Produção industrial cresce, mas desempenho ainda preocupa

Análise da Associação Comercial de São Paulo descreve como pontual a expansão da indústria, e insuficiente para reverter a trajetória de queda do setor em 2016

Redação DC
03/Mai/2016
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Produção industrial cresce, mas desempenho ainda preocupa

A produção industrial brasileira voltou a crescer, fechando março com alta de 1,4% frente a fevereiro, quando havia registrado retração de 2,7% sobre dezembro de 2015, na série com ajuste sazonal. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 3/05, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já na comparação com março do ano anterior, o total da indústria registrou queda acumulada de 11,4%. 

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Com o resultado de março, a produção industrial fechou os primeiros três meses de 2016 com queda acumulada de 11,7%. 
Já a taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses, caiu 9,7% em março, a retração mais intensa desde a queda de 10,3% de outubro de 2009, mantendo uma trajetória descendente iniciada em março de 2014 (2,1%).

De acordo com análise do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), apesar da situação da indústria continuar crítica, “alguns de seus  ramos começam a esboçar sinais de reação, principalmente aqueles ligados às vendas externas.” 

Segundo o instituto, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) de abril mostram alta de 6,9% na exportação de semimanufaturados (placas de  cobre, ferro fundido, açúcar em bruto, ouro e madeira serrada).  

“Além disso, começa a ser percebido um início de redução dos estoques de alguns setores  importantes. Essa recuperação, incipiente e pontual, ainda será insuficiente para  reverter a trajetória de queda do setor em 2016, podendo, contudo, atenuá-la em relação ao ano passado”, traz a análise da ACSP.
     
RESULTADOS NEGATIVOS

A queda de 11,4% na produção industrial brasileira em março, na comparação com março de 2015, tem, segundo o IBGE, perfil generalizado de resultados negativos, alcançando as quatro grandes categorias econômicas, 22 dos 26 ramos, 65 dos 79 grupos e 75,5% dos 805 produtos pesquisados.

Entre as atividades, as maiores influências para esta queda foram as de veículos automotores, reboques e carrocerias (-23,8%), e indústrias extrativas (-16,6%).

Segundo o IBGE, outras contribuições negativas relevantes sobre o total nacional vieram de máquinas e equipamentos (-17,8%), metalurgia (-14,4%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e óticos (-31,1%), e produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (-5,8%).

Na outra ponta, aparecem como destaques positivos, ainda na comparação março 2015/março 2016,  atividades de produtos do fumo, com crescimento de 17,4%, e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (2,7%).

Já entre as grandes categorias de uso, na mesma base de comparação, bens de capital, com queda de 24,5%, e bens de consumo duráveis (-24,3%) tiveram os recuos mais acentuados, uma vez que os setores produtores de bens intermediários (-10,9%) e de bens de consumo semi e não duráveis (-3,8%), mesmo fechando negativamente, acusaram resultados abaixo da retração média global da indústria de março, que foi de -11,4%.

Mesmo tendo crescido 1,4% de fevereiro para março deste ano, a produção industrial também mostrou perfil generalizado de desaceleração no primeiro trimestre do ano. 

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

A receita líquida total do setor de máquinas e equipamentos fechou o mês de março em R$ 6,245 bilhões, segundo balanço da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

O valor é 12,3% maior que a receita líquida total apurada em fevereiro. Na comparação com março do ano passado houve uma queda de 32,6%. 

No acumulado do ano até março, a receita líquida total do setor caiu 30,9% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O consumo aparente em março atingiu R$ 8,549 bilhões, valor 5,7% maior que o apurado em fevereiro. Na comparação com março do ano passado, o consumo aparente recuou 36,2% e no acumulado do ano recuou 30%.

Ainda segundo da Abimaq, as exportações de máquinas e equipamentos em março somaram US$ 824,6 milhões. O valor é 41,4% superior o valor embarcado em fevereiro. 

Na comparação com março do ano passado, as exportações de máquinas e equipamentos caíram 9% e no acumulado do ano, a queda foi de 5%.

As importações somaram em março US$ 1,269 bilhão, uma queda de 18,7% na comparação com fevereiro. No confronto com março do ano passado, a queda chegou a 32,2% e no acumulado do ano até março houve uma queda de 30,9% na comparação com igual período do ano passado.

*com Agências

IMAGEM: thinkstock

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