Relatório da PEC 6x1 é aprovado em comissão da Câmara e segue ao plenário

Texto define redução, em duas etapas, da carga horária semanal para 40 horas, sem diminuição salarial, com dois dias de descanso. Regras complementares têm prazo de 90 dias

João Mendes, de Brasília
27/Mai/2026
  • btn-whatsapp
Relatório da PEC 6x1 é aprovado em comissão da Câmara e segue ao plenário

O relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, com nove artigos, que põe fim à escala de trabalho 6x1, foi aprovado nesta quarta-feira, 27/05, na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, com 34 votos a favor, 4 contra e votação favorável de todas as bancadas partidárias. A medida reduz, em duas etapas, a carga horária semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial.

A proposta segue para votação no plenário da Câmara. Para que seja aprovada, é necessário o apoio de pelo menos 308 dos 513 deputados em dois turnos de votação. Se aprovada, vai à tramitação no Senado. Caso promulgada, a PEC prevê a diminuição de duas horas na jornada semanal de trabalho, mudança a ser implementada no prazo de 60 dias (além da vigência dos dois dias de descanso, preferencialmente aos domingos). As duas horas restantes, para se chegar à jornada de 40 horas semanais, serão reduzidas ao final de 12 meses.

Por se tratar de uma emenda constitucional, apenas se houver consenso entre Senado e Câmara é que a PEC vai à promulgação. Caso contrário, volta à Câmara, onde a tramitação começou. A escala de trabalho ainda poderá ser definida por regulamentação em leis complementares ou por acordos e negociações coletivas de cada categoria, em prazo de 90 dias.

A aprovação do relatório na comissão se deu após embates de mais de 30 parlamentares defensores e contrários à proposta. Os apoiadores da medida, em grande maioria no debate, afirmaram que haverá aumento da produtividade, mais tempo para dedicação à família e que o avanço da tecnologia vai contribuir para que as empresas não tenham perdas com a redução da jornada.

As posições contrárias à PEC alegaram que a proposta levará ao engessamento da liberdade de negociação entre trabalhadores e empregadores, aumentará os custos de produção e os preços, que acabarão sendo pagos pelos consumidores, e elevará a informalidade.

Os deputados oposicionistas também disseram que não houve aprofundamento dos debates sobre o tema e que a redução dificultará ainda mais o processo de contratação de funcionários, agravado pelo “apagão” de mão de obra.  

Com o objetivo de pressionar os defensores da medida, o líder do PL na Câmara, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), propôs a entrada imediata da PEC, sem prazo para transição. Também pediu a redução da escala de 6x1 para 4x3. Os parlamentares apoiadores da PEC se manifestaram contrários à proposta e não aprovaram a ideia. O líder do PL informou que iria voltar com a proposta em plenário.

Apoio ao reajuste do Simples Nacional

Favorável à PEC, o deputado Júlio Lopes (PP-RJ) ressaltou que a redução da jornada de trabalho “não é uma panaceia que vai curar todas as dores dos trabalhadores brasileiros”. Ele salientou que o custo para se empregar no país é muito elevado e atacou as altas taxas de juros, que classificou como inimigo público. “Os trabalhadores terão mais direito, mas não prosperarão com esses juros. Precisamos fazer o ajuste fiscal”, reforçou.

O parlamentar também reivindicou a atualização do teto de enquadramento como microempreendedor individual (MEI), microempresa e empresa de pequeno porte. “Temos o dever de aliar a medida da redução da escala 6x1 à correção dos valores do Simples Nacional, inclusive com a adequação para que os MEIs possam contratar dois funcionários”.

A necessidade de reajuste na tabela do Simples Nacional é citada no relatório da PEC elaborado pelo deputado Léo Prates (Republicanos-BA). O documento reconhece a necessidade de eventual formulação de mecanismos de mitigação para as empresas de pequeno porte, mas sugere que uma lei complementar defina formas de contrapartida.

“Cabe à lei complementar a função de desenhar, em detalhes e após amplo debate no parlamento, a melhor configuração de um mecanismo de compensação como forma de preservar postos de trabalho existentes”, expõe o texto.

O relatório também define período de transição de até 12 meses para os contratos celebrados pela administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que envolvam emprego direto de mão de obra.

Outro ponto é que para trabalhadores com formação superior, que recebem valor igual ou acima de duas vezes e meio do teto o Regime Geral de Previdência Social (cerca de R$ 21 mil), não seja aplicada a regra das 40 horas de trabalho e dois dias de descansos semanais.

LEIA MAIS

Associações comerciais alertam Senado sobre impacto da redução da jornada nos pequenos negócios

Fim da escala 6x1: tudo o que você precisa saber sobre a proposta

 

IMAGEM: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

O Diário do Comércio permite a cópia e republicação deste conteúdo acompanhado do link original desta página.
Para mais detalhes, nosso contato é redacao@dcomercio.com.br .

 

Store in Store

Carga Pesada