Inflação paulistana atinge 10,49% em 12 meses

IPC-Fipe acelerou para 1,06% em novembro e deve encerrar 2015 no maior patamar desde 1995. Impeachment deve trazer instabilidade aos índices de preços

Estadão Conteúdo
03/Dez/2015
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Inflação paulistana atinge 10,49% em 12 meses

A inflação de São Paulo medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), na cidade de São Paulo, avançou em novembro, atingindo 1,06%. Em outubro, a alta foi de 0,88%. Com esse resultado de novembro, o índice acumula no ano aumento de 10,17%. Em 12 meses, subiu 10,49%.

O índice deve desacelerar e terminar dezembro em 0,84%, de acordo com André Chagas, coordenador do IPC-Fipe. No entanto, o economista acredita que o índice poderá terminar este ano com uma alta de 11,09%, e não mais em 10,40%, como previa anteriormente.

Se a taxa fechar nessa marca, será a maior desde 1995, quando ficou em 23,17%. "A inflação segue resistente", disse.

A expectativa de Chagas é de que o grupo alimentação saia de uma alta de 2,26% no mês passado, para 1,64% em dezembro, devido à sazonalidade um pouco mais favorável nesta época do ano.

"Pode ser que dê algum alívio, mas será sazonal", afirmou, lembrando das condições climáticas adversas neste período e ainda de eventuais promoções de itens alimentícios, especialmente nas últimas duas semanas do mês.

Em novembro, a inflação de alimentos ganhou força ante outubro (1,31%) influenciada por todos os subgrupos.

A classe de industrializados teve alta de 1,86%, puxada em grande parte pelo encarecimento do açúcar (13,29%), enquanto semielaborados atingiram 1,40%, com taxa positiva em carne bovina (1,66%).

"O contraponto foi a queda de 2,19% em leites. O que ajudou a segurar um pouco a alta de semielaborados", disse.

Já os alimentos in natura tiveram variação expressiva de 5,88%, com destaque para a alta de 24,97% no preço do tomate. "Provavelmente, em dezembro, os in natura podem desacelerar", estimou.

O grupo transportes, que arrefeceu o ritmo de alta de 1,55% para 1,10% em novembro, deve continuar desacelerando este mês e fechar em 0,73%, a despeito das pressões do etanol.

Passado o impacto do reajuste nos preços da gasolina, o economista disse que o valor do etanol deve seguir elevado, influenciado pelo encarecimento do açúcar no atacado.

"Já subiu cerca de 60% ao produtor nos últimos três meses. No IPC-Fipe, no ano até novembro, a alta é de 21,62%. Ou seja, ainda tem espaço para subir mais à frente", estimou Chagas.

IMPEACHMENT

A abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff é um elemento adicional para a já pressionada inflação no próximo mês ou até mesmo nos meses seguintes, avaliou Chagas.

"É um componente de instabilidade que pode ter impactos em contratos ou em produtos que são influenciados pelo câmbio", analisou.

Apesar da queda do dólar ante o real nesta quinta-feira (03/12) o economista da Fipe acredita que este movimento pode não se sustentar.

"Com isso, pode se gerar nova pressão em itens que até já estão pressionados", disse, ao citar como exemplo o açúcar, que subiu cerca de 13% na capital paulista.

"Acho difícil o processo ser definido em dezembro, o que vai acabar gerando algum repasse de preço em alguma medida", completou.

Além disso, o economista da Fipe acredita que, além da inflação elevada em 2015, a abertura de impeachment elimina qualquer possibilidade de aumento nos preços dos combustíveis este ano.

"No meio desse processo, imagino que o governo não vai querer criar ainda mais indisposição", avaliou.

IMAGEM: Thinkstock

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