O lado obscuro da Black Friday: litígios envolvendo a data superam R$ 2 bi em 10 anos

Consumidores e trabalhadores moveram mais de 50 mil processos no período. O descumprimento de ofertas, erros de preço e não pagamento de horas extras estão entre as principais causas dos contenciosos

Redação DC
22/Nov/2025
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O lado obscuro da Black Friday: litígios envolvendo a data superam R$ 2 bi em 10 anos

Um estudo sobre a Black Friday realizado pela Predictus revela que a data, embora incremente as vendas das empresas, também tem forte impacto financeiro negativo resultante de processos judiciais movidos por consumidores e trabalhadores.

O levantamento analisou mais de 50,2 mil processos judiciais movidos nas esferas Comum e Trabalhista entre novembro de 2015 e setembro de 2025, todos envolvendo algum contencioso ligado à Black Friday. O custo total das condenações ultrapassa R$ 2 bilhões.

Na Justiça Comum foram analisados 6.032 processos movidos por consumidores. Entre os principais motivos das ações estão o descumprimento de ofertas, erros de preço, cancelamentos arbitrários e produtos não entregues. O descumprimento de oferta lidera as queixas, com 638 processos, seguido por erro de preço e cancelamento unilateral.

Os dados também revelam que os estados do Sudeste concentram a maior parte dos processos de consumo, com Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais respondendo por 61,39% do total.

A análise setorial aponta que o comércio varejista especializado em eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo foi o que recebeu mais processos na Justiça Comum: foram 571 no período analisado pelo estudo, 9,47% do total, seguido pelas lojas de departamento ou magazines, com 528 processos (8,75%). Os supermercados, com 411 processos (6,81%), completam o top 3. Esses três segmentos, sozinhos, responderam por 25,03% de todos os processos de consumo.

Custo trabalhista

Além dos consumidores, foi constatado pelo levantamento um grande número de ações trabalhistas resultantes da Black Friday. O estudo analisou 44.174 processos na Justiça do Trabalho movidos ao longo dos últimos 10 anos. Deste total, 37.461 (ou 84,80%) mencionam explicitamente o termo "Black Friday" nos textos das sentenças, petições iniciais ou observações. Os demais estão no contexto da data.

O não pagamento de horas extras é o principal motivo das ações, respondendo por 25,6 mil processos movidos no período. A média de horas extras por processo é de 24,96 horas, ou seja, quase uma semana adicional de trabalho que o funcionário considerou não remunerada adequadamente.

Assim como na Justiça Comum, na Justiça do Trabalho o comércio varejista especializado em eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo é o que mais recebeu processos no período, um total de 3.323 (ou 7,52% do total). O segmento é seguido pelas lojas de departamento ou magazines, com 3.319 processos (7,51%) e pelo comércio varejista de outros produtos não especificados anteriormente, com 3.180 processos (7,20%). Esses três segmentos, sozinhos, responderam por 22,23% de todos os processos trabalhistas.

Os vendedores e operadores de caixa são os que mais entram com ações, com mais de 14 mil processos relacionados às suas funções. A pressão por resultados durante o evento, que exige alta produtividade em um curto período, é apontada como a principal causa dos problemas trabalhistas.

São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro lideram o número de ações na Justiça do Trabalho, concentrando quase 60% dos casos.

Custo financeiro

O impacto financeiro das ações judiciais é expressivo. Na Justiça Comum, o valor total das condenações foi de R$ 8,4 milhões, com um valor médio de R$ 1.400 por processo.

Já na Justiça do Trabalho, as condenações somaram R$ 1,2 bilhão, com um valor médio de R$ 27.433 por processo.

 

IMAGEM: Freepik

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