Projeção para inflação cai para 6,49% neste ano

Pela primeira vez, em 2016, a expectativa dos economistas está dentro da margem perseguida pelo Banco Central. A projeção do PIB para 2017 também recuou de 0,70% para 0,58%

Estadão Conteúdo
19/Dez/2016
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Projeção para inflação cai para 6,49% neste ano

Os economistas do mercado financeiro alteraram levemente suas projeções para a inflação neste ano.

O Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira (19/12), mostra que a estimativa para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o índice oficial de inflação) em 2016 passou de 6,52% para 6,49%. Há um mês, estava em 6,80%. Já o índice para o ano que vem permaneceu em 4,90%. Há quatro semanas, apontava 4,93%.

Esta é a primeira vez, neste ano, que os economistas projetam uma inflação para 2016 dentro da margem perseguida pelo Banco Central.

O centro da meta de inflação é de 4,5%, mas a margem de tolerância é de 2 pontos porcentuais (IPCA até 6,5%). Para 2017, o centro da meta também é de 4,5%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual (até 6,0%).

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para este ano caiu de 6,49% para 6,48%.

Na prática, isso significa que estas casas também enxergam uma inflação dentro da margem já em 2016. Para 2017, a estimativa foi de 4,55% para 5,52%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 6,79% e 4,81%.

No útimo dia 9 de dezembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação de novembro ficou em 0,18% - abaixo das expectativas do mercado e da taxa de 0,26% de outubro.

O resultado reforçou a percepção de que o Comitê de Política Monetária (Copom), em sua reunião de janeiro, vai acelerar os cortes da Selic (a taxa básica de juros), atualmente em 13,75% ao ano.

O próprio BC já havia passado indicações neste sentido ao publicar a ata do encontro do fim de novembro do comitê. No início de dezembro, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmou que um corte maior dos juros pode ser "o primeiro passo no ano que vem".

PIB

A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 seguiu em retração de 3,48%. Há um mês, a perspectiva era de recuo de 3,40%.

O resultado, na visão de alguns economistas, reforçou a expectativa de que a economia volte a crescer apenas em 2017. Em comunicações recentes, o próprio BC citou uma atividade econômica "aquém do esperado no curto prazo".

Para 2017, porém, o Focus mostra que a percepção piorou. O mercado prevê para o país um crescimento de 0,58% no próximo ano, abaixo do 0,70% projetado uma semana antes. Há um mês, a expectativa era de 1,00%.

Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, "está cada vez mais claro que a retomada da economia ocorrerá". Segundo o ministro, "a expectativa é que o Brasil já trabalhe com um crescimento no primeiro trimestre de 2017", como afirmou após participar de evento da Receita Federal, na Ilha Fiscal, no Rio.

Ele admite que "o crescimento médio do ano está, de fato, num patamar baixo", o que, em sua opinião, explica a revisão do PIB de 2017 por analistas de mercado.

"O mercado está revisando um pouquinho para baixo, mas é muito em função dessa queda pronunciada do PIB neste ano. Essas publicações de PIB são uma média de 2017 contra a média de 2016, e como 2016 caiu muito, quando começa o crescimento em 2017, começa sobre uma base mais baixa", afirmou o ministro, complementando que a previsão para o último trimestre de 2017, comparada a igual período deste ano, é que o PIB cresça 2%.

"Portanto isso é o que vai ser percebido, em outras palavras, pela população brasileira, a melhora na margem, a melhora trimestre a trimestre, chegando ao final do ano já com um crescimento importante", disse Meirelles.

SELIC

Os economistas do mercado financeiro mantiveram a expectativa para a taxa básica de juros no fim de 2017. A mediana das previsões para a Selic no final do próximo ano seguiu em 10,50% ao ano. Há um mês, estava em 10,75%.

O BC passou indicações no início de dezembro, por meio da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) e de declarações do presidente da instituição, Ilan Goldfajn, de que o ritmo de cortes da Selic pode aumentar em janeiro de 2017.

No relatório Focus desta segunda, a Selic média de 2017 seguiu em 11,63% ao ano. Há um mês, a mediana da taxa média projetada para o próximo ano era de 11,67%.

PREVISÃO PARA 2018 

A abertura dos dados do Relatório de Mercado Focus mostra que os economistas voltaram a projetar uma Selic (a taxa básica de juros) em apenas um dígito, mas apenas em meados de 2018. Conforme os números, a taxa básica, hoje em 13,75% ao ano, sofrerá cortes até atingir 9,88% em junho de 2018.

Na prática, este porcentual de 9,88%, que representa a mediana do conjunto de previsões do mercado, indica que há uma divisão das estimativas, entre taxa de 9,75% e 10,00% para junho de 2018.

A última vez em que a Selic esteve em um dígito foi entre outubro e novembro de 2013, ainda no primeiro governo Dilma Rousseff, quando a taxa foi fixada em 9,50%.

CÂMBIO 

O Relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,38 no encerramento de 2016, ante R$ 3,39 de uma semana antes. Há um mês, estava em R$ 3,30. O câmbio médio de 2016 permaneceu em R$ 3,46, ante R$ 3,45 de um mês antes.

Para o fim de 2017, a estimativa para o câmbio passou de R$ 3,45 para R$ 3,49 de uma divulgação para a outra, ante R$ 3,40 de um mês antes. Já o câmbio médio de 2017 foi de R$ 3,41 para R$ 3,42 - e estava em R$ 3,36 um mês atrás.

FOTO: Thinkstock

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