Vendas do varejo surpreendem o mercado e registram alta em março

Mesmo com juros altos e endividamento, dados contrariam expectativas e revertem projeções de queda, na avaliação dos economistas do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP

Arthur Gebara Junior
19/Mai/2026
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Vendas do varejo surpreendem o mercado e registram alta em março

As vendas do varejo restrito (que não incluem veículos, material de construção e atacarejo) surpreenderam os especialistas e registraram alta de 0,5% em março, de acordo com o IBGE. A pesquisa, que é realizada tendo como referência a evolução mensal (sem considerar os efeitos sazonais), veio bem acima das expectativas do mercado. Na comparação com março de 2025, as vendas aumentaram 4,0%. O acumulado dos últimos 12 meses cresceu 1,8%, ante os 1,4% da leitura anterior, e os mesmos 1,4% da projeção do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV/ACSP).

As vendas do varejo ampliado (que inclui todos os segmentos) também apresentaram resultado melhor do que o esperado em termos mensais, com crescimento de 0,3% após ajuste sazonal. Em relação a março de 2025, houve expansão de 6,5%. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 0,2%, revertendo a queda de 0,4% registrada em fevereiro.

De acordo com o economista do IEGV, Ulisses Ruiz de Gamboa, existem alguns fatores que, em princípio, não apontariam para esses resultados: “Os juros elevados e o alto endividamento das famílias não foram suficientes para impedir os números positivos do varejo em março”.

Para o economista, os resultados podem ser explicados por uma série de fatores: o crescimento da renda via transferências governamentais, o aumento do emprego e a expansão do crédito foram determinantes. "Também é preciso considerar o efeito calendário pelo fato de o Carnaval em 2025 ter ocorrido em março, reduzindo as vendas do varejo naquele período”, aponta.

Categorias Mar 26/Mar 25 Últimos 12 meses
Varejo Ampliado 6,5% 0,2%
Veículos 12,6%
 
-3,9%
Material de construção 8,1%
 
-1,8%
Atacado de Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (“Atacarejo”) 8,7%
 
0,1%
Varejo Restrito 4,0% 1,8%
Combustíveis e Lubrificantes 7,6%
 
0,8%
Hiper, Supermercado, Prods. Alim., Bebidas e Fumo 0,9%
 
1,1%
Móveis e eletrodomésticos 6,8%
 
4,2%
Tecidos, Vestuários e Calçados 2,9%
 
0,5%
Equip. e Mat. Escritório, Informática e Comunicação 22,5%
 
6,7%
Artigos farmacêuticos, Med., Ortop. e de Perfumaria 7,1%
 
4,8%
Livros, Jornais, Revistas e Papelaria 10,2%
 
0,2%
Outros artigos de Uso Pessoal e Doméstico 11,1%
 
2,8%
Fonte: IBGE.

Números positivos

Se comparadas com as de 2025, as oito atividades do varejo restrito apresentaram crescimento do volume comercializado: equipamentos e material de escritório, informática e comunicação (22,5%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (11,1%); livros, jornais, revistas e papelaria (10,2%); combustíveis e lubrificantes (7,6%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (7,1%); móveis e eletrodomésticos (6,8%); tecidos, vestuário e calçados (2,9%) e hipermercados e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,9%).

O varejo ampliado também apresentou crescimento generalizado e, em geral, expressivo: veículos e motos, partes e peças (12,6%); atacarejo (8,7%) e material de construção (8,1%). Portanto, o varejo em março surpreendeu positivamente em todos os segmentos.

Para Ruiz de Gamboa, a questão que surge inevitavelmente é se está ocorrendo uma retomada do varejo ou se trata de um crescimento pontual. O economista acredita que, nos próximos meses, os números não devem ser tão positivos: “Não se pode chegar a uma conclusão a partir de uma única observação, mas acredito que os juros altos e o alto grau de endividamento das famílias, além da redução da confiança do consumidor, são determinantes e se sobreporiam aos aumentos da renda e do emprego”, conclui.

Nesse contexto, a economista projeta uma desaceleração nas vendas do varejo restrito, de forma gradual, nos próximos meses, mostrando maior volatilidade nos segmentos mais ligados ao crédito.


IMAGEM: Freepik

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