Para BC, velocidade da queda da inflação é incerta
Índices de preços registraram inflação acima das expectativas no último trimestre, em intensidade inferior ao padrão sazonal, enfatiza relatório do Banco Central

O Banco Central reconhece que há processo de desinflação em curso no Brasil, mas observa que o movimento não tem sido linear e a velocidade desse movimento ainda parece incerta.
"A evolução dos preços evidencia processo de desinflação em curso", cita o Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta terça (27/09).
"Os índices de preços, embora desacelerassem no trimestre encerrado em agosto, registraram inflação acima das expectativas para o período, refletindo arrefecimento de preços em intensidade inferior ao padrão sazonal. A despeito desse comportamento recente, as perspectivas são de continuidade do processo de desinflação nos próximos trimestres", menciona o documento, ao lembrar que as previsões do mercado coletadas pela pesquisa Focus também mostram essa desaceleração dos preços.
Apesar de reconhecer o processo, o Relatório menciona que a "a velocidade de desinflação permanece incerta".
Nesse processo, o BC destaca "a continuidade do arrefecimento da inflação de alimentos, a dissipação dos efeitos de reajustes do grupo educação e a queda dos preços de itens influenciados pelas Olimpíadas devem favorecer a desaceleração da inflação ao consumidor".
LEIA MAIS: Serviços ainda pressionam a inflação
Sobre os alimentos, o BC ressalta que "a desaceleração dos preços do subgrupo alimentação no domicílio foi inferior ao padrão sazonal, repercutindo efeitos remanescentes do El Niño sobre a oferta de produtos agropecuários, especialmente cereais e leite e derivados".
EMPREGO
O mercado de trabalho brasileiro continua em processo de distensão, com taxa de desocupação crescente, segundo avaliação do Banco Central. Em boxe do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado na manhã desta terça-feira, 27, o BC destaca que a população ocupada e os rendimentos reais estão em declínio.
Segundo o BC, o recuo da população ocupada conjugado com o crescimento da força de trabalho a taxas superiores às do crescimento da população em idade de trabalhar resultou em expressivo crescimento no número de desempregados, que atingiu 11,8 milhões de pessoas no trimestre encerrado em julho de 2016, ante 8,6 milhões em julho de 2015.
O recuo do emprego ocorreu na maior parte das categorias de trabalhadores, concentrando-se na de empregados do setor privado com carteira assinada.
Na avaliação do BC, o recuo do emprego com carteira assinada concomitante ao aumento do trabalho por conta própria sugere ter havido um processo de migração de trabalhadores do primeiro grupo para o segundo.
Para o BC, os dados confirmam que há uma mudança na estrutura ocupacional do mercado de trabalho no período recente, com empregados com carteira migrando para a categoria de trabalhadores por conta própria.
A análise mostrou também aumentos dos fluxos líquidos de empregados com e sem carteira e, mais recentemente, de trabalhadores por conta própria, para a categoria de desocupados.
Além disso, segundo o BC, a quantidade de desocupados tem apresentado crescimento devido ao aumento do fluxo líquido de pessoas que se encontravam fora da força de trabalho.

