'Problemas não vão desaparecer como em um passe de mágica'

Para Nelson Barbosa, ministro da Fazenda, a inflação deve desacelerar mais fortemente entre março e abril em função da queda no preço da energia elétrica

Estadão Conteúdo
18/Mar/2016
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'Problemas não vão desaparecer como em um passe de mágica'

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou nesta sexta-feira (18/03), em evento da revista Carta Capital, que os problemas econômicos brasileiros não vão "desaparecer como um passe de mágica, com uma solução política extremada", em uma aparente menção à possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

De acordo com ele, o Brasil vive um cenário conturbado, mas a melhora na situação econômica ajudará a situação política, e vice-versa.

"Hoje, as incertezas políticas atrasam a recuperação da economia. Temos desafios, independentemente de preferências, ideologias e escolhas. Temos de ser capazes de ter um diálogo civilizado. Um debate público no qual todo mundo grita e ninguém ouve, não leva a lugar nenhum. Propostas extremas, para um lado e outro, não são sustentáveis e não vão resolver os problemas."

Barbosa lembrou que as soluções para os problemas estruturais brasileiros serão necessárias "em qualquer cenário".

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Ele lembrou que agora o governo conta com colaboração do ex-presidente Lula, "que é um negociador exímio em vários aspectos", para construir soluções políticas e econômicas.

O ministro afirmou que a democracia brasileira resolveu o problema da inflação elevada, resolveu o problema do endividamento externo e promoveu inclusão social.

"Tenho confiança de que a democracia brasileira vai ser capaz de promover um diálogo civilizado para resolver os problemas atuais e concretizar o potencial que temos de crescer mais, com redução da desigualdade".

Em um discurso mais alinhado com o PT, o ministro fez questão de ressaltar que "o objetivo final de qualquer política econômica é sempre melhorar as condições de vida da população. O resto é instrumento."

URGÊNCIA

Barbosa afirmou que é preciso conciliar medidas de curto prazo para estabilizar a economia com ações de longo prazo para reforçar o compromisso do governo com a estabilidade fiscal e o combate à inflação.

"Temos atuado com a urgência que a situação pede, mas também com serenidade."

"Precisamos de um programa de estabilização da economia, mas com uma reforma fiscal para que essa estabilização seja duradora. Já tivemos recentemente no governo a experiência de adoção de medidas de estímulo. O país cresceu um ano e depois desacelerou. Precisamos de bases duradouras para um novo ciclo de crescimento".

Para ele, a redução das expectativas de crescimento afeta as projeções de arrecadação e obriga famílias, empresas e governo a ajustarem seus orçamentos. Isso acaba gerando uma pressão por liquidez e por isso o governo lançou em janeiro um pacote de ações para estimular o crédito, que pode liberar até R$ 83 bilhões.

"Isso será feito sem injeção de dinheiro novo por parte da União, sem gasto para equalizar juros, sem custo adicional aos contribuintes."

De acordo com Barbosa, a inflação deve desacelerar mais fortemente entre março e abril, em função, dentre outros fatores, da queda no preço da energia elétrica, em meio à revisão no sistema de bandeiras tarifárias. A partir de abril, entra em vigor a cor verde, o que implica em fim de cobrança extra.

Para ele, a expectativa é que, a partir de abril, a economia como um todo entre em uma trajetória de estabilização.

CRÉDITO

O ministro da Fazenda disse que a pasta está estudando com o Banco Central novas medidas relacionadas ao esforço do governo para aumentar a oferta de crédito.

"Conversamos com o BC, vemos necessidade de novas medidas e, se necessárias, vamos tomá-las."

De acordo com ele, não há ainda uma decisão formada, mas sim várias ideias de assistência à liquidez com a utilização do compulsório. Barbosa afirmou, no entanto, que isso deve ser feito com cuidado, porque simplesmente baixar o compulsório não assegura que os recursos chegarão "na ponta".

"Já houve casos em que o BC baixou o compulsório de manhã e teve que recolher no fim do dia com operações compromissadas, que é uma coisa que aumenta a dívida pública do governo", disse ele, acrescentando que essa é uma questão mais de regulação do que de liquidez e tem relação com a forma como são registrados e administrados esses créditos.

DÍVIDAS DOS ESTADOS

Barbosa afirmou que o governo deve anunciar na próxima segunda-feira (21/03) os detalhes da proposta de alongamento de dívidas de Estados com a União, em reunião conjunta com os 27 governadores.

De acordo com ele, diversos Estados vivem problemas de caixa e muitas vezes acabam recorrendo a soluções locais e isoladas que podem "gerar problemas sistêmicos, por isso a União resolveu entrar no jogo".

O ministro deixou claro que o alívio de caixa que a União está dando exigirá como compensação a adoção de medidas fiscais pelos Estados, sobretudo relacionadas com a folha de pagamento e a previdência dos servidores.

"Isso é preciso para que (o alívio) resulte em uma situação mais sólida no futuro."

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Foto: Estadão Conteúdo

 

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