Queda do PIB no trimestre será fundo do poço, diz Illan Goldfajn

Para o economista-chefe do Itaú Unibanco, a inflação corrente dará algum "alívio relevante" nos próximos dois meses

Estadão Conteúdo
19/Ago/2015
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Queda do PIB no trimestre será fundo do poço, diz Illan Goldfajn

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, acredita que o Banco Central manterá a taxa básica de juros estável em 14,25% ao ano até o segundo semestre de 2016. O BC só agirá, continuando a elevar a Selic, diz ele, se houver um overshooting cambial (valorização excessiva do câmbio).

"Minha interpretação da ata do Copom é a de que a contingência hoje está quase toda concentrada na taxa de câmbio. Se subir além de R$ 3,50, daí vão ter de considerar", diz.

O economista concorda com a análise do BC de que o repasse do dólar para os preços atualmente está menor do que no passado. "O repasse é menor, mas não é zero", afirma. Pelo modelo do Itaú, esse pass-through (aumento dos preços internos) é de 7% ante 5% apontados pelo BC. "Não é muito, mas dá impacto."

Goldfajn prevê que a queda do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano será o fundo do poço em termos de magnitude, mas ele acredita que a tendência de retração continuará nos meses seguintes. Hoje, o BC divulgou queda de 0,58% do IBC-Br em junho ante maio e o PIBIU do banco recuou 1,1% no mesmo período.

"O segundo trimestre é o fundo do poço, mas as quedas vão continuar no terceiro. Sem dúvida, porém, esta foi a pior queda", diz. Segundo ele, câmbio já está próximo do ponto de equilíbrio.

"Vejo que as sementes do crescimento futuro estão plantadas", diz Goldfajn, citando, além do novo patamar do real, o realinhamento de preços administrados e a "desalavancagem" da economia, com a redução das dívidas por parte das empresas e também do governo, como resultado do ajuste fiscal em curso. "Tudo isso, invariavelmente, levará a crescimento futuro. Mas ainda não será em 2016", afirma ele, que foi diretor do Banco Central de 1999 ao início de 2003.

O economista considera que a hipótese de se trabalhar com um resultado primário de zero passou a ser um número positivo. "Nos próximos dois anos, vamos ver (a relação) dívida/PIB crescendo", diz, informando que sua projeção para essa relação em 2017 é de 73%.

Nesse cenário do Itaú Unibanco, atingir a meta de 0,7% do PIB no ano que vem é difícil. A casa trabalha com um percentual de 0,2%. Em 2017, essa relação pelos cálculos da instituição, será de 1,3% do PIB. "Vale lembrar que nossos números são menores do que os do mercado, nossa previsão de crescimento é menor, e a Selic só cai na segunda metade de 2016."

Para Goldfajn, às vezes, a política econômica é a arte da defesa também. "É não deixar as coisas piorarem por questões conjunturais", diz ele. "Política econômica é a arte do possível". O economista diz que analisou a Agenda Brasil, divulgada há cerca de 10 dias, e que ela é "ótima".

"O problema não são as agendas, mas implementá-las", afirma. Para ele, o governo está tendo agenda de reformas, mas não é possível saber ainda se vão sair mudanças como no ICMS ou PIS/Cofins, por exemplo.

INFLAÇÃO

O economista chefe do Itaú Unibanco acredita que a inflação corrente dará algum "alívio relevante" nos próximos dois meses. "Agosto e setembro são meses de férias da inflação. Isso dará certa tranquilidade ao Banco Central, mas se quiserem interromper as férias será um problema."

Esse alívio se dará, na sua avaliação, porque o principal impacto dos preços administrados já foi repassado para os índices, e o setor de alimentos já subiu muito e agora começa a apresentar queda. Além disso, segundo ele, há a perspectiva de que a energia elétrica contribua para baixo em setembro, com a mudança da bandeira de vermelha para amarela.

Para o economista, que já ocupou uma cadeira no Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, a autarquia terá paciência antes de afrouxar a política monetária, o que deve ser visto, de acordo com o cenário do Itaú Unibanco no segundo semestre do ano que vem. "Considero que, talvez, haja uma certa paciência do BC em não reduzir juros até eles verem a inflação de volta ao intervalo da meta."

FOTO: Thinkstock

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