Mercado espera que a Selic permaneça em 14,25% ao ano
Decisão será divulgada na quarta-feira (21/10), quando termina a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Para analistas, a recessão econômica deve conter o avanço da inflação

Certos de que o mergulho do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas do país) empurrará a inflação mais para perto do centro da meta em 2016, os 73 analistas do mercado financeiro consultados pela Agência Estado, afirmaram que a taxa Selic permanecerá em 14,25% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começou nesta terça-feira (20/10) e se encerra na quarta-feira (21/10).
A taxa deve estacionar neste patamar até o fim do ano. Quando perguntados sobre como esperam a Selic para o fim de 2015, apenas dois dos profissionais consultados acreditam que o colegiado elevará a taxa de juros na última reunião do ano.
O maior aumento na reunião do fim de 2015, de 0,50 ponto porcentual, é esperado por Luis Fernando Horta, chefe do Departamento de Economia da Kinea Investimentos. A previsão dele está atrelada à crença de que o Banco Central (BC) terá de elevar os juros ainda neste ano para conter a pressão inflacionária decorrente do nível de câmbio em R$ 4.
"Na Focus, as estimativas para o IPCA estão acima de 6,50%", disse. Na pesquisa do BC, as instituições que mais acertam as projeções já veem o IPCA em 2016 em 6,72%.
Já para 2016, a maioria dos especialistas acredita na queda do juro, pois a atividade fraca pode afetar com mais intensidade a inflação no ano que vem.
De um total de 65 instituições participantes, 47 acreditam que a taxa de juros fechará 2016 entre 11% e 13,75% ao ano. Já 17 casas estimam que a Selic ficará inalterada em 14,25%, enquanto uma espera elevação dos juros para 16%.
PRESSÃO INFLACIONÁRIA
Outro que prevê aumento do juro nominal até o fim do ano é João Paulo de Gracia Corrêa, superintendente de câmbio da SLW Corretora.
Ele trabalha com a Selic encerrando 2015 em 14,50% ao ano. Para ele, o BC deverá elevar a Selic na última reunião do ano para conter o aumento da inflação no começo do próximo ano, período em que há registros de aumentos de preços de alimentos, gastos com educação e aumento de impostos.
Horta, da Kinea, por sua vez, avalia que o rebaixamento do rating de BBB para BBB- e a manutenção da perspectiva negativa para a economia não deve mover o BC a elevar a taxa de juros no fim do ano.
"Acho que não. Nem que tivesse perdido o investment grade. As expectativas de inflação para 2016, na Focus, acima de 6,5% é que devem levar o BC a subir os juros na reunião de novembro", disse.
No entendimento de Newton Camargo Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, o BC deve manter a Selic em 14,25% ao ano até parte de 2016, pois acredita que a taxa neste nível poderá fazer com que as expectativas de inflação desacelerem, levando o IPCA para 4,50% no fim do ano que vem.
"A convergência das expectativas é que vai ser um sinal de mudança na condução da política monetária", disse.
De certa forma, Camargo Rosa acredita que o BC não está mais olhando tanto para a inflação de 2016, mas para a de 2017. Segundo ele, no ano que vem ainda haverá algum realinhamento dos preços administrados que tende a afetar a inflação daquele período. Se a CPMF voltar, disse, a pressão deve ser ainda maior. "Aí, fica difícil buscar 4,50%", afirmou.
Octavio de Barros, diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, também acha que não há razão para o BC elevar os juros por causa do rebaixamento do rating do Brasil. "Nenhuma razão para mudanças. A Fitch estava totalmente no preço", disse.
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