Associativismo convoca empresários a 'disputar' o Congresso de 2026
No Conexa 2026, em Florianópolis, o presidente da CACB Alfredo Cotait reivindica votos em candidatos do setor produtivo e apresenta agenda com voto distrital, isonomia fiscal e atualização do Simples Nacional

Santa Catarina terminou 2025 com 2,2% de desemprego, o menor índice do país, contra 5,6% da média nacional, e crescimento econômico de 4,7% entre janeiro e outubro, mais que o dobro dos 2,4% registrados no Brasil, segundo o IBGE e a PNAD Contínua. O estado registrou 140 mil novas empresas em 2025, o maior volume desde o início da série histórica em 2016, chegando a 1.649.128 empresas ativas em fevereiro de 2026, de acordo com a Junta Comercial do Estado (JUCESC). Foi nesse cenário que o associativismo empresarial brasileiro escolheu Florianópolis para realizar, no dia 19 de maio, um de seus encontros mais representativos dos últimos anos.
Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), abriu a plenária do segundo e último dia do Conexa 2026, promovido pela Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF) no CentroSul. O evento reuniu cerca de 4 mil participantes e aproximadamente 100 presidentes de associações comerciais de diferentes estados.
Da tribuna, Cotait descreveu a estrutura da CACB: 27 federações nos 26 estados e no Distrito Federal, com associações comerciais municipais filiadas que operam com recursos próprios, sem financiamento público, diferente dos sindicatos patronais ou de trabalhadores. "Nossa força vem da base, de vocês que estão nas associações comerciais, nos municípios, onde estão os problemas", disse ao empresariado reunido.
O tema central da fala foi político. Cotait convocou os empresários presentes a usar as eleições de 2026 para eleger representantes do setor produtivo na Câmara dos Deputados. A CACB defende que o sistema associativo, presente em todos os estados e municípios do país, tem capacidade de influenciar a composição do próximo Congresso Nacional se atuar de forma coordenada. Para o presidente da entidade, o Brasil vive uma crise que vai além da dimensão fiscal: uma crise de representação.
Dentro dessa agenda de representação, Cotait voltou a defender o voto distrital como mudança estrutural necessária. A proposta divide cada estado no mesmo número de distritos que o de seus deputados federais, com cada distrito elegendo um único representante. O modelo, na avaliação da CACB, aproxima o parlamentar de quem o elegeu e cria condições para que o setor produtivo cobre resultados concretos de seus representantes.
Cotait também retomou a crítica à política de isenção de importados de até 50 dólares, conhecida como 'a taxa das blusinhas.' Para o presidente da ACSP, o governo cometeu um erro de isonomia: ao desonerar produtos estrangeiros nessa faixa de valor sem oferecer tratamento equivalente à produção nacional, a medida penaliza quem gera empregos no Brasil. A CACB defende que produtos fabricados no país com valor de até R$ 250 recebam isenção equivalente.
Na pauta econômica do evento, o Simples Nacional ocupou posição central. O regime simplificado de tributação não é atualizado desde 2018. O Projeto de Lei Complementar 108/2021, que propõe correção de 83% nos limites de faturamento, recebeu aprovação de requerimento de urgência na Câmara dos Deputados. A CACB estima que a medida pode gerar quase 900 mil empregos formais e injetar R$ 34,3 bilhões na massa salarial. O teto do MEI passaria de R$ 81 mil para R$ 145 mil; o da microempresa, de R$ 360 mil para R$ 870 mil; e o da empresa de pequeno porte, de R$ 4,8 milhões para R$ 8,7 milhões.
Cotait também reiterou a posição do sistema associativo sobre a proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. A CACB, junto a mais de 60 entidades do setor produtivo, assinou manifesto pedindo que o debate seja adiado para 2027. O argumento é que uma mudança dessa magnitude não deveria ser votada em ano eleitoral, sem tempo para avaliação técnica e participação do setor produtivo. Para a entidade, o Brasil tem baixa produtividade e reduzir a jornada sem a contrapartida de ganhos de eficiência pode elevar custos, pressionar preços e estimular a informalidade.
O Conexa 2026 precede o 4º Encontro Nacional de Fortalecimento do Associativismo, promovido pela CACB em parceria com a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), realizado no dia 20 de maio na sede da Facisc, em Florianópolis. O encontro reuniu presidentes de federações estaduais e lideranças do G50+, grupo formado pelas associações comerciais mais representativas do Brasil, com histórico de construção de pautas que chegam ao Congresso Nacional.
IMAGEM: Lu Nunes

