Inflação ficou abaixo do teto da meta do governo em 2014
O IPCA fechou 2014 em 6,41%, de acordo com o IBGE. A inflação paulistana deve fechar janeiro com alta de 1,58%. Seria a maior elevação para o mês de janeiro desde 2003

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou dezembro com alta de 0,78%, ante uma variação de 0,51% em novembro, informou nesta sexta-feira (9) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado, que representa a inflação oficial de 2014, ficou dentro do intervalo das estimativas do mercado, que iam de uma taxa de 0,72% a 0,86%, e em linha com a mediana (0,78%).
Como resultado, o IPCA fechou 2014 em 6,41%, abaixo do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%. As previsões dos analistas eram de uma taxa entre 6,34% e 6,50%, com mediana justamente em 6,41%.
Não se trata, no entanto, de um resultado rigorosamente favorável para o governo. A meta seria de 4%, e o teto da meta, de 6,5%. Pelo IBGE, o resultado ficou apenas um pouco abaixo desse mesmo teto.
ALIMENTOS
Ainda segundo o IBGE, e com base nos números da inflação de 2014 definitivamente fechados, os alimentos já subiram 99,73% nos últimos dez anos, muito acima da inflação oficial no período. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma taxa de 69,34% de 2005 a 2014.
Os problemas climáticos e o aumento da demanda pressionam os preços de alimentos, segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.
"(Esse aumento) Vem sendo atribuído a problemas climáticos, às mudanças que vêm ocorrendo no clima e ao dólar, que sempre permeia a agricultura. A seca, tem prejudicado as lavouras não só no Brasil, mas no mundo todo. E também tem o aumento da demanda. Aqui no Brasil tem tido mais renda, mais emprego, e, consequentemente, mais procura por alimentos", justificou Eulina.
Nos últimos dez anos, os alimentos consumidos em casa subiram 86,59%. No entanto, a alta foi de 136,14% para os alimentos consumidos fora de casa.
EM SÃO PAULO
A inflação paulistana deve fechar janeiro com alta de 1,58%, o que, se confirmado, será a maior elevação para meses de janeiro desde 2003, quando o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) fechou em 2,19%, no primeiro ano de governo do então presidente Lula.
Para 2015, no entanto, segundo o coordenador do IPC, André Chagas, a previsão é de que os preços subam 4,99%, ante 5,2% em 2014. O economista disse que tal projeção é "realista", dada a perspectiva de preços livres mais contidos ao longo deste ano, a despeito da pressão dos administrados.
Cálculos da Fipe mostram que só os reajustes recentes de transporte urbano e integração na cidade de São Paulo incidirão em 0,75 ponto no IPC entre janeiro e fevereiro. Além disso, o impacto desse aumento e o reajuste em torno de 6% nas contas de água pela Sabesp no ano passado, mais a alta esperada em energia elétrica, elevarão em 1,2 ponto porcentual o IPC de 2015.
Para Chagas, a expectativa de desaceleração da economia chinesa e de outros países poderá continuar pressionando os preços de algumas commodities para baixo este ano, especialmente as agrícolas. Neste cenário, ele acredita que a inflação de preços livres, principalmente de alimentos, poderá ficar mais comedida, assim como de alguns serviços. "Tem ainda a política fiscal mais apertada e o aumento dos juros atuando para conter o mercado de trabalho, o que pode favorecer a inflação (mais contida)", estima.
Por sua vez, os resultados inferiores ao esperado para os grupos Habitação, Alimentação e Despesas Pessoais foram mencionados pelo coordenador do IPC para justificar a alta de 0,30% do indicador de dezembro, que veio abaixo da expectativa mais recente de 0,44%.
"Essa taxa de 0,44% era compatível com um IPC fechado de 5,32%, mas ficou em 5,2%, disse ele.
O economista disse que esperava taxa de 0,71% para o conjunto de preços de alimentos, mas a inflação ficou em 47%. "É um índice relativamente baixo, dado o contexto atual. Neste grupo, houve algumas altas mais ou menos generalizadas, mas em menores proporções, e até quedas importantes em determinados itens", afirmou, citando a desaceleração nos preços dos alimentos industrializados (de 0,55% para 0,45%) e dos semielaborados (de 1,13% para 0,92%), além da deflação dos itens in natura (de alta de 6,43% para queda de 0,39%).
Apesar de a taxa ainda elevada de Despesas Pessoais em dezembro (de 0,87%), o dado ficou aquém do previsto pela Fipe, na faixa de 1%. Segundo Chagas, o desvio deveu-se a quedas no segmento de fumos e bebidas, de 0,05%, por causa de bebidas não alcoólicas, que cederam 0,44%, por causa do recuo de 1,19% do refrigerante. Por outro lado, os gastos com viagens foram 4% maiores que em novembro, enquanto as passagens aéreas tiveram inflação de 7,04%.
O economista ainda ainda citou o conjunto de preços de Vestuário, que ficou em 0,27%, destoando da alta de 0,72% em novembro. Segundo ele, o movimento, normalmente atípico para o período, pode estar associado a promoção feita por alguma loja varejista. "Provavelmente foi alguma liquidação de fim de ano", concluiu.

