Inflação surpreende e desacelera fortemente em novembro

Resultado abre espaço para uma redução menos “tímida” da taxa de juros por parte do Banco Central, segundo economistas da ACSP

Redação DC
09/Dez/2016
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Inflação surpreende e desacelera fortemente em novembro

A perspectiva para os próximos meses é que a inflação siga recuando, diante do atual quadro de ociosidade e das maiores elevações de preços registradas nos últimos meses de 2015 (em torno de 1%), abrindo espaço para uma redução menos “tímida” da taxa de juros por parte do Banco Central. A avaliação é de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta sexta-feira (09/12) que "a queda permanente da inflação leva à queda sustentável dos juros, que tem efeitos diretos no crescimento".

Durante encontro com conselheiros do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em São Paulo, ele afirmou que, além de aliviar os juros, uma inflação "baixa e estável é condição necessária para a retomada econômica, porque preserva o poder de compra dos indivíduos e das firmas, permite o alongamento dos horizontes de planejamento e diminui as incertezas quanto ao retorno do investimento produtivo".

Segundo discurso divulgado pela assessoria de imprensa do BC, Goldfajn defendeu que a política econômica tem sido efetiva. Ele lembrou que, no fim de 2015, a inflação estava em 10,7% e, agora, as perspectivas apuradas na pesquisa Focus do BC apontam para uma inflação em torno de 6,6% no fim deste ano, o que representa uma queda de 4 pontos porcentuais.

O presidente do BC afirmou ainda que, "recentemente, a inflação corrente tem surpreendido favoravelmente, com movimento mais disseminado do que apenas a reversão de preços de alimentos".

O comentário reforça uma fala recente do próprio Goldfajn, que destacou o fato de a desaceleração de preços ser percebida em vários produtos, como atestam os índices de difusão.

"É verdade que há sinais de uma pausa na desinflação de alguns componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária", ponderou Goldfajn, em referência aos preços de serviços.

"Todavia, surpresas positivas na inflação e a fraqueza na atividade tornam mais provável a retomada do processo de desinflação desses componentes."

RESULTADO EM NOVEMBRO

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o índice oficial de inflação, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou alta de 0,18% em novembro, desacelerando fortemente em relação a outubro (0,26%) e ao mesmo mês do ano passado (1,01%).

Essa alta foi a menor para o mês desde 1998, surpreendendo os analistas de mercado, que projetavam avanço maior.

Esse resultado contribuiu para reduzir fortemente a inflação no acumulado em 12 meses, que passou de um aumento de 7,87%, observado em outubro, para 6,99%.

Vale destacar que, na apuração mensal, o grupo alimentação ainda segue apresentando deflação (-0,20%), porém ainda apresenta elevação superior a 10% nos últimos 12 meses (IPCA AL.).

A redução nos preços dos alimentos tem contribuído para arrefecer a inflação, mas o IPCA também tem refletido o efeito da recessão, avaliou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Tem efeito da recessão. As pessoas de fato não estão comprando. Vestuário, passagens aéreas, que estão caindo. Em vários itens podemos ver o efeito demanda, que fez com que a taxa (do IPCA) fosse contida", citou Eulina.

Segundo a pesquisadora, é possível que o IPCA de dezembro venha consideravelmente mais baixo do que no mesmo mês de 2015 (quando ficou em 0,96%), contribuindo para que a inflação encerre 2016 perto do teto da meta do governo, de 6,5%.

A inflação continua apresentando forte desaceleração, devido, por um lado, à profunda queda do gasto agregado, em decorrência da recessão enfrentada pelo país, e, por outro, pela menor pressão dos preços das matérias primas agrícolas e industriais.

O QUE ESPERAR DA INFLAÇÃO EM DEZEMBRO

A energia elétrica pode ajudar a conter o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro, a ser divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A inflação do último mês do ano deve absorver parte da redução de 11,73% nas contas de luz de uma das companhias do Rio de Janeiro, em vigor desde 7 de novembro, além do corte de 16,28% na tarifa de uma das empresas de Porto Alegre em 22 de novembro, informou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

"E ainda tem a bandeira tarifária, que tinha passado para amarela em 1º de novembro, o que implicava num acréscimo de R$ 1,50 por cada 100 kw/h consumidos, e que voltou a ser verde a partir de 1º de dezembro", lembrou Eulina.

Na direção oposta, pode pesar no IPCA o novo anúncio da Petrobras para os preços dos combustíveis nas refinarias, que desta vez foi de alta de 8,1% na gasolina e aumento de 9,5% no diesel, em vigor desde o dia 6.

Também é esperado um impacto de reajustes nos preços dos cigarros, praticados por duas empresas diferentes. No caso do ônibus urbano, a tarifa de Campo Grande pode sofrer um reajuste de 8,67%, autorizado em 5 de dezembro, mas suspenso depois por uma liminar concedida pela Justiça.

IMAGEM: Thinkstock

*Com informações de Estadão Conteúdo

Atualizado às 16h20

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