Prévia do IPCA acumula alta de 9,42% até novembro

Somente em novembro, o índice ficou em 0,85%, puxado pelo aumento de preços da gasolina e do álcool, de acordo com o IBGE

Estadão Conteúdo
19/Nov/2015
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Prévia do IPCA acumula alta de 9,42% até novembro

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,85% em novembro, após subir 0,66% em outubro, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se do maior resultado para o mês desde 2010 (0,86%).

O dado deste mês ficou dentro do intervalo de estimativas dos analistas do mercado financeiro, que esperavam inflação entre 0,64% e 1,06%, e levemente abaixo da mediana, positiva em 0,87%.

Com o resultado anunciado nesta quinta (19/11), o índice acumula alta de 9,42% nos 11 meses do ano, o maior resultado para o período em toda a série do IPCA-15, iniciada em maio de 2000. Já em 12 meses até novembro de 2015, o avanço chega a 10,28%, o mais elevado desde novembro de 2003 (12,69%).

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Os combustíveis foram responsáveis, sozinhos, por 0,30 ponto porcentual da alta de 0,85% no IPCA-15 de novembro. O item registrou avanço de 5,89% e levou o grupo Transportes a acelerar a 1,45% neste mês, segundo o IBGE.

A alta de combustíveis é explicada pelo etanol e pela gasolina. De acordo com o IBGE, a gasolina ficou 4,70% mais cara, ainda reflexo do reajuste de 6% praticado nas refinarias desde o dia 30 de setembro. Com isso, o item adicionou sozinho 0,18 ponto porcentual ao índice. Entre outubro e novembro, a gasolina subiu 6,48%.

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Já o etanol subiu 12,53%, o que adicionou 0,11 ponto porcentual ao IPCA-15 de novembro. A aceleração da infação de transportes ainda é explicada pelas tarifas dos ônibus urbanos, que ficaram 0,76% mais caras, tendo em vista as variações registradas em Belo Horizonte (5,77%), com o reajuste de 9,68% que voltou a ser aplicado em 25 de outubro; Brasília (5,26%), onde as tarifas foram reajustadas em 33,34% desde 20 de setembro; e Fortaleza (2,92%), cujo reajuste de 14,58% passou a vigorar em 07 de novembro.

CONTA DE LUZ

Ainda de acordo com o IBGE, a energia elétrica teve alta de 0,95% em novembro, em razão dos aumentos de 2,32% nas contas do Rio de Janeiro (onde o reajuste de 16,00% nas tarifas de uma das concessionárias que abastecem a região metropolitana passou a vigorar a partir de 07 de novembro) e de 0,79% em São Paulo (complemento do reajuste de 15,50%, vigente nas tarifas de uma das concessionárias desde 23 de outubro).

Além da energia elétrica, outros itens foram destaque no grupo Habitação: condomínio (1,34%), artigos de limpeza (1,23%) e botijão de gás (0,89%). Ainda assim, o grupo Habitação desacelerou de 1,15% em outubro para 0,74%.

GRUPOS

A aceleração do IPCA-15, de 0,66% em outubro para 0,85% em novembro, foi acompanhada por cinco dos nove grupos pesquisados pelo IBGE. Sozinhos, transportes e alimentação responderam por 0,53 ponto porcentual, ou 62% do resultado do mês.

De acordo com o órgão, o grupo transportes acelerou de 0,80% em outubro para 1,45% este mês, muito influenciado pela alta de combustíveis e por reajustes em tarifas de ônibus. Já o grupo alimentação e bebidas (de 0,62% para 1,05%) foi pressionado pelos itens adquiridos pelas famílias para consumo em casa.

Além disso, ganharam força os grupos saúde e cuidados pessoais (de 0,55% para 0,66%), diante das altas de 1,21% nos itens de higiene pessoal e de 1,06% no plano de saúde e comunicação (de 0,08% para 1,04%), devido ao aumento de 1,54% em gastos com telefonia fixa e ao avanço de 1,85% nas despesas com celular. Também acelerou o grupo vestuário (de 0,58% para 0,72%).

Por outro lado, o grupo habitação (de 1,15% para 0,74%) perdeu força, a despeito de pressões vindas da energia elétrica, do condomínio e do gás de botijão. As despesas pessoais (de 0,56% para 0,37%) também subiram menos, ainda que tenham ficado mais caros cabeleireiro (1,02%) e serviços bancários (0,73%).

Também desaceleraram os grupos artigos de residência (de 0,12% para 0,07%) e educação (de 0,17% para 0,03%).

REGIÕES

A inflação nos últimos 12 meses já ultrapassa os dois dígitos em seis das 11 regiões investigadas pelo IBGE no âmbito IPCA-15. Na média brasileira, o resultado chegou a 10,28%, o maior desde novembro de 2003.

De acordo com o órgão, a inflação em Curitiba é a mais elevada, com alta de 11,88% nos últimos 12 meses. A região é seguida por Goiânia (11,28%), São Paulo (10,67%), Rio de Janeiro (10,67%), Porto Alegre (10,65%) e Fortaleza (10,53%).

Outras quatro regiões têm inflação na casa dos 9%: Recife (9,43%), Brasília (9,35%), Belém (9,18%) e Salvador (9,11%). Já a região metropolitana de Belo Horizonte é a que sente o avanço de preços menos intenso, de 8,84%, nos últimos 12 meses.

*Foto: Jonne Roriz/Estadão Conteúdo

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