Logística e transporte no Brasil

Nosso artigo de 2010 enfatizou a necessidade de aumentar substancialmente os investimentos em logística e transporte com uma visão sistêmica. Sem o investimento adequado não seremos competitivos e muito menos aumentaremos a nossa produtividade.

Josef Barat e Renato Casali Pavan
31/Out/2014
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Passados quatro anos, nada mudou, a não ser avanços proporcionados pela iniciativa privada. No seu atual estágio de desenvolvimento, a questão crucial da economia brasileira diz respeito aos seus baixos índices de produtividade e investimento, comparativamente a países mais desenvolvidos, ou mesmo alguns emergentes. A produtividade media dos fatores de produção no Brasil é muito baixa, com exceção daquelas do agronegócio e da mineração. Várias são as razões para isto: qualificação precária dos recursos humanos; escassez ou alocação deficiente do capital; uso predatório dos recursos naturais; assim como a baixa capacidade de inovação por meio da geração de conhecimento e novas tecnologias, tornando o País pouco competitivo, com baixa produtividade.

As infraestruturas de energia, informação, comunicação e em especial as de logística e transporte, são decisivas na determinação da competitividade. Sabe-se que produtividade, inovação, qualificação do fator humano e alto desempenho das infraestruturas fazem parte do perfil competitivo de um país.

No Brasil, todavia, são muito baixas a taxa de investimento em relação ao PIB, e particularmente a taxa de investimentos, também relativamente ao PIB, na recuperação, ampliação e modernização das infraestruturas de logística e transporte. Como parte da Formação Bruta de Capital Fixo, investir nessas infraestruturas (portos, aeroportos, ferrovias, rodovias e centros logísticos) é um poderoso fator de indução do crescimento econômico sustentável e continuado.

As duas tabelas que acompanham este artigo mostram a má posição do Brasil relativamente a outros países quanto às taxas citadas no parágrafo anterior. Acrescente-se que nos últimos 14 anos, a taxa de investimento em relação ao PIB oscilou entre o mínimo de 15,3% (em 2003) e o máximo de 19,5% (em 2010). Nos últimos 45 anos, a de investimentos em logística e transporte em relação ao PIB oscilou entre o mínimo de 0,12% (em 1990) e o máximo de 2,16% (em 1975) mostrando um enorme declínio persistente em proporção do PIB. Mesmo se computados os investimentos privados por meio de concessões que proporcionaram uma recuperação dos investimentos, porém em escala ainda pouco significativa em relação à magnitude das carências e gargalos nas infraestruturas.

Apesar das restrições impostas pelas baixas taxas de investimento e a estagnação econômica prolongada que assolaram o Brasil por quase três décadas, houve avanços extraordinários na incorporação de novos padrões de gestão e novas tecnologias ao processo produtivo no agronegócio, mineração e serviços. Isto resultou de um esforço continuo de empresários e trabalhadores, que não dependeu, via de regra, de planos ou iniciativas governamentais.

As infraestruturas de apoio, porém, não acompanharam este crescimento e diversificação da economia. Assim, as atividades de produzir, armazenar, escoar e distribuir ou embarcar a produção implicaram em redução da competitividade das nossas exportações e encarecimento desnecessário do consumo interno (principalmente de alimentos e insumos industriais e agrícolas).

Não há dúvida, portanto, que é inadiável a provisão de um complexo de infraestruturas integradas, com os objetivos de aumentar os níveis de competitividade em geral e melhorar as condições de movimentação da produção. Mas como atingir tal objetivo, se a disponibilidade de recursos públicos é restrita e se as políticas públicas continuam a contemplar visões fragmentadas, com ênfase nas ações voltadas para o curto prazo? É importante ressaltar, como mostra a segunda tabela, que países como a China, Índia, Rússia investem de 3 a 5% do PIB nas infraestruturas de logística e transporte, enquanto o Brasil vem investindo sistematicamente menos de 1% do PIB.

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