Protestos eclodem em diversas cidades brasileiras

Transcorreram com tranquilidade em Brasília, no Rio e em outras capitais do país, as manifestações convocadas por organizações contrárias ao governo com apoio de partidos de oposição

Redação DC
16/Ago/2015
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Protestos eclodem em diversas cidades brasileiras

* Atualizado ás 21h53

Na cidade de São Paulo, os protestos reuniram 350 mil pessoas na Avenida Paulista, segundo a Polícia Militar. No Estado todo foram 465 mil manifestantes. O número da Paulista é referente ao horário de maior concentração de pessoas, que foi às 16h. Já a manifestação em frente ao Instituto Lula contou com a presença de 600 pessoas, segundo a PM.

A advogada Beatriz Kicis, de 52 anos, administradora do movimento Revoltados Online, disse que há motivos de sobra para pedir o impeachment da presidente Dilma. "Houve omissão nos casos da Petrobras e do BNDES. E há as pedaladas fiscais", disse. Moradora de Brasília, Beatriz veio a São Paulo só para participar do ato. O economista Paulo Melo, de 52 anos, disse que não sabe ainda qual é o presidente ideal para o País, mas que o primeiro passo é tirar o PT do poder. "Vai surgir o presidente ideal na hora certa."

Já um dos coordenadores nacionais do Movimento Brasil Livre (MBL), Fernando Holiday, garantiu que o caminhão do grupo que interdita a Avenida Paulista não abrigará discursos de políticos. "Faremos discursos somente de membros do movimento. Hoje a principal bandeira é o impeachment da presidente Dilma Rousseff", explicou.

O senador José Serra (PSDB-SP) chegou por volta das 16 horas à Avenida Paulista, região central de São Paulo, e deu uma volta em torno do carro de som do movimento Vem Pra Rua. Foi muito assediado e teve o nome conclamado pelos ativistas. "A manifestação é uma demonstração de impaciência. As pessoas ficam muito contentes de me ver aqui. Quase a totalidade são meus eleitores. A manifestação é pacífica, sem governo ou sindicato por trás. Nas manifestações antigas, eu me lembro, tinha governo, sindicato, patrocínio. Eu me lembro. Hoje, não tem. Não tem partido. É um imenso grau de espontaneidade", exaltou.

Um panfleto com o título "Olavo tem razão", em referência ao filósofo Olavo de Carvalho, é distribuído aos manifestantes. "Descubra toda a verdade por trás do marxismo cultural e da nefasta degradação moral da cultura brasileira lendo estes livros", aponta o texto, que indica obras como a do filósofo Luiz Felipe Pondé (Guia Politicamente Incorreto da Filosofia) e o economista Rodrigo Constantino (Esquerda Caviar).

Em meio aos protestos contra a presidente Dilma e o PT, há cartazes em pontos de ônibus da avenida, colados por militantes do Partido da Causa Operária na noite de sábado com os dizeres "Abaixo o Golpe, Impeachment não". Alguns foram arrancados e pichados por manifestantes que querem a saída da presidente. Outros levaram às ruas hoje faixas dizendo "Fica Dilma" e "Não ao Golpismo".

Poucos políticos locais e alguns líderes sindicais participaram dos protestos em Bauru, interior de São Paulo, que terminou por volta das 11h30. A manifestação foi a menor das três realizadas em Bauru; em 15 de março foram 12 mil pessoas; e 12 de abril, 7 mil. Nenhuma ocorrência grave foi registrada, segundo o serviço do Copom da PM.

Hoje, os organizadores dos protestos usaram a Marcha da Família, uma passeata promovida pela Igreja Católica, para engrossar a manifestação. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 4 mil pessoas participaram dos protestos, mas em determinado trecho da passeata, que saiu às 9h30 da avenida Getúlio Vargas, a multidão triplicou para 12 mil pessoas. Isso porque os manifestantes se juntaram com outras 8 mil pessoas que participavam da Marcha da Família e faziam o mesmo percurso pela avenida. No entanto, o grupo se separou na praça Portugal, onde os manifestantes se concentraram e discursaram pedindo o impeachment e a renúncia da presidente Dilma Rousseff, e apoio às operações da Lava Jato.

