Kicaldo aposta em arroz e acelera expansão com a compra da Rosalito
Um ano após adquirir a massa falida da cerealista por R$ 35,2 milhões, tradicional marca de feijão diversifica portifólio com produção modernizada e investe em sinergia nas gôndolas para ampliar participação no varejo brasileiro

A Kicaldo, líder no mercado de feijão, inicia oficialmente suas operações no segmento de arroz um ano após adquirir a massa falida da Rosalito, em Santa Cruz do Rio Pardo (SP) e Uruguaiana (RS), por R$ 35,2 milhões. A diversificação do portfólio marca um momento estratégico de expansão e consolidação da empresa no Brasil. O lançamento dos produtos ocorreu oficialmente na Apas Show, feira do setor supermercadista realizada entre os dias 18 e 21 de maio na Capital paulista.
O arroz e o feijão são produtos tradicionalmente conhecidos por compor o prato dos consumidores brasileiros. Justamente por essa combinação tradicional, a marca decidiu investir no arroz, já que, muitas vezes, os dois produtos têm os mesmos compradores e ocupam espaços muito próximos nas gôndolas dos supermercados. Ao comprar feijão, o consumidor também acaba levando arroz, por ambos fazerem parte do prato dos brasileiros.
Além disso, Mauricio Bortolanza, diretor de Novos Negócios da Kicaldo, explicou ao Diário do Comércio que uma das estratégias da empresa é estar presente em diferentes momentos de consumo dos clientes, desde o café da manhã até o jantar.
Para acelerar a expansão desse segmento no mercado nacional, a Kicaldo realizou um processo de retrofit na antiga fábrica da Cerealista Rosalito, implementando processos de automação. Dessa forma, os trabalhadores não precisam ter contato direto com o produto, carregando menos peso e gerando mais eficiência operacional. Além disso, com as mudanças, a fábrica passa a ter condições de operar em três turnos, suportando um maior volume de demanda.
A marca inicia a diversificação do portfólio com arroz branco e parboilizado, e espera expandir para linhas premium e integrais, ampliando os SKUs até o segundo semestre de 2026. Os produtos estão disponíveis em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Sergipe e, até 2027, o novo segmento deverá estar presente em todos os estados do Brasil.
O objetivo da empresa é capturar entre 15% e 30% do market share já existente no mercado de feijão no médio e longo prazo. “Entendemos que é um mercado competitivo e que nem todo consumidor que compra feijão Kicaldo comprará arroz, mas ele pode, sim, ser um acelerador”, diz Bortolanza.
Com o consumidor indo cada vez mais aos supermercados e comprando menos, uma das estratégias adotadas pela marca são as embalagens menores, como forma de aumentar a recorrência das vendas. Segundo Bortolanza, os pacotes de arroz de 1 kg têm crescido entre os consumidores.
Sem revelar metas de faturamento para o novo segmento, Bortolanza destaca que, com a diversificação, a empresa espera ao menos recuperar todo o valor investido na compra da fábrica e em sua revitalização, de cerca de R$ 70 milhões.
O investimento no segmento de arroz acontece em um momento em que o indicador Cepea/Irga-RS registrou cotação do arroz em casca de R$ 60,66 por saca de 50 quilos, uma queda de 2,63% desde o início de maio. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção global de arroz beneficiado na safra 2026/27 deverá totalizar 537,9 milhões de toneladas, volume 0,9% inferior ao da temporada 2025/26.
Outra estimativa, da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) apontava que, nos anos 2000, o consumidor brasileiro consumia cerca de 36 kg de arroz per capita por ano. Atualmente, esse volume está entre 24 kg e 28 kg.
De acordo com Bortolanza, apesar da queda no consumo de arroz nos últimos anos, devido a fatores como o aumento das refeições fora de casa, esses produtos possuem "demanda inelástica", por fazerem parte das necessidades básicas dos consumidores.
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