O turismo brasileiro e o de SP se destacam cada vez mais em todas as cadeias produtivas do pais
O consumidor turista da atualidade, cada vez mais, será um cliente global, exigente, conhecedor dos seus direitos, questionador, negociador e portador de um grande poder influenciador, e é para ele que todos os esforços devem ser dirigidos para não se desperdiçar tempo nem recursos

No princípio, o turismo era um bem de consumo supérfluo, uma atividade quase proibitiva, cara, de luxo ou sem necessidade, porque era considerado um gasto desnecessário, um privilégio para poucos. Necessário quando eram viagens de religião, de visita a destinos sagrados, ou de tratamentos de saúde, em balneários de águas termais com propriedades especiais ou climas adequados para a cura de certas enfermidades.
Com o passar do tempo, foi se transformando em hábito regular de descontração, eliminação de stress e mudança de ares para compensar a rotina cansativa do trabalho entre outros motivos. Nesse cenário, eram privilegiadas as estâncias climáticas e hidrominerais. O comércio nesses lugares era pacato e sazonal, com poucas lojas com produtos de conveniência, artesanatos típicos, alguns hotéis e pensões e atrações básicas.
Através do tempo, se fortaleceu e se transformou no principal vetor da economia. Surgiram as festas típicas, parques temáticos, inúmeras modalidades de turismo. E tudo isso alavancou o desenvolvimento, gerando milhões de empregos, profissões especializadas, consciência ambiental e sustentável, aproveitamento máximo dos recursos naturais e se tornou impulsionador do desenvolvimento no Brasil e no restante do mundo.
Segundo o World Travel & Tourism Council (WTTC), a economia do turismo no Brasil ocupou o 12º lugar no mundo em 2025 com US$ 168 bilhões de recursos gerados. No ano de 1971 foi criada, em São Paulo, a primeira faculdade de turismo do mundo. Na época, a Espanha possuía apenas um curso técnico — o que evidencia o pioneirismo do Brasil na área.
Naquele período, o turismo era considerado um bem de consumo supérfluo: as viagens se concentravam basicamente em destinos de praia ou montanha, com períodos de alta e baixa temporada bem definidos.
Hoje, esse cenário mudou profundamente. Os atrativos e destinos se diversificaram e abrangem modalidades como turismo de esportes, natureza, negócios, eventos e saúde, entre muitos outros, refletindo a evolução e a ampliação do setor ao longo das décadas.
O Brasil, e em especial o estado de São Paulo, tem apresentado crescimento contínuo ano após ano. Atualmente, é o maior destino receptor e emissor de turistas, com fluxos constantes vindos do exterior, da América Latina e de diversas regiões do país. Este ano, receberemos mais de 2 milhões de turistas internacionais, e registraremos mais de 46 milhões de viagens dentro do estado.
A taxa de ocupação hoteleira vem crescendo desde o período pós-covid, alcançando índices superiores a 68% ao ano. Além disso, São Paulo abriga três dos maiores aeroportos do país: Guarulhos, Congonhas e Viracopos, que estão se modernizando constantemente.
Os três principais desafios da atualidade para suportar o crescimento que vem sendo sinalizado são:
1) Talentos humanos: enquanto a agricultura se mecaniza e a indústria se robotiza, o turismo enfrenta o desafio de manter um perfil de trabalho essencialmente operacional, baseado em atendimento e hospitalidade presencial, disponível “24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano”. Esse modelo tem dificultado a atração de jovens para a área, tornando a formação e retenção de mão de obra qualificada um dos grandes desafios atuais do setor. A Organização Mundial do Turismo (OMT) prevê em 2030 que um em cada dez trabalhadores estarão no setor;
2) Legais: As políticas públicas deveriam concentrar-se mais na valorização das atrações turísticas e na facilitação do acesso aos mercados, tornando o ambiente regulatório mais favorável ao desenvolvimento do setor;
3) Infraestrutura: O estado de São Paulo possui a maior infraestrutura turística do país. Conta com o Porto de Santos, mais de 10 mil km de rios navegáveis com apoio de marinas, além de programas claros de fomento e desenvolvimento da cadeia produtiva. A Desenvolve São Paulo e a Investur têm desempenhado um papel importante ao viabilizar projetos por meio de linhas de crédito incentivadas, estimulando constantemente novos investimentos.
Na verdade, o crescimento exige competência, estratégia, preparo estrutural, investimento, muita criatividade e sabedoria.
O consumidor turista da atualidade, cada vez mais daqui por diante, será um cliente global, exigente, conhecedor dos seus direitos, questionador, negociador e portador de um grande poder influenciador; somente ele é capaz de dar as informações que vão garantir o sucesso de cada empreendimento, e é para ele que todos os esforços devem ser dirigidos para não se desperdiçar tempo nem recursos nos investimentos e empreendimentos.
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IMAGEM: Prefeitura de SP

