Maioria usou dinheiro do FGTS para pagar dívidas
Pesquisa do SPC e CNDL aponta que 38% dos trabalhadores pagaram contas em atraso ou pelo menos, parte das pendências

A maior parte dos trabalhadores que recebeu dinheiro das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) usou os valores para quitar dívidas, de acordo com a pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
O levantamento aponta que 38% pagaram dívidas em atraso e 4% usaram o dinheiro para pagar uma parte das pendências.
O dinheiro foi usado para despesas do dia a dia por 29% dos entrevistados. Já 19% optaram por poupar. Outra parcela (14%) pagou contas não atrasadas, como crediário e prestações da casa ou do carro e 13% fizeram compras.
A pesquisa, realizada em 12 capitais, também ouviu pessoas que ainda vão sacar o benefício, já que respondem por 86% do total de saques.
Entre elas, 27% pretendem quitar pendências e 28% vão regularizar ao menos parte das dívidas.
DESPESAS
Pagamento de despesas do dia a dia será o destino do dinheiro de 24% dos beneficiários e 20% planejam poupar.
Em menor percentual, apenas 4% vão comprar itens como roupas e calçados. Entre os entrevistados, 3% utilizarão o dinheiro extra para viajar e 2% querem aproveitar o recurso para compra de automóvel.
Para Honório Pinheiro, presidente da CNDL, a opção dos brasileiros pelo pagamento de dívidas é positiva para o comércio e para a economia do país, já que o crescimento da inadimplência com a crise prejudicou o planejamento do comércio e o acesso ao crédito.
A pesquisa do SPC e CNDL contradiz os resultados do estudo feito pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), que apontou que os setores de vestuário e calçados, materiais de construção, móveis e eletrodomésticos, farmácia e perfumaria capturaram R$ 2,65 bilhões ou 48% dos R$ 5,5 bilhões do FGTS.
CONSUMO
Já outro estudo feito pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostra que quase a metade do FGTS inativo foi para o consumo, e que quatro segmentos do comércio absorveram a maior parte dos recursos das contas inativas.
De acordo com a CNC, em março foram liberados R$ 5,5 bilhões do FGTS e, juntos, os setores de vestuário e calçados, materiais de construção, móveis e eletrodomésticos, farmácia e perfumaria capturaram R$ 2,65 bilhões ou 48% desse total.
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