Para BC, inflação estourou por causa da alta de energia e dólar
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini (foto), afirmou que a instituição tem "a taxa básica de juros" (a Selic) e que este é o instrumento que utilizará para conduzir o IPCA à meta
O estouro do teto da meta de inflação em 2015 está relacionado com o reajuste dos preços administrados, como a energia elétrica, e a desvalorização do real em relação ao dólar.
A justificativa está em carta aberta divulgada pelo Banco Central nesta sexta-feira (08/01) ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. A meta de inflação é de 4,5%, com tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.
Pela primeira vez, a carta é divulgada no mesmo dia em que os números da inflação são conhecidos - o IPCA de 2015 ficou em 10,67%.
Por lei, toda vez que o IPCA rompe a banda de tolerância da meta de inflação, o presidente da autoridade monetária é obrigado a prestar explicações.
De acordo com o BC, os administrados responderam por 4,91 pontos percentuais do IPCA e os preços livres, por 2,97 pontos. No documento, o BC ainda cita que o último semestre do ano também foi impactado por novos reajustes dos preços administrados.
Já o câmbio representou 1,57 ponto porcentual da inflação do ano passado e, de acordo com o BC, aumentou significativamente no último trimestre de 2015, diante das incertezas com a economia.
A autoridade também pondera que a mudança da trajetória fiscal afetou as projeções para o IPCA.
A alta dos combustíveis e a elevação do dólar frente o real também foram apontados como vilões pelo BC a partir da segunda metade do ano passado. "O último semestre de 2015 também foi comprometido pelos efeitos de novos ajustes nos preços administrados, advindos, principalmente, da variação nos preços dos combustíveis, e pelo repasse da desvalorização cambial observada ao longo do ano", diz um trecho da carta.
CULPA
Depois de a inflação do ano encerrar 2015 em 10,67%, bem acima do teto da meta, e o Banco Central se ver obrigado a divulgar uma carta aberta explicando os motivos por não ter cumprido sua missão, a instituição dividiu parte da culpa com o Ministério da Fazenda e o restante do governo.
No documento que traz as explicações da autoridade monetária para um IPCA tão elevado, a instituição afirma que a mudança na trajetória da política fiscal afetou as projeções para a inflação e para os preços dos ativos e gerou impactos na avaliação sobre a economia e sobre a confiança dos agentes.
Segundo o BC, as mudanças na política fiscal contribuíram "para a deterioração das avaliações sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo e da confiança dos agentes econômicos".
A instituição pondera que as expectativas, no final de 2014, apontavam para um cenário positivo, com queda nas expectativas para a inflação suavizada 12 meses a frente. Esse movimento durou até o fim de agosto, "coincidindo com eventos negativos, do ponto de vista das expectativas de inflação, relacionados à definição da política fiscal".
O documento diz ainda que a piora das expectativas a partir da segunda metade do ano passado é consistente com o segundo movimento de desvalorização cambial observado em agosto e setembro, seguido de outro episódio de volatilidade ao final do ano.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta sexta-feira, (08/01), em rápida entrevista exibida no Jornal Nacional, da TV Globo, que a instituição tem "a taxa básica de juros" (a Selic) e que este é o instrumento que utilizará para conduzir a inflação à meta.
Oficialmente, o governo tem indicado que o controle da inflação é prioridade e que o esforço é para que o centro da meta estabelecida seja alcançado até o fim de 2017.
FAZENDA SE COMPROMETE A CONTRIBUIR NO COMBATE À INFLAÇÃO
Após o anúncio de que o IPCA de 2015 bateu 10,67%, o Ministério da Fazenda afirmou em nota que "contribuirá no combate à inflação mediante a adoção de ações para o reequilíbrio fiscal e para o aumento da produtividade da economia".
A pasta disse ainda que "o controle à inflação é uma prioridade do governo, e o Banco Central do Brasil está empenhado em adotar as medidas necessárias para alcançar o centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional até o final de 2017".
O comunicado da Fazenda saiu poucos minutos após o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, enviar carta aberta ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, por descumprir a meta de inflação, que estabelece um teto de 6,5%.
A nota da Fazenda, no entanto, não faz nenhuma menção direta à carta do BC. E de acordo com a assessoria de imprensa do ministério, nenhum pronunciamento sobre o carta será divulgado.
FOTO: Agência Brasil
Atualizado às 21h30

