Produção industrial paulista sofre violenta queda, segundo o IBGE

São Paulo apresentou recuo de 13,7% em maio, o segundo pior desempenho do Brasil, de acordo com o IBGE

Estadão Conteúdo
10/Jul/2015
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Produção industrial paulista sofre violenta queda, segundo o IBGE

O mês de maio não foi um bom período para a indústria. De acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta sexta-feira (10), o setor teve queda em 13 dos 15 estados consultados – já descontados os efeitos sazonais – em relação ao mesmo periodo do ano anterior. 

Em São Paulo, o baixo desempenho foi causado principalmente pelo enfraquecimento nos segmentos de produtos alimentícios, veículos automotores, máquinas e equipamentos (principalmente máquinas para o setor de celulose) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (com destaque para telefones celulares, computadores e monitores de vídeos).

A queda é a mais intensa desde abril de 2009, quando o recuo foi de 14,3%.

Pela primeira vez na história da pesquisa, iniciada em 2002, todas as 18 atividades industriais do Estado apresentaram queda de forma simultânea. 

"O que mais impressiona ainda é a sequência de 15 quedas (na comparação interanual). Ou seja, a produção está caindo sobre um mês em que ela já caiu", afirmou Rodrigo Lobo, pesquisador da Coordenação de Indústria do IBGE. 

A queda vertiginosa dos paulistas só não foi maior do que a do Ceará (-13,9%). Outros estados também tiverem desempenho abaixo de zero: Amazonas (-13,7%), Rio Grande do Sul (13,3%), Paraná (-10,1%), Santa Catarina (-9,9%), (-7,2%), Pernambuco (-6,2%), Bahia (-5,5%), Mato Grosso (-4,9%), Goiás (-3,4%) e Rio de Janeiro (-2,0%).

Somente o Espírito Santo (14,1%) e Pará (2,6%) apresentaram avanços no período, impulsionados, em grande parte, pelo comportamento positivo dos setores extrativos. 

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SETOR ESBOÇA REAÇÃO 

Ao comparar os números de maio com o desempenho do mês anterior, a produção industrial brasileira cresceu em nove estados investigados pelo IBGE – mas ainda está longe de recuperar o terreno perdido nos últimos meses. 

A média nacional de crescimento foi de 0,6%. Em São Paulo, maior parque industrial do País, houve melhora de 0,5% no período. Os avanços mais intensos foram registrados no Ceará (3,6%), que eliminou parte do recuo de 10,1% acumulado entre março e abril; Amazonas (2,6%), que recuperou parte da queda de 4,8% no mês anterior; Pernambuco (1,4%), que interrompeu uma sequência de três taxas negativas; e Minas Gerais (1,3%), que compensou parte da perda de 5,8% assinalada entre fevereiro e abril.

Santa Catarina (0,7%), Espírito Santo (0,6%), Paraná (0,3%) e Rio de Janeiro (0,2%) completaram o conjunto de locais com índices positivos em maio ante abril. 

Por outro lado, Região Nordeste (-2,2%), Rio Grande do Sul (-1,6%) e Pará (-1,5%) assinalaram as perdas mais elevadas, enquanto Bahia (-1,0%) e Goiás (-0,6%) apontaram reduções mais moderadas. 

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PESSIMISMO PARA 2015

Na quinta-feira (9), portanto, antes da divulgação dos dados industriais pelo IBGE, o Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a reduzir a previsão de crescimento do Brasil.  

A projeção é que o Produto Interno Bruto (PIB) do país tenha queda de 1,5% em 2015. A estimativa é pior do que a divulgada em abril, quando se previa um encolhimento de 1% este ano. De acordo com um relatório divulgado pelo Fundo, o Brasil teve um dos maiores cortes nas projeções entre os principais países emergentes. 

Além de a recessão ser maior do que era previsto, o FMI espera que a recuperação do Brasil em 2016 seja mais fraca. A estimativa é que o PIB avance 0,7%, abaixo da alta de 1% prevista no relatório divulgado em abril. 

O documento divulgado na quinta-feira não traz mais comentários sobre o Brasil, além das previsões para o PIB. Mas em relatórios anteriores, os técnicos do FMI apontavam a piora da confiança de empresários e consumidores como um dos fatores que explicam o fraco desempenho da atividade. Além disso, citavam os reflexos do escândalo de corrupção na Petrobrás na atividade econômica, com a própria petroleira cortando gastos e as construtoras envolvidas nas investigações Lava Jato paralisando operações.

Os economistas brasileiros, de acordo com o boletim Focus, que reúne as estimativas de mais de 100 instituições financeiras, também preveem queda de 1,5% no PIB este ano e alta de 0,5% em 2016. 

FOTO: Estadão Conteúdo

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