RIO DE JANEIRO

No Rio de Janeiro, depois de cinco horas de caminhada pela orla de Copacabana, os manifestantes encerrraram o ato cantando o Hino Nacional e também rezando o Pai Nosso. A caminhada foi acompanhada por cinco carros de som por cerca de dois quilômetros, sob sol escaldante.

Os discursos, no Rio, variavam nos carros de som, mas a maioria dos cartazes e faixas pedia o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Em alguns momentos, as declarações eram contraditórias. Enquanto em um carro de som, as palavras de ordem hostilizavam alguns meios de comunicação, em outro era feita a defesa da liberdade de imprensa. No meio da multidão, um cidadão gritou: "Viva a democracia, Lula 2018" e, sob vaias e xingamentos, precisou ser escoltado por policiais militares.

Houve ainda manifestantes a favor da intervenção militar e, até mesmo, contrários ao aborto. A estudante Viviane Picorelli, integrante do movimento “Deixai vir os pequeninos”, se juntou à manifestação  para pedir que o aborto não seja legalizado. "O governo da Dilma, representado pela esquerda, é o que mais tem promovido o aborto no nosso país", declarou.

O caldeireiro Julio Peres carregava a faixa "Intervenção constitucional já!". Para ele, somente os militares podem repor a ordem no país. "Há uma inversão de valores e querem implantar o comunismo aqui. Com a intervenção, todos os Poderes vão cair e seis meses depois chamamos novas eleições", defendeu.

O editor de imagens, João Santolin, não defende o impeachment nem a intervenção. Ex-eleitor do PT, ele diz que veio para a rua manifestar sua insatisfação com o governo. "Não concordo com tudo o que é falado aqui, mas não dá mais para continuar assim. Falta justiça neste país e neste governo", disse.

A atriz Regina Duarte participou do protesto contra a presidente Dilma Rousseff na praia de Copacabana, zona sul do Rio. Ela publicou em seu perfil na rede Instagram fotos do ato. Em uma das imagens, Regina tira uma selfie em cima de uma árvore vestindo uma camisa e um boné amarelos e óculos escuros.

BRASÍLIA

Em Brasília, vestidos com as cores verde e amarelo, os manifestantes deram início à concentração em frente ao Museu da República, na Esplanada dos Ministérios, por volta das. A manifestação ocorreu pela manhã e terminou por volta das 12h30 em frente ao Congresso Nacional. Os participantes saíram do Museu da República e, em frente à Catedral de Brasília, fizeram uma pausa e rezaram, de mãos dadas, o Pai Nosso. Depois, seguiram para o gramado do Congresso onde estenderam faixas e entoaram gritos de “Fora Dilma” e “Fora PT”.

"Nosso objetivo é dar voz à população. Abrimos espaço para as pessoas se manifestarem e uma das coisas que elas querem é a saída de Dilma, seja por impeachment, renúncia ou cassação”, disse o coordenador do Movimento Vem pra Rua em Brasília, Jailton Almeida.

O casal Marília Feitosa e Carlos Jacobino, 32 e 35 anos, trouxe os três filhos para a manifestação. A ideia, segundo os pais, é que as crianças aprendam desde cedo a reivindicar seus direitos. "O Brasil que queremos para nossos filhos é um país sem corrupção, com educação de qualidade. Um país ético", disse Marília Feitosa.

BELO HORIZONTE

Terminou por volta das 13h45 a manifestação contra o governo Dilma Rousseff na capital mineira. O protesto começou às 9h30 na Praça da Liberdade e, após a aparição do senador Aécio Neves (PSDB), seguiu para a praça da Savassi.
A Polícia Militar chegou a apurar uma participação, no momento de pico, de 10 mil pessoas. Mas há pouco, conforme a assessoria da corporação, o número foi retificado para 6 mil pessoas. 
A quantidade é bem menor do que a estimada no protesto anterior, de abril, quando a PM contou 25 mil pessoas no momento de pico. Para os organizadores do evento de hoje, porém, compareceram mais de 40 mil pessoas.

