Sociedade criada por bancos precisa de aval do BC
A GIC, especializada em gestão de inteligência de crédito, será controlada de forma compartilhada por Bradesco, Banco do Brasil, Itaú, Santander e Caixa. Segundo Murilo Portugal, presidente da Febraban, deverá operar em quatro anos

O Banco Central informou nesta quinta-feira (21/01), por meio de sua assessoria de imprensa, que a criação da gestora de inteligência de crédito, batizada de GIC, anunciada pelos bancos, não precisa do aval da instituição.
A participação societária na empresa, contudo, depende da aprovação do órgão regulador. O BC informou que isso está previsto na resolução nº 2.723, que foi alterada posteriormente para a de nº 4.062.
A GIC será controlada de forma compartilhada por Bradesco, Banco do Brasil, Itaú, Santander e Caixa.
Cada um terá 20% do capital social da gestora, que também contará com um conselho de administração, composto por membros indicados pelos bancos. Os executivos, entretanto, terão dedicação exclusiva ao negócio da GIC.
Na prática, o objetivo da GIC, conforme fontes de mercado, é a mesma do cadastro positivo: viabilizar que os bons pagadores paguem menos por crédito e/ou tenham um prazo mais elástico que os demais.
MOTIVAÇÃO
O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, afirmou que considerações conjunturais do Brasil não influenciaram na decisão dos bancos de lançarem a gestora de inteligência de crédito (GIC).
"A decisão de lançar o projeto não foi baseada em considerações conjunturais, mas estruturais. Os bancos são parceiros do desenvolvimento econômico, acreditam no Brasil, que é um País de enormes possibilidades e economia diversificada", destacou Portugal.
De acordo com ele, a expectativa de a nova empresa estar operacional em quatro anos não significa que o crédito vai se recuperar antes disso.
Para ele, a desaceleração no crescimento dos empréstimos está em linha com a atividade econômica. Apesar disso, a Febraban espera, segundo Portugal que o crédito mantenha o ritmo de expansão visto no ano passado e avance 7% em termos nominais em 2016.
"Este ano, o ritmo de atividade deve ser um pouco mais enfraquecido e vamos ter ainda inflação perto do teto, mas, diferente do que ocorreu em 2015, não esperamos que o crédito tenha resultado real negativo", afirmou.
Ainda segundo Portugal, a criação da GIC não está relacionada a leis já existentes no setor.
"A iniciativa não tem nenhuma vinculação com a lei de aviso de recebimento (que estabelece que o devedor inadimplente seja notificado antes que seu nome integre as listas de nomes sujos) nem com nenhuma outra iniciativa legislativa no Brasil", afirmou.
Segundo o presidente da Febraban, o projeto está sendo estudado há mais de dois anos pelos bancos, que tinham interesse em voltar a atuar na área de informações de crédito, hoje dominada pelos birôs de crédito, de olho no crescimento do crédito no País.
Destacou ainda que os bancos têm expertise em lidar com grandes números de crédito e manutenção, segurança e privacidade de sigilo de dados, com boa capilaridade.
Sobre expectativas para a nova empresa, conforme Portugal, não há projeções para a base de clientes da GIC, que também será batizada com outro nome.
Conforme ele, o plano de negócios da GIC será definido a partir de agora e, com isso, o investimento que os bancos farão na nova empresa ainda não está fechado.
FOTO: André Lessa/EC

