Inflação fecha fevereiro com alta de 0,9%
O IPCA acumula alta de 2,18% nos dois primeiros meses do ano. Para Alencar Burti, presidente da ACSP, expectativa é de que a inflação volte ao patamar de um dígito

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou fevereiro com alta de 0,9%, resultado 0,37 ponto percentual abaixo da taxa de janeiro, que atingiu 1,27%.
Os dados da inflação oficial do país foram divulgados nesta quarta (9/03), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com o resultado, o IPCA passou a acumular alta de 2,18% nos dois primeiros meses do ano, resultado que chega a ser 0,3 ponto percentual inferior aos 2,48% acumulados em igual período de 2015.
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Já a alta acumulada nos últimos doze meses ficou em 10,36%, também abaixo dos 10,71% dos doze meses imediatamente anteriores: -0,35 ponto percentual. Em fevereiro de 2015, o IPCA foi de 1,22%.
Para Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), a inflação deve voltar ao patamar de um dígito nos próximos meses. "A diluição dos reajustes de tarifas, a aparente estabilização do dólar e a entrada de uma nova safra agrícola indicam que, mesmo que os preços não caiam, as pressões de custos devem se atenuar, permitindo um processo gradativo de desinflação, como ocorreu em fevereiro", diz Burti.
Porém, ele ressalta que esse alívio se deve ao fato de o governo manter os juros altos. “Acreditamos que nos próximos meses a taxa Selic volte a cair, destravando a economia. Também esperamos que o governo não introduza novos impostos, como a CPMF, já que estudos indicam que, por ser em cascata, esse imposto pode gerar ainda mais inflação”, diz.
EDUCAÇÃO
Os grupos Educação (5,9% e 0,27 ponto percentual de contribuição) e Alimentação e Bebidas (1,06% e contribuição também de 0,27 pontos), foram responsáveis por 60% do IPCA do mês - o equivalente a 0,54 ponto percentual.
Os reajustes escolares característicos dessa época do ano impactaram a inflação oficial de fevereiro, conforme já era esperado. A alta no grupo Educação foi de 5,90% no último mês, maior variação de grupo dentro do IPCA.
As mensalidades dos cursos regulares subiram 7,43%, tornando-se o item de maior contribuição para o IPCA do mês, o equivalente a 0,21 ponto porcentual.
Apenas Fortaleza não apresentou aumento, em virtude da diferença na data de reajuste. Nas demais regiões, as variações dos cursos regulares ficaram entre os 3,99% registrados na região metropolitana do Recife e os 10,88% verificados do Rio de Janeiro. As mensalidades dos cursos diversos - que incluem idioma, informática, etc. - subiram 5,53% em fevereiro.
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ALIMENTAÇÃO
O ritmo de aumento nos gastos das famílias com alimentação e bebidas desacelerou na passagem de janeiro para fevereiro, de 2,28% para 1,06%.
Os produtos que tiveram as altas mais consideráveis em fevereiro foram a cenoura (23,79%) e a farinha de mandioca (11,40%). Na direção oposta, ficaram mais baratos o tomate (-12,63%) e a batata inglesa (-5,70%).
Apesar da desaceleração o grupo Alimentação e bebidas foi um dos maiores responsáveis pela inflação de fevereiro, com contribuição de 0,27 ponto porcentual, assim como o grupo Educação, cuja alta de 5,90% no último mês também resultou num impacto de 0,27 ponto porcentual sobre o IPCA.
Juntos, os grupos Alimentação e Educação foram responsáveis por 60% da taxa do IPCA de fevereiro, o equivalente a uma contribuição de 0,54 ponto porcentual para o resultado de 0,90% da inflação no mês.
*Com informações do Estadão Conteúdo
FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

