Ronaldo Caiado quer novo pacto federativo para o país
Pré-candidato à presidência da República afirma que, se eleito, trabalhará em parceria com estados e pela desconcentração de poder em Brasília. No evento Conexa 2026, voltado para empresários, político goiano dividiu o palco com o mineiro Romeu Zema para falar sobre os rumos do Brasil

*Enviado especial à Florianópolis (SC)
O pré-candidato à presidência da República e ex-governador do estado de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD/GO), afirmou na segunda-feira (18/05), em Florianópolis (SC), que vai propor um novo pacto federativo para o país, caso seja eleito.
Em sua avaliação, a concentração de poder em Brasília (DF) atrapalha o desenvolvimento de projetos pelos estados e municípios. Caiado acredita que mais liberdade na relação entre a União e os entes federativos estimulará o desenvolvimento local.
“Serei o primeiro presidente, depois de Juscelino Kubitschek, a fazer com que haja um novo plano federativo no país. Eu vou governar com os governadores e governadoras”, disse o pré-candidato, criticando as regras constitucionais que concretam poder em Brasília (DF). Ele afirmou que pretende repassar aos governadores maior liberdade, tanto do ponto de vista da segurança pública quanto tributária. “São ações que quero estimular”, afirmou.
Um dos principais nomes de oposição ao Partido dos Trabalhadores (PT), Caiado aposta em uma narrativa que contempla uma gestão eficiente, segurança pública e fortalecimento do agronegócio. Caiado falou também da preocupação com o crescimento do crime organizado, o Custo Brasil (21%) e a inflação, bem como a carga tributária no patamar de 34%, além da evasão de 200 empresas do Brasil para o Paraguai.
Também destacou a necessidade de ampliar a industrialização brasileira, especialmente no setor mineral, criticando a exportação de matérias-primas sem agregação de valor no país.
Na capital catarinense, Caiado participou do Conexa 2026, evento que reúne lideranças empresariais, políticas e representantes de associações comerciais. Além dele, o evento também contou com a participação de outro pré-candidato à presidência da República, Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais (MG).
No Conexa, ambos concederam entrevista coletiva à imprensa antes de participarem do painel “Para Onde Caminha o Brasil”, um dos destaques do primeiro dia da programação. Em seus posicionamentos, Caiado e Zema defenderam uma agenda econômica liberal, com menos tributos e mais incentivo ao setor produtivo e ao fortalecimento da segurança jurídica para investimentos.
O pré-candidato mineiro afirmou manter o posicionamento crítico em relação ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo o ex-governador de Minas Gerais, transparência e responsabilidade devem prevalecer em qualquer relação envolvendo figuras públicas.
Com tem feito em outras oportunidades, Zema afirmou que, caso não vá para o segundo turno, apoiará quem quer que seja contra o PT. “Minha missão é não deixar o PT destruir o Brasil”. O pré-candidato criticou as políticas sociais de transferência de renda e as fraudes no país. Citou também o problema da alta taxa de juros no país (14,5%) e o impacto disso na dívida da União, que, segundo ele, já está na casa dos R$ 10 trilhões.
“Com a taxa de juros pela metade, a economia seria de 750 bilhões de reais por ano”, informou.
Pequenos negócios
Caiado e Zema responderam ao Diário do Comércio sobre as perspectivas para os microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte. Ambos valorizaram esses segmentos como pontos estratégicos para o desenvolvimento do país.
“Os pequenos negócios são importantíssimos para o Brasil. A proposta minha e a do Partido Novo é rever tudo que envolve os MEIs, o Simples [Nacional], as microempresas, que hoje enfrentam uma série de dificuldades porque às vezes vão pular de um patamar para outro e a carga tributária aumenta significativamente”, defendeu Zema, para quem a cobrança de tributos hoje acaba punindo os pequenos negócios. “É necessário rever tudo isso para que a carga tributária tenha um aumento gradual, e não puna ninguém por estar crescendo. E hoje, no Brasil, vários micros e pequenos empresários são punidos porque crescem”, afirmou.
Com relação à questão tributária, Caiado também defende proteção aos pequenos negócios. “Nós nunca conseguimos, até hoje, um resultado que fosse abrangente para que nós pudéssemos dar ao cooperativismo a dimensão que ele precisa de ter no país”, disse.
Conexa 2026
Florianópolis (SC) sedia, nesta segunda e terça (18 e 19), o Conexa 2026, evento que reúne lideranças empresariais, políticas e representantes de associações comerciais do país. Promovido pela Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF), a proposta do encontro é reunir especialistas de diferentes áreas para discutir tendências, inovação e oportunidades de negócios.
“Estamos reunidos em um ambiente com mais de 4 mil pessoas, lideranças, mais de 100 presidentes de associações e empresariais, para capacitação, encontros e oportunidades para os empresários. Vamos trabalhar marketing, vendas e inteligência artificial para que o participante posso colocar em prática. É um time completo para que o empresário saia com aprendizado e aplique no dia seguinte no seu negócio”, afirmou o presidente da ACIF, Célio Bernardi.
Carlos Galvão, CEO da Unlimited Sports e responsável pela operação do IRONMAN no Brasil, abriu a plenária do primeiro dia do evento falando sobre gestão de grandes eventos esportivos, liderança, construção de marca e a conexão entre esporte, performance e negócios.
Na sequência, Marcelo Carneiro Costa, executivo do Sicoob, compartilhou experiências sobre expansão empresarial, relacionamento com clientes e estratégias de crescimento sustentável dentro do cooperativismo financeiro.
Já na palestra de Beto Altenhofen, CMO da Empiricus e head de criação do BTG Pactual, o marketing e as estratégias de conversão ganharam protagonismo na plenária. Foram apresentadas técnicas de copywriting, comunicação persuasiva e posicionamento de marca em mercados altamente competitivos.
Encerrando a sequência de palestras do dia, Thaís Martan levou ao palco discussões sobre o uso prático da inteligência artificial nos negócios. Especialista em IA aplicada à estratégia empresarial, ela mostrou como os negócios podem utilizar tecnologia para aumentar a eficiência, a produtividade e melhorar a tomada de decisão.
O primeiro dia contou, ainda, com a participação do vice-ministro da Indústria e Comércio do Paraguai, Javier Jesús Viveros Machuca, em um painel dedicado a debater as oportunidades e conexões com o Brasil, ampliando o diálogo sobre economia, desenvolvimento e integração regional. A mesa com o representante do governo paraguaio antecedeu o painel com os presidenciáveis.
O líder do associativismo brasileiro e presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, também participou das atividades do Conexa 2026. Cotait também preside a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
IMAGENS: Comunicação ACIF

