Juros da economia permanecem em 14,25% ao ano
Para Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp, decisão era esperada devido aos indicadores negativos da economia, como a taxa de desemprego elevada

Pela terceira vez seguida, o Banco Central (BC) não mexeu nos juros básicos da economia. Por 6 votos a 2, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve nesta quarta-feira (25/11) a taxa Selic em 14,25% ao ano. Os juros básicos estão neste nível desde o fim de julho.
Votaram pela manutenção da taxa Selic o presidente do BC, Alexandre Tombini, e os diretores Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero Meirelles, Luiz Feltrim e Otávio Damaso. Os diretores de Assuntos Internacionais, Tony Volpon, e de Organização do Sistema Financeiro, Sidnei Marques, votaram pela elevação da taxa em 0,5 ponto percentual, para 14,75% ao ano.
Com a decisão do Copom, a taxa se mantém no nível de outubro de 2006. A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A diferença desta reunião na comparação com a realizada em outubro é que a decisão dos integrantes não foi unânime. Além disso, o comitê suprimiu do comunicado a expressão de que a taxa de juros se manterá nesse patamar por um "período suficientemente prolongado" e de que a política monetária se manterá "vigilante".
Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), diz que a decisão do Copom já era esperada, tendo em vista os indicadores negativos da economia, especialmente a taxa de desemprego, que vem apresentando forte crescimento.
"O que esperamos agora é que o governo aprofunde o ajuste fiscal, para que o Banco Central comece a reduzir as taxas de juros e, assim, a economia possa voltar a se recuperar", afirma.
A manutenção dos juros básicos da economia em 14,25% ao ano foi uma decisão acertada, disse a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em nota, a entidade destacou que, mesmo com a inflação em níveis altos, não há mais espaço para aumento dos juros e que somente o compromisso do governo com o ajuste fiscal fará as taxas caírem.
“A indústria considera que, mesmo com a inflação elevada, não há espaço para um novo aumento dos juros. A elevação da taxa aprofundaria a recessão e agravaria a situação das contas públicas. A inflação elevada e resistente é resultado de pressões de custos, puxados pelo reajuste dos preços administrados e do câmbio, além das incertezas sobre a implementação e a eficácia do ajuste fiscal”, informou a entidade em comunicado.
Para a CNI, o principal desafio do país, no momento, é controlar o crescimento dos gastos públicos e assegurar resultados fiscais que permitam conter a alta da dívida pública sem aumentar tributos. A entidade cobrou ainda reformas estruturais para a recuperação da economia brasileira.
BC ESPERA MAIS INDICADORES
A manutenção da Selic nesse patamar também era esperada pelo mercado financeiro. A avaliação é a de que o Banco Central não pode fazer ajustes para cima - como dois membros do Comitê desejavam - por causa da recessão e nem pode reduzir a taxa, porque a inflação continua alta. A projeção de mercado é que o IPCA encerre este ano acima de 10%.
Para Emilio Alfieri, economista da ACSP, o Copom deve acompanhar os dados da economia neste fim de ano e aguardar a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em relação ao aumento de juros nos Estados Unidos.
“Se houver alguma mudança de trajetória importante nos indicadores será discutida na primeira reunião do próximo ano, que ocorre em janeiro”, afirma Alfieri.
No começo do próximo ano, segundo o economista, é esperado um arrefecimento da inflação, já que o efeito das altas nos preços administrados efetuadas no começo de 2015 passam a sair do cálculo do índice de preços.
Ainda assim, a expectativa do mercado é que a inflação encerre 2016 acima do teto da meta de 6,50% ao ano.
José Cláudio Securato, presidente da Saint Paul Escola de Negócios e do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (IBEF-SP), concorda. "O Banco Central parece estar aguardando mais informações sobre a economia brasileira, especialmente em relação aos preços de energia e câmbio, para ter uma projeção mais sólida para a inflação de 2016", afirma.
Para ele, o Banco Central já havia assumido que o IPCA convergiria para o centro da meta de 4,50% ao ano apenas em 2017, mas o que falta é uma comunicação mais clara da autoridade monetária para reancorar as expectativas do mercado.
"Essa comunicação deveria ser mais incisiva e mostrar que, enquanto o ajuste fiscal for postergado, o efeito será negativo sobre a inflação", conclui.
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*Com informações de Agência Brasil

