Produção industrial avança na maioria dos Estados
A produção da indústria cresceu em 12 dos 15 locais pesquisados no primeiro trimestre de 2017 pelo IBGE, em comparação ao mesmo período do ano passado

A produção industrial avançou em 12 dos 15 locais pesquisados no primeiro trimestre de 2017, em relação ao mesmo período de 2016, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física Regional, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os avanços mais acentuados foram registrados em Goiás (6,6%), Santa Catarina (5,2%), Rio de Janeiro (4,8%), Paraná (4,6%), Pernambuco (4,2%), Espírito Santo (4,0%) e Minas Gerais (3,6%). Também houve crescimento no Rio Grande do Sul (1,9%), Amazonas (1,3%), Pará (0,6%), Mato Grosso (0,4%) e São Paulo (0,1%) no fechamento do primeiro trimestre do ano.
Segundo o IBGE, o resultado positivo foi impulsionado, sobretudo, pela expansão na fabricação de bens de capital voltados para o setor agrícola e para a construção; de bens intermediários como minérios de ferro, petróleo, celulose, siderurgia, autopeças e derivados da extração da soja; de bens de consumo duráveis como automóveis e eletrodomésticos; e de bens de consumo semiduráveis e não duráveis como carnes de aves, bebidas, produtos têxteis e vestuário.
Na direção oposta, a Bahia (-8,3%) teve o recuo mais elevado no trimestre, puxado pelos setores de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (óleo diesel, óleos combustíveis e naftas para petroquímica) e de metalurgia (barras, perfis e vergalhões de cobre e de ligas de cobre). Os demais resultados negativos foram na Região Nordeste (-2,5%) e Ceará (-2,2%). Na média da indústria, houve avanço de 0,6% ante o primeiro trimestre de 2016.
SÃO PAULO
Após um recuo de 1,7% na produção registrado em março ante fevereiro, o parque industrial paulista já opera 26,2% abaixo do pico registrado em março de 2011.
A indústria de São Paulo trabalha atualmente no mesmo patamar de outubro de 2003, ou seja, 15 anos atrás. O Estado responde por cerca de um terço da produção do País.
"A indústria de São Paulo ameaçou que se recuperaria até julho de 2016, mas voltou a recuar até março deste ano", lembrou Rodrigo Lobo, analista da Coordenação de Indústria do IBGE.
Segundo ele, o ensaio de retomada foi frustrado como reflexo do enfraquecimento industrial local e da ausência de demanda, devido a fatores conjunturais que se sobressaem ao corte na taxa básica de juros e ao arrefecimento da inflação.
"A queda na taxa de juros não foi repassada para as pessoas que tomam crédito. As taxas permanecem elevadas. O desemprego permanece negativo, a massa salarial como um todo permanece deprimida", apontou Lobo.
"Tem uma conjuntura que impede um movimento mais consistente da evolução da produção industrial. São lampejos apenas", completou.
O mau desempenho de São Paulo é preocupante por conta da diversificação do parque industrial local. A indústria paulista possui 18 atividades com pesos equilibrados, nenhuma capaz de puxar sozinha uma recuperação, como ocorre nos locais investigados em que houve avanço em março, lembrou Lobo.
"Como não há nenhuma atividade de destaque, a indústria paulista reflete uma lógica de estagnação econômica. Há taxas positivas muito incipientes, não há conjuntura ainda clara favorável para justificar uma recuperação da indústria paulista", avaliou o pesquisador do IBGE.
No primeiro trimestre, São Paulo teve ligeiro avanço de 0,1% ante o mesmo trimestre do ano passado, devido ao crescimento de dez atividades, mas recuo de outros oito setores. Os principais impactos positivos foram dos setores de automóveis, equipamentos de informática e máquinas e equipamentos.
Em março, a indústria paulista teve aumento de 0,9% na produção ante o mesmo mês de 2016. No mesmo período, outros sete locais pelo País registraram avanços.
"É muito mais em função de uma base baixa do que em função de uma melhoria conjuntural da economia brasileira ou da indústria como um todo", disse Lobo. "Não é difícil crescer quando a gente compara com base muito deprimida", concluiu.
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