Para o representante do movimento Patriotas, Adrian Paz, a participação de Aécio hoje foi no sentido de ter alguém do Congresso representando o povo. "Em um país democrático, a única forma de agir é via Congresso. O Aécio é um senador da consciência da direita. Não importa o partido, precisamos de um político que nos represente, que leve nossa voz ao governo", disse a jornalistas.
Kim Kataguiri, um dos líderes do Movimento Brasil Livre, além de pedir o Fora Dilma, diz que outro grande alvo do dia é o senador Renan Calheiros, presidente do Senado. "Vamos pressionar para desfazer esse acordo do Renan com o governo". O ativista ironizou o fato do senador Aécio Neves, presidente do PSDB, ter subido em um carro do MBL em Belo Horizonte.
"Aécio subiu no nosso caminhão em Belo Horizonte. Como pode? Xingamos tanto ele... O MBL fez criticas ao PSDB nas redes sociais depois que o partido recuou da estratégia do impeachment. "O TSE pode demorar anos, o TCU está se arrastando. O impeachment é mais rápido", disse.

Kataguiri disse que espera reunir hoje um milhão de pessoas em todo o Brasil. "Nossa projeção é de que seja maior que o último, mas menor que a primeira manifestação do ano", destacou.

BELÉM

Cerca de 10 mil pessoas, segundo os organizadores, e 4 mil, de acordo com a Polícia Militar, percorriam as ruas centrais da capital paraense na manhã deste domingo em protesto contra o governo da presidente Dilma Rousseff. Organizada por movimentos como "Vem pra Rua", "Revoltados Online" e "Movimento Brasil Livre", a manifestação começou às 8h, na Escadinha da Estação, às margens da Baía do Guajará. Com 680 homens nas ruas para garantir a segurança dos protestos, a PM não registrou nenhum incidente. Por volta das 11h20, a caminhada atingia a avenida Visconde de Souza Franco. Em vários cartazes, levados pelos manifestantes, aparecem inscrições como "fora corruptos", "fora Dilma" e "prisão para Lula". Há protestos em outras seis grandes cidades paraenses.

SANTA CATARINA

Para reivindicar o impeachment da presidente Dilma Rousseff, manifestantes tomam neste momento a principal avenida de Florianópolis, a Beira-Mar Norte. A Polícia Militar (PM) estima que 20 mil manifestantes integrem o movimento na capital de Santa Catarina, mas os números oficiais serão divulgados apenas ao término do ato.

Moradores de outras 22 cidades do Estado foram às ruas com faixas e cartazes que citam os escândalos de corrupção na Petrobras, as prisões da Operação Lava Jato, o aumento da inflação e o ajuste fiscal. A maior manifestação no interior catarinense foi em Chapecó, no oeste do Estado, que reuniu 5 mil pessoas nesta manhã.

Os protestos foram organizados por três grupos, o Movimento Brasil Livre (MBL), o Vem pra Rua e os Revoltados On-Line. Em cima do carro de som do MBL, na capital, está o senador Paulo Bauer (PSDB-SC). A passeata segue sem conflitos para a sede do Tribunal de Justiça (TJ), na Beira-Mar Norte. Diferente da de 15 de março, quando uma chuva forte atrapalhou a manifestação, neste domingo, 16, há sol e temperatura alta.

PARANÁ

A manifestação contra o governo federal e que pedia o impeachment da presidente Dilma Rousseff reuniu 60 mil pessoas, em Curitiba, segundo a Polícia Militar e também a organização. Esse número deve subir quando forem divulgados os números das outras 21 cidades no interior do estado que também organizaram manifestos.

Essa foi a terceira manifestação na capital paranaense, a primeira reuniu 80 mil pessoas segundo a PM e 100 mil pelos organizadores, já a segunda teve 40 mil segundo a PM e 60 mil pela organização

O protesto - que durou duas horas e meia - foi promovido pelas redes sociais e iniciou às 14 horas, dominou a área central da capital e teve quatro carros de som que também pediam apoio popular por meio de assinaturas às "10 medidas contra a corrupção", espécie de cartilha lançada pelo Ministério Público e que pode virar um projeto de lei.

Sobre o número de participantes, o coordenador da Central de Manifestações, Ricardo Izidorio, disse que ele ficou um pouco abaixo da expectativa. Ele acredita que exista um pouco de conformismo. "Nós acreditamos que há um certo conformismo de quem não acredita mais no Brasil, mas o número mostra evolução de massa crítica que não vai retroceder. Neste antagonismo vence a democracia que vai amadurecendo", disse.

* Com Agências

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