Propostas para o turismo brasileiro
Retomo questões tratadas no meu artigo de 2010, pois não houve maiores avanços. No Brasil, as atividades turísticas preponderam nas regiões mais desenvolvidas, mas, em termos relativos, no Nordeste correspondem a 6,5% do seu PIB, enquanto no Sudeste a apenas 1,8%.
Assim, também contribuem para a redução das desigualdades regionais. Em relação ao emprego, as elas respondem por 6% do emprego total do País, segundo o IBGE. O turismo pode também contribuir para a geração de divisas. Mas, não é o caso do Brasil, onde o turismo depende do mercado interno.
Tal situação decorre da força desse mercado e da localização do País, distante dos principais emissores mundiais. O Brasil responde por apenas 0,6% dos gastos totais do turismo mundial, segundo a Organização Mundial do Turismo. O turismo doméstico, além dos benefícios que propicia, gera externalidades para a sustentação do turismo internacional. O crescimento do turismo no País requer que sejam estabelecidas estratégias diferenciadas para cada uma de suas regiões.
As possibilidades de crescimento do turismo internacional no Brasil dependem, de um lado, do desempenho econômico de seus países fronteiriços, inclusive com o uso de instrumentos do tipo câmbio e preços, e, de outro, para os países localizados mais distantes, da valorização de seus atrativos únicos, da melhoria da infraestrutura, dos serviços de apoio ao turismo e, principalmente, de uma agressiva política de comercialização e promoção. No período recente estes aspectos requeridos não foram muito contemplados pela política do governo federal quanto ao turismo.
Variações cambiais acarretam significativos impactos na conta Viagens Internacionais, com mais intensidade no lado das despesas. Dados recentes mostram a gravidade do problema no saldo da conta Turismo como um todo: em 2013 os brasileiros gastaram fora do país U$ 18,0 bilhões a mais do que os estrangeiros aqui, um déficit recorde, conforme o Banco Central.
Do lado das receitas, apenas os países limítrofes respondem às variações do câmbio e dos preços relativos. Para os demais emissores, o crescimento de suas receitas exige ações mais agressivas na comercialização e adequadamente programadas para cada tipo de merca- do. Estas ações ainda não foram totalmente implementadas pela descontinuidade na gestão deste setor da economia.
A concepção reconhecida é a de que a importância do turismo é determinada pelo significado do mercado internacional. No Brasil, o turismo interno é o maior da renda do setor. O valor estimado do turismo interno é cerca de 9 vezes superior ao do internacional. Uma avaliação da baixa participação do turismo internacional pode ser obtida pela relação receitas do turismo /exportação. Na média dos países oscila entre 6% e 7%; no Brasil, é de apenas 2,7%(2013). Seguem-se algumas recomendações.
Há muito o turismo brasileiro vem se constituindo em desafio para que seja alcançado seu potencial de crescimento. A ocorrência dos megaeventos – Copa do Mundo e Olimpíadas – poderia ajudar, mas seus efeitos podem ser apenas momentâneos. Mas, até o momento, as ações não foram bem sucedidas. Um dos problemas é a descontinuidade de gestão. Assim, algumas das propostas a seguir elencadas precisam dessa continuidade para alcançar os resultados desejados:
1) Instalação de postos de comercialização e pesquisas de avaliação, juntamente com a ampliação das operações e serviços das companhias aéreas: o desconhecido, amplificado pelas distancias e a falta de informações mais realistas, dificultam a escolha do Brasil como destinação, especialmente para viagens de lazer. Tais iniciativas contribuiriam para superar a natural resistência e diminuir o grau de insegurança na decisão, se primeira vez, de escolher o Brasil como destino de uma próxima viagem.
2) Ênfase no mercado interno e em estratégias regionais: em condições naturais do mercado, o turismo brasileiro manteve a base de seu crescimento no mercado interno, sem que tenham sido estabelecidas estratégias específicas por região e para a conquista de maior par- cela do mercado externo.
3) Programas para reduzir distorções da sazonalidade: o custo do turismo é agravado pela ociosidade sazonal no uso de seus equipamentos e serviços. As iniciativas para a obtenção de maior regularidade na sua utilização têm sido primordialmente do setor privado, mas, há ainda, muito espaço para isso, em particular ampliando programas turísticos para a população da terceira idade, especialmente pela tendência do aumento significativo da idade média da população brasileira.
4) Taxa de câmbio e ajustes contábeis dos gastos com cartão de crédito: nos últimos anos, a valorização do real vem prejudicando seriamente o turismo no Brasil, porque incentiva a saída de brasileiros para o exterior, tanto pelo menor custo das viagens como das compras no exterior. Além disso, os gastos com cartão de crédito para as compras no exterior, mesmo que não presenciais, são debitadas na conta do turismo. É preciso retomar as discussões de políticas especiais para o dólar turismo e para ajustes na contabilização de gastos com cartão de crédito.

