Juro no rotativo do cartão de crédito tem queda. Mas...

...apesar da queda, o juro do crédito parcelado foi na direção contrária e subiu. A média praticada em todas as operações de crédito com o cartão também aumentou

Estadão Conteúdo
29/Mar/2017
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Juro no rotativo do cartão de crédito tem queda. Mas...

O juro médio total cobrado no rotativo do cartão de crédito caiu 5,2 pontos porcentuais de janeiro para fevereiro, informou nesta quarta-feira, 29/03, o Banco Central.

Com a alta na margem, a taxa passou de 486,7% ao ano em janeiro para 481,5% ao ano em fevereiro.

Apesar da queda, o juro do crédito parcelado foi na direção contrária e subiu. A média praticada em todas as operações de crédito com o cartão também subiu.

No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro subiu 1,6 ponto porcentual de janeiro para fevereiro, passando de 161,9% ao ano para 163,5% ao ano.

Essa é a operação que os bancos estão oferecendo como "porta de saída" do crédito rotativo para operações mais baratas. Com esse aumento visto no parcelado e, a despeito da queda no rotativo, o juro médio praticado em todas as operações de crédito no cartão subiu de 115,2% para 119,6% ao ano.

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No fim de janeiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou resolução determinando que o saldo devedor de faturas de cartão de crédito permaneça no rotativo apenas até o vencimento seguinte.

Depois disso, a dívida deverá migrar obrigatoriamente para outra modalidade de crédito, como o parcelado do cartão. O juro do rotativo é a taxa mais elevada desse segmento e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo BC, batendo até mesmo a do cheque especial.

Os bancos têm até 3 de abril para se adequarem às novas regras. A expectativa do governo e do BC é de que a mudança abra espaço para a redução dos juros cobrados dos clientes, já que boa parte do custo das taxas vem do risco de inadimplência.

CONDIÇÕES DE CRÉDITO

A nova pesquisa trimestral de condições de crédito mostra melhora em todos os segmentos pesquisados, com clara reação positiva da demanda por empréstimos entre empresas e famílias.

A reação mais pronunciada acontece no crédito habitacional para pessoas físicas, cuja demanda reagiu com força.

Realizada trimestralmente com instituições financeiras que respondem por mais de 90% do mercado de crédito no Brasil, a pesquisa divulgada nesta quarta-feira (29/03) avalia três fatores: perspectiva para a oferta, demanda e aprovação das operações. Para os três quesitos, são feitas avaliações que oscilam de -2 (cenário mais adverso) até +2 (cenário mais favorável).

No crédito habitacional para pessoa física, a demanda para os próximos três meses ficou em +0,63 - o que mostra reversão em relação aos três meses anteriores, quando o índice da demanda estava em -0,25.

A perspectiva de aprovação desses financiamentos também melhorou e passou de +0,13 para +0,38. No crédito pessoa física para o consumo, a demanda passou de -0,24 para +0,14. A perspectiva de oferta e aprovação desses empréstimos também melhorou e passou, respectivamente, de -0,05 para +0,11 e de -0,05 para +0,10.

Para as firmas, a perspectiva de demanda por crédito entre as grandes empresas passou de -0,22 nos últimos três meses para +0,22 no próximo trimestre. A perspectiva de oferta nesse segmento melhorou, mas continua negativa e passou de -0,43 para -0,13.

Para o crédito para as micro, pequenas e médias empresas, o índice da demanda passou de -0,41 para +0,09. Assim como para as grandes, o cenário para a oferta melhorou, mas ainda é negativo e passou de -0,69 para -0,44.

O chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel, explicou que a reação da demanda pode ser resultado da queda do endividamento entre empresas e famílias.

Além disso, a melhora das condições macroeconômicas e redução relativa do custo de crédito encorajam a tomada de crédito, diz o técnico do BC. Apesar dessa melhora dos indicadores de demanda, Maciel nota que a "pesquisa ainda mostra níveis ainda bastante modestos" das condições de mercado de crédito.

IMAGEM: Thinkstock

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