MEIs lideram aberturas, mas respondem por 71% dos pequenos negócios fechados em 2026
No Congresso Nacional estão sendo construídos acordos para aumentar o limite de faturamento desses empreendedores, hoje fixado em R$ 81 mil por ano

A abertura de pequenos negócios no Brasil segue em alta, ainda com forte predominância de MEIs. No primeiro trimestre deste ano, 1,6 milhão de empreendedores abriram as portas, totalizando 24,8 milhões de CNPJs ativos, o maior volume da série histórica desde o primeiro trimestre de 2023.
Em relação ao primeiro trimestre de 2025, são 2,16 milhões de pequenos negócios a mais operando no Brasil, o que representa aumento de 9,6%. Do total de pequenos negócios ativos no país, mais da metade (53,1%) são MEIs. A participação desses empreendedores, no entanto, vem caindo em relação a trimestres de anos anteriores: 60,2% em 2023; 57,5% em 2024 e 53,4% em 2025.
Os dados são do relatório Panorama Econômico Trimestral dos Pequenos Negócios, elaborado pelo Sebrae, que examina os fluxos de abertura e fechamento e aborda indicadores de confiança e mercado de trabalho.
De acordo com o relatório, no primeiro trimestre de 2026, foram fechados 874,9 mil pequenos negócios, cerca de 126 mil a mais que no mesmo período do ano anterior, com 749,2 mil. É o maior volume registrado desde 2023.
Na comparação com o último trimestre de 2025, houve um crescimento de 33,6% nas baixas de CNPJs, sendo a maior parte de MEIs. Nos três primeiros meses de 2026, eles responderam por 71,6% dos encerramentos, enquanto as MPEs representaram 28,4%.
Atualização do teto
O futuro dos MEIs está no centro de debates no Congresso Nacional, onde estão sendo construídos acordos para aumentar o limite de faturamento, hoje fixado em R$ 81 mil por ano, e permitir a contratação de dois empregados. A correção do teto foi inserida no debate como contrapartida à redução da jornada de trabalho e ao fim da escala 6x1.
A queda da participação desses empreendedores no total de pequenos negócios é explicada no relatório do Sebrae pela expansão mais intensa das micro e pequenas empresas, além do fato dessa figura jurídica cumprir o papel de “porta de entrada” para a formalização, apresentando maior rotatividade na comparação com a MPE.
Estudo recente do próprio Sebrae, focado na sobrevivência dos negócios, reforça a tendência de redução da participação relativa dos MEIs ao longo do tempo, mesmo em um cenário de expansão total dos pequenos negócios: cerca de 65,3% dos MEIs permanecem ativos após dois anos de abertura, enquanto a taxa de sobrevivência das MPEs atinge 89,0% no mesmo período.
Distribuição
De acordo com o panorama trimestral, a região Sudeste é a que concentra o maior número de pequenos negócios. Em São Paulo, são 7,2 milhões, o que equivale a 29% do total nacional.
Na sequência aparece Minas Gerais, com participação de 10,6%, seguida do Rio de Janeiro, com 8,5%. Juntos, os três estados representam quase metade (48,1%) dos pequenos negócios do país.
Serviços lidera
O setor de serviços concentra 65% das novas empresas abertas no primeiro trimestre de 2026, somando 1 milhão de registros de CNPJ. Esse resultado, segundo o relatório, reforça a tendência da economia brasileira, fortemente baseada em atividades de serviços relacionados à publicidade, alimentação, beleza e transportes.
O comércio aparece em segundo lugar, com 19,9% de participação, seguido da indústria (7,7%), construção (6,6%) e agropecuária (0,7%).
Portas Fechadas
O setor de serviços concentra a maior parte dos fechamentos no período analisado, com 528,7 mil empresas, o que representa 60,4% do total, um percentual coerente com a forte participação do setor tanto no estoque de pequenos negócios ativos quanto nas novas aberturas.
Já o comércio registrou 213,6 mil fechamentos, o que corresponde a 24,4% do total. Os setores de indústria e construção apresentaram participações menores, com 8,4% e 6,2% dos encerramentos, respectivamente.
IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil

