Preços na porta de fábrica sobem 0,09% em março
A taxa, que mede a evolução dos preços ao produtor, ficou positiva em 2,85% no acumulado de 12 meses

O Índice de Preços ao Produtor (IPP), que inclui preços da indústria extrativa e de transformação, registrou alta de 0,09% em março, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 27.
A taxa de fevereiro foi revisada de uma queda de 0,43% para recuo de 0,45%.
O IPP mede a evolução dos preços de produtos na "porta da fábrica", sem impostos e fretes, da indústria extrativa e de 23 setores da indústria de transformação.
Com o resultado agora divulgado, o IPP de indústrias de transformação e extrativa acumulou recuo de 0,05% no ano. A taxa em 12 meses ficou positiva em 2,85%.
Considerando apenas a indústria extrativa, houve aumento de 3,44% em março, após queda de 5,06% em fevereiro, afirma o IBGE. Já a indústria de transformação registrou redução de 0,03% no IPP de março, ante recuo de 0,27% em fevereiro.
BENS DE CAPITAL
Os bens de capital ficaram 0,80% mais caros na porta de fábrica em março.
O resultado foi o mais alto entre as categorias de uso, após os preços terem ficado 0,27% menores em fevereiro. Os bens intermediários subiram 0,32% em março, ante uma queda de 0,37% no mês anterior.
Já os preços dos bens de consumo recuaram 0,44%, após queda de 0,61% em fevereiro. Dentro dos bens de consumo, os bens duráveis tiveram elevação de 0,37%, após uma estabilidade no mês anterior. Os bens de consumo semiduráveis e não duráveis recuaram 0,69%, ante queda de 0,79% em fevereiro.
A alta de 0,09% do IPP em março teve contribuição de 0,07 ponto porcentual de bens de capital; 0,18 ponto porcentual de bens intermediários e -0,16 ponto porcentual de bens de consumo.
No âmbito dos bens de consumo, -0,19 ponto porcentual foi resultado da queda de preços observada nos bens de consumo semiduráveis e não duráveis e 0,03 ponto porcentual dos bens de consumo duráveis.
VALORIZAÇÃO DO DÓLAR
A valorização do dólar ajudou a pressionar a inflação da indústria em março, junto com os aumentos nos preços do minério de ferro e dos produtos químicos, segundo Alexandre Brandão, gerente do Índice de Preços ao Produtor (IPP) no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O IPP saiu de um recuo de 0,45% em fevereiro para alta de 0,09% em março. O real teve desvalorização de 0,8% em relação ao dólar no período.
"No mês de março houve depreciação do real. Então os produtos dolarizados, como aviões, fumo, celulose, podem ter refletido uma pressão do câmbio. Mas foram 17 setores que tiveram aumento de preços em março, contra 10 atividades com aumentos no mês anterior, então não é só por causa do dólar", disse Brandão.
O pesquisador do IBGE lembra que as indústrias extrativas tiveram um avanço de 3,44% em março, impulsionadas pelo minério de ferro, que encarece também os produtos de atividades às quais serve de insumo, como a metalurgia.
"A variação de preços do minério de ferro tem sido muito elevada. Isso pressiona o setor extrativo, mas também outros setores em que ele é matéria-prima", confirmou Brandão. Na metalurgia, a alta de preços foi de 1,40% em março.
Outro setor sob influência é o de veículos, com crescimento de 0,07% no mês. "Automóveis têm um aumento pequeno de preços, devido à entrada de novos produtos, ora numa montadora, ora em outra. E obviamente tem o impacto de custo, por causa do minério de ferro", afirmou o gerente do IPP.
A atividade de outros produtos químicos também teve forte impacto positivo para o IPP de março, com alta de 1,69%, puxado por reajustes de itens que têm como insumo a nafta, negociada no mercado internacional.
Embora os aumentos tenham sido mais disseminados em março, dois setores importantes da indústria brasileira registraram recuos e impediram uma alta maior na porta de fábrica: alimentos, com queda de 0,77%, e refino de petróleo e produtos de álcool, com redução de 3,25%.
"Esses dois setores são setores grandes, que juntos pesam quase 32% do IPP. Eles estão com variação negativa. Então um aumento maior de preços não ocorreu realmente porque esses dois seguraram uma alta maior", concluiu Brandão.
No caso de alimentos, houve impacto da safra recorde de soja e da queima de estoques de açúcar cristal com as perspectiva de entrada da nova safra de cana. No refino, gasolina e diesel ficaram mais baratos com o repasse para o mercado interno da queda na cotação do petróleo no mercado externo.
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