Operação contra pirataria fecha 2 mil lojas em shoppings do Brás

Mercadorias apreendidas no Shopping 25 e no Stunt totalizam R$ 300 milhões, segundo estimativa da Receita Federal. Alobrás diz que ação protege confecção local e estimula a criação de produtos originais nacionais

Mariana Missiaggia
18/Mai/2026
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Operação contra pirataria fecha 2 mil lojas em shoppings do Brás

Uma megaoperação da Receita Federal interditou nesta segunda-feira, 18/05, dois shoppings no Brás, no Centro de São Paulo, em busca de produtos falsificados. O Shopping 25 Brás e o Stunt ficarão fechados por pelo menos duas semanas para que os auditores possam averiguar se há mercadorias em situação irregular. A expectativa do órgão é que o valor dos itens apreendidos chegue a R$ 300 milhões.

A estimativa é que 2 mil lojas e boxes tenham sido afetados no cerco contra o comércio ilegal de eletrônicos, cigarros eletrônicos e, principalmente, réplicas de camisas de seleções para a Copa do Mundo de 2026. O foco, segundo a Receita Federal, são mercadorias estrangeiras que foram introduzidas em território nacional sem o devido controle aduaneiro, o que configura crime de contrabando ou descaminho. A operação, que contou com 95 servidores, foi batizada de “Desvio de Rota”.

Embora o fechamento das portas acenda um alerta sobre o faturamento do maior polo de moda do país às vésperas de um grande evento esportivo, lideranças do setor enxergam a fiscalização como um motor necessário para a virada de chave da economia local.

Em entrevista ao Diário do Comércio, Lauro Pimenta, diretor da Associação de Lojistas do Brás (Alobrás), defendeu que o combate rigoroso à contrafação é o único caminho viável para devolver a competitividade aos produtores locais em uma região que é conhecida pelas galerias e shoppings populares, com milhares de lojistas.

"Ações como essa acabam fortalecendo a indústria nacional. Quando estamos em um ambiente com tanta pirataria, competindo com cópias absolutamente idênticas de produtos de marcas tradicionais, a indústria brasileira perde competitividade — e o caso da Copa do Mundo ilustra isso perfeitamente", pontuou Pimenta.

De acordo com a Receita, a região do Brás é atualmente um dos principais polos de comércio de mercadorias irregulares, “fruto de contrabando, descaminho e falsificação”. Em nota, o órgão afirmou que as mercadorias vendidas no local abastecem todo o Brasil. “Além do aspecto fiscal, há também reflexos em outros crimes, como lavagem de dinheiro, corrupção, trabalho escravo e danos à saúde pública”, informou.

Para a Alobrás, o esvaziamento das araras de produtos falsificados pode abrir espaço para o que o Brás tem de melhor: o design próprio e a velocidade de produção. De acordo com Pimenta, o mercado regulado obriga o lojista a sair da zona de conforto das réplicas e a apostar no desenvolvimento de uma identidade visual própria. Ele argumenta que a loja que não tiver  produto ilegal e nem partir para a réplica, conseguirá desenvolver linhas com as cores do Brasil e de outros times, mas sem copiar os modelos originais e sem usar as marcas dos grandes conglomerados esportivos.

"É nesse cenário que a criatividade ganha força. O Brás tem muito a oferecer em termos de modelos e produtos voltados para o consumidor que quer torcer, mas não faz questão de ostentar uma peça idêntica à das multinacionais. Para que a indústria nacional se desenvolva e concorra de maneira positiva, manter o mercado regulado e fiscalizado é fundamental."

Apesar do tom firme em defesa da legalidade, a associação reconhece o drama dos comerciantes formais instalados nos centros de compras lacrados. Como estimam que os espaços fiquem fechados para triagem de estoque por pelo menos duas semanas, eles precisam de alternativas para um período longo sem giro diário de caixa.

Pimenta, no entanto, ressaltou que há canais de diálogo abertos para mitigar os danos de quem opera na legalidade. E diz esperar que os lojistas formalizados que trabalham com emissão regular de notas fiscais tenham respaldo da Receita Federal para retomar suas atividades o quanto antes.

"Aqueles que estão formalizados, mesmo dentro dos ambientes que foram fechados hoje, podem contar com o suporte técnico. Existe uma cúpula da Receita Federal que saberá orientar quem trabalha de forma correta e vende com nota fiscal. Esse alinhamento é essencial para ajudá-los a comprovar a origem das mercadorias e a reaver os estoques de maneira mais rápida", concluiu.

 

IMAGEM: divulgação

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