortes no ano passado. O grupo Habitação avançou 15,70%, com salto de 71,11% na eletricidade e alta de 24,45% no gás de botijão.
Já o grupo Transporte teve variação de 15,13%, com destaque para a subida dos preços do álcool (34,23%) e da gasolina (18,65%).
Os grupos Alimentação e Despesas pessoais, por sua vez, tiveram também variação acima de dois dígitos, com avanço respectivo de 10,55% e 10,15%.
O grupo Saúde teve variação positiva de 9,13%. As Despesas Diversas saltaram 8,36%. Os gastos com Educação e Leitura subiram 8,29%, com Recreação avançaram 7,21% e com Equipamento Doméstico marcaram +2,46%.
A menor taxa acumulada em 2015 foi verificada no grupo Vestuário (0,14%), sendo que os calçados subiram 1,66% e as roupas cederam 1,08%.
CLASSE ‘C’ DECADENTE
Segundo estudo realizado pelo Bradesco, publicado com exclusividade pelo jornal Valor Econômico nesta segunda-feira (09/01), a crise atual na economia rebaixou 3,7 milhões de brasileiros da classe C, que voltaram às classes D e E entre janeiro e novembro.
Com o aumento do desemprego, a tendência é que o número de indivíduos na classe C diminua ainda mais, uma vez que as vagas de emprego que costumam ser cortadas primeiro são aquelas que exigem menor qualificação, normalmente preenchidas por pessoas das classes mais baixas.
Nesse ritmo, a classe C pode voltar a ter menos de 50% da população, patamar de 2010.
Por enquanto, mesmo com esse tombo, a classe C continua a mais ampla, com 103,6 milhões de pessoas. A metodologia adotada pelo Bradesco coloca nessa categoria indivíduos de famílias com renda mensal entre R$ 1,646 e R$ 6,585.
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