Medida para afrouxar o crédito será 'refresco' para o Natal
Para Marcel Solimeo, economista da ACSP, bancos vão continuar seletivos nos empréstimos. Fábio Silveira, economista da GO, diz que consumo melhora com mais emprego e renda

Uma das ferramentas à disposição do governo possui para restringir ou estimular a concessão de crédito no mercado é a reserva compulsória que os bancos são compelidos a manter no Banco Central (BC).
Quando o governo quer restringir o crédito, o BC aperta a exigência, solicitando uma parcela maior de reserva. Quando quer estimular o financiamento, afrouxa a regra.
A economia está em ritmo tão lento que, neste momento, o governo acena com medidas para facilitar o crédito, uma tentativa para estimular o consumo no final do ano.
Para Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo, e Fábio Silveira, sócio-diretor da GO Associados, se concretizada, a medida para estimular a concessão e a tomada de crédito pelos consumidores será apenas um “refresco” para a economia.
“Os bancos estão bastante seletivos em relação à concessão de crédito e vão continuar assim", diz Solimeo. "O próprio consumidor não está disposto a se endividar. Quem está desempregado não tem dinheiro e, quem tem emprego, está inseguro.”
O que pode dar um gás na economia, na avaliação de Silveira, é a melhora no emprego e na renda do consumidor. Dois indicadores que pioram a cada mês.
A estimativa da equipe de economistas da GO Associados é que, neste ano, a massa real de salários cairá cerca de 3%. A taxa de desemprego deve bater em 9,5% em 2015 e 10%, em 2016.
“Medidas para expandir o crédito serão só um refresquinho para a economia, pois o calor está muito forte no Brasil”, diz Silveira.
Para que a economia volte a andar, na avaliação de Silveira, é preciso que a taxa de câmbio se estabilize e que o país consiga alcançar o superávit primário, que é a economia que o governo faz para pagamento de juros.
“Se fizer isso, o país será mais bem visto no mercado internacional", diz Silveira. "Um dos maiores problemas enfrentados pelos governos e pelas empresas é que, por conta da piora no desempenho fiscal, o custo do financiamento para o Brasil subiu. Se as empresas pagam mais juros tudo fica mais caro para o consumidor.”
Qualquer medida tomada pelo governo no sentido de estimular a economia não deverá ter efeito, na avaliação dos dois economistas. “Este vai ser um Natal morno, sem entusiasmo”, diz Silveira.
Comparado com meses anteriores, o mês de dezembro deve apresentar um resultado melhor para o comércio. Mas, na comparação com igual mês do ano passado, as lojas devem registrar queda entre 3% e 5% no faturamento real, de acordo com a avaliação de Solimeo.
“O problema não é a queda de consumo e, sim, a falta de confiança, que tem afetado toda a economia", afirma. "O governo não mostra sinais que vai corrigir o déficit estrutural. Se o consumidor não sentir coerência em relação às ações do governo para acertar as contas, essa situação não vai melhorar”.
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