Juro mais alto tira R$ 41 bi do comércio em 12 meses
Consumo teria acelerado se o corte da taxa básica de juros tivesse sido repassado integralmente para o juros cobrados do consumidor, de acordo com estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC)

O comércio varejista poderia ter vendido R$ 41 bilhões a mais nos últimos 12 meses até abril deste ano e acelerado o consumo das famílias, o emprego e a renda, se o corte da taxa básica de juros tivesse sido repassado integralmente para o juros cobrados do consumidor, aponta um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
A taxa básica de juros, a Selic, mantida pela décima vez consecutiva em 6,5% ao ano, segundo decisão tomada esta semana pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), está no menor nível da série histórica.
A taxa básica de juros, a Selic, mantida pela décima vez consecutiva em 6,5% ao ano, segundo decisão tomada esta semana pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), está no menor nível da série histórica.
Mas esse estímulo não chegou com a mesma intensidade no consumidor, que viu os juros cair menos da metade (26%) do que a taxa básica no período.
Em outubro de 2016, os juros do crédito livre e direcionado das pessoas físicas custava 43% ao ano e recuaram para 31,7% ao ano em abril último, segundo BC.
Nas contas do economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, autor do estudo, se o repasse do corte da Selic tivesse sido integral, o consumidor estaria pagando hoje uma taxa de juros bem menor, de 26,1% ao ano. "Não é um juro para soltar foguete, mas seguramente uma situação melhor do que a atual."
O juro menor poderia baratear as compras de itens muito dependentes de crédito, como veículos, materiais de construção, móveis e eletrodomésticos.
Nas contas do economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, autor do estudo, se o repasse do corte da Selic tivesse sido integral, o consumidor estaria pagando hoje uma taxa de juros bem menor, de 26,1% ao ano. "Não é um juro para soltar foguete, mas seguramente uma situação melhor do que a atual."
O juro menor poderia baratear as compras de itens muito dependentes de crédito, como veículos, materiais de construção, móveis e eletrodomésticos.
Esses segmentos têm uma cadeia longa de produção e poderiam fazer girar mais rapidamente a roda da economia. O estudo mostra que as revendas de veículos foram as mais afetadas e deixaram de vender R$ 23 bilhões nos últimos 12 meses.
Do ponto de vista de reativação da atividade, o fato de os bancos não terem transferido integralmente o corte dos juros básicos para o consumidor é ruim, diz Bentes.
Do ponto de vista de reativação da atividade, o fato de os bancos não terem transferido integralmente o corte dos juros básicos para o consumidor é ruim, diz Bentes.
"Vazou uma receita do comércio, que é um grande gerador de emprego, para o setor financeiro, que não tem o mesmo impacto na ocupação."
LEIA MAIS: Por que juros bancários tão altos?
Segundo a Febraban, que representa os bancos, "a ideia de que a queda dos juros básicos deveria ser proporcional à Selic é equivocada".
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Segundo a Febraban, que representa os bancos, "a ideia de que a queda dos juros básicos deveria ser proporcional à Selic é equivocada".
Segundo a entidade, além do custo de captação do recurso emprestado, que é afetado diretamente pelo juro básico, há outros componentes que entram na taxa ao consumidor.
Entre eles estão a inadimplência, despesas administrativas, tributos e a margem financeira dos bancos. A Febraban alega também que, por outra métrica, a de pontos percentuais, os juros dos empréstimos com recursos livres (sem destinação específica), caíram mais que a Selic no mesmo período.

