Inflação de São Paulo sobe 0,47% em junho

Em 12 meses até junho, o Índice de Preços ao Consumidor da Fipe atingiu 8,06%. Preços administrados devem levar o indicador para 8,86% no final de 2015

Estadão Conteúdo
02/Jul/2015
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Inflação de São Paulo sobe 0,47% em junho

A inflação da cidade de São Paulo subiu 0,47% em junho e desacelerou na comparação com maio, quando o aumento foi de 0,62%, segundo o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

No primeiro semestre, o IPC-Fipe teve aumento de 5,85%. No período de 12 meses até junho, a inflação acumulada foi de 8,06%.

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A desaceleração na comparação mensal foi pontual. André Chagas, coordenador do IPC-Fipe, conta que alterou sua projeção para a inflação deste ano na capital paulista. 

A estimativa para o IPC fechado de 2015 passou de uma alta de 6% para 8,86%. "Inicialmente, acreditávamos que a alta dos preços administrados ficaria concentrada até maio, mas não é que o estamos vendo. Além disso, o mercado de trabalho - apesar de o desemprego estar subindo - está, de certa forma, resiliente", explica.

Mesmo considerando que o nível do desemprego está elevado, e a renda, diminuindo, o coordenador ponderou que isso ainda parece insuficiente para desacelerar a inflação de maneira expressiva.

"Até agora, no acumulado do ano, foram acrescidos 3,56 pontos percentuais de inflação só por conta dos administrados", diz.

A revisão da expectativa do IPC do final de 2015 também leva em conta os recentes aumentos nos preços de pedágios, gás, energia, elevação da alíquota de PIS/Cofins do setor energético, água e esgoto. 

"Temos de considerar ainda os reajustes que ainda não vieram, como os de alguns pedágios de estradas federais e da gasolina, como já começou a cogitar o governo", afirma.

Por causa dos reajustes na faixa de 4% dos pedágios estaduais e de 17% da Eletropaulo nos últimos dias, além dos aumentos anunciados anteriormente nas tarifas da Sabesp e ainda nos preços de gás canalizado, Chagas estima que a inflação na capital paulista encerre julho em 0,60%. 

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A taxa deve ser maior do que a registrada em junho deste ano, de 0,47%, e também maior que a de 0,16% apurada em julho de 2014. "Se não fosse a pressão dos administrados, a previsão do IPC de julho seria de 0,41%, e não de 0,60%. São preços que terão impactos no IPC de julho e agosto", prevê.

Além da pressão de alta dos administrados, o economista acredita que o grupo Alimentação tende a continuar influenciando o IPC para cima nos próximos meses, contrariando a sazonalidade favorável para o período.


DESACELERAÇÃO EM JUNHO

Em junho, seis de sete grupos de produtos desaceleraram os preços na comparação a maio. 

Segundo a Fipe, a desaceleração da inflação na capital paulista contou com a ajuda do comportamento dos preços do tomate, que cederam 26,02%, da passagem aérea, com queda de 5,77%, do etanol, com variação negativa de 2,28%, e da laranja, com recuo de 7,01%. 

Os itens figuraram na lista das maiores quedas no IPC-Fipe do sexto mês do ano. "Os produtos in natura fecharam em queda (2,11%) e vários itens ajudaram. Dentre eles, o tomate, cuja variação negativa praticamente neutraliza a alta da cebola", afirma o coordenador do IPC. A estimativa dele era de que o índice ficasse em 0,49% em junho.

O grupo Transportes, do qual o item etanol faz parte, mostrou inflação de 0,04% no IPC do mês passado, depois de 0,30% em maio. Além da influência do álcool combustível, a deflação de 1,78% em seguro de veículos também impediu uma aceleração do grupo, conforme o coordenador do IPC. 

"Pode ser um indicativo de que o setor não esteja conseguindo fazer repasses, a fim de não comprometer as vendas neste momento de fraqueza da economia", afirma Chagas.

Por outro lado, as altas verificadas no leite longa vida (5,13%), loterias (26,59%) e cebola (27,51%) limitaram uma queda maior do IPC entre maio e junho. 

Segundo ele, o aumento verificado no leite contribuiu com 0,05 ponto no resultado final da inflação de junho, assim como a alta apurada em jogos lotéricos. 

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"Por causa do aumento em loterias, o grupo Despesas Pessoais passou de 0,27% em maio para 0,83%. Ainda deve ter impactos, mas serão marginais", diz.

Em relação ao conjunto de preços de alimentos, que passou de 0,88% para 0,58%, o economista disse que a desaceleração é uma "boa notícia", pois, além da deflação dos produtos in natura (de 2,11%), a aceleração dos industrializados, vista na terceira leitura de junho (para 1,34%), não se confirmou no fim do mês (1,26%). 

"Ainda é um nível elevado, mas todos os produtos desse subgrupo passaram a desacelerar, o que pode significar que a indústria está dosando os repasses de custos com energia, água e câmbio para os preços", avalia.

Já os alimentos semielaborados subiram 0,89% no mês passado, depois de 1,15% em maio, com destaque para a alta menos intensa de carnes bovinas, para 0,45%, ante 3,46%. "Mas, o que sustenta, mesmo, o resultado de semielaborados, é a taxa de 4,94% apurada em leites", diz.

Apesar de ter mostrado um número inferior em junho, de 0,61%, em relação a 0,74% no quinto mês do ano, o grupo Habitação também ajudou a sustentar a alta do IPC, afirma Chagas. 

"Praticamente, o resultado do índice de junho ficou concentrado em Habitação, Alimentação e Despesas Pessoais".

Segundo o economista, a desaceleração do grupo Habitação foi influenciada por gastos menores com serviços (reparos) no domicílio, cuja taxa passou de 1,83% para 1,52% no sexto mês do ano. 

Já a variação de 1,01% (ante 0,29%) de água e esgoto puxou o grupo para cima, devido aos primeiros efeitos do reajuste de 15% nas tarifas de água e esgoto pela Sabesp. 

"O impacto maior deve ocorrer este mês", prevê. Além disso, algumas taxas de produtos de limpeza, como sabão em pó (de 1,97% para 3,70%), pressionaram o grupo Habitação, conforme o economista da Fipe. 

"Reforça a mesma impressão de alguns alimentos industrializados, de que a indústria está repassando alguns custos (energia, água e dólar) para os preços que poderiam estar defasados", diz.


Foto: Thinkstock

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