Recessão e alta do dólar ajudam as contas externas

Redução das importações e queda nos gastos de turistas estrangeiros e nas remessas de lucros e dividendos das multinacionais contribuíram para o cenário, de acordo com economistas da Associação Comercial São Paulo (ACSP)

Redação DC
23/Fev/2016
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Recessão e alta do dólar ajudam as contas externas

Apesar de deficitárias, as contas externas caminham para o equilíbrio. O déficit da conta “transações correntes” do balanço de pagamentos, que representa o excesso de importações sobre exportações de mercadorias e serviços, apresentou expressiva queda - de 60,4% - e atingiu US$ 4,8 bilhões em janeiro, ante US$ 12,1 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado.

No acumulado dos últimos 12 meses, na mesma base de comparação, o saldo negativo foi reduzido à metade, de US$ 103,2 bilhões (4,4% do PIB) para US$ 51,6 bilhões (2,9% do PIB).

Esses resultados positivos para as contas externas são reflexos da combinação da crise econômica com a alta do dólar, que acomete o país desde fins de 2014, encarecendo e reduzindo importações, além de diminuir os gastos de turistas brasileiros com viagens internacionais e as remessas de lucros e dividendos das empresas estrangeiras sediadas no país, segundo avaliação de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

"Deve-se ainda registrar que, o déficit das contas correntes, a exemplo de todo o ano passado, continua sendo financiado com folga pelos investimentos diretos estrangeiros, cujo capital, aplicado em longo prazo, destina-se a aumentar a capacidade produtiva, demonstrando a confiança que empreendedores estrangeiros têm no futuro do país, apesar da crise econômica que atravessa."

No balanço das transações correntes, a conta de renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) foi a que apresentou o maior saldo negativo no mês passado: US$ 4,316 bilhões. 

A conta de serviços (viagens internacionais, transportes, aluguel de equipamentos e seguros, entre outros) contribuiu para o resultado negativo com US$ 1,383 bilhão.

A conta de renda secundária (renda gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens) apresentou resultado positivo de US$ 238 milhões. A balança comercial contribuiu para reduzir o déficit das contas externas ao apresentar superávit de US$ 643 milhões.

Mesmo assim, o país gastou além de sua renda. Quando isso acontece, é preciso financiar esse resultado negativo com investimentos estrangeiros ou tomar dinheiro emprestado no exterior. O investimento direto no país (IDP), recursos que entram no Brasil e vão para o setor produtivo da economia, é considerado a melhor forma de financiar por ser de longo prazo.

No mês passado, o IDP chegou a US$ 5,455 bilhões e foi mais que suficiente para cobrir todo o déficit em transações correntes. Em janeiro de 2015, esses investimentos atingiram US$ 5,765 bilhões.

O país registrou entrada de investimento em ações negociadas em bolsas de valores no Brasil e no exterior e em fundos de investimento no total de US$ 4 milhões, em janeiro. A saída líquida de investimento em títulos negociados no Brasil chegou a US$ 1,193 bilhão.

FOTO: Thinkstock

*Com informações de Agência Brasil

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