Taxa de desemprego fica em 7,6% em setembro

Consumidor perde o poder de compra, com a redução média de 2,5% na renda nos primeiros nove meses deste ano sobre igual período de 2014

Redação DC
22/Out/2015
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Taxa de desemprego fica em 7,6% em setembro

A taxa de desemprego em setembro foi estimada em 7,6% em Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, de acordo a Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a mesma identificada em agosto deste ano.

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, porém, o desemprego deu um salto. A taxa em setembro do ano passado era de 4,9%. 

Mesmo tendo permanecido estável em 7,6%, a taxa de desocupação das seis principais regiões metropolitanas do país é a maior para os meses de setembro desde setembro de 2009, quando atingiu 7,7%.

O contingente de desocupados, em setembro de 2015, foi estimado em 1,9 milhão de pessoas nas seis regiões investigadas. Houve crescimento de 56,6% em relação a setembro de 2014. Isso significa que há mais 670 mil pessoas em busca de trabalho.

A população ocupada foi estimada em 22,7 milhões de pessoas, refletindo estabilidade na análise mensal (em comparação a agosto) e retração de 1,8% (menos 420 mil pessoas), na comparação com setembro de 2014.

O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado (11,3 milhões) não variou na comparação mensal e, em relação a setembro do ano passado, caiu 3,5% (menos 409 mil pessoas).

PERDA DO PODER DE COMPRA

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores foi estimado em R$ 2.179,80: ficou 0,8% menor que o verificado em agosto (R$ 2.196,54) e 4,3% abaixo do de setembro de 2014 (R$ 2.278,58).

A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados foi estimada em R$ 50,1 bilhões em setembro de 2015. Está 0,6% menor que a estimada em agosto. Na comparação anual esta estimativa recuou 6,1%.

A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (R$ 50,3 bilhões), estimada em agosto de 2015, caiu 0,5% sobre julho e recuou 6,3% na comparação com agosto de 2014.

O rendimento médio real dos trabalhadores já encolheu 2,5% na média dos nove primeiros meses do ano em relação a igual período do ano passado. 

A perda no poder de compra é causada tanto pela queda no emprego quanto pelo menor poder de barganha dos empregados, disse Adriana Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do órgão do IBGE.

Apenas em setembro, o rendimento médio chegou a ter perda nominal de 0,3% frente a agosto, um sinal de que algumas categorias não estão conseguindo reajustes e as dispensas têm mirado em trabalhadores com remuneração mais elevada, apontou a pesquisadora.

Um dos efeitos dessa dinâmica negativa da renda é o próprio aumento da taxa de desemprego, que atingiu no mês passado o maior nível para um mês de setembro desde 2009. Desde o início do ano, há uma intensificação da procura por uma vaga, e o contingente de desocupados não para de crescer.

Isso pode estar associado à redução na renda dos ocupados e ao fato de alguns setores estarem dispensando trabalhadores. Com isso, não necessariamente só aquele que perdeu o emprego está agora procurando trabalho.

"A perda de renda pelo domicílio faz com que até membros que antes não estavam tomando providências para conseguir emprego passem a procurar", afirmou Adriana.

Quem mais perde em termos de emprego são os trabalhadores com carteira assinada pelo setor privado.

Na média de janeiro a setembro, as seis principais regiões metropolitanas do país tinham 11,454 milhões de pessoas empregadas por esse tipo de vínculo, o menor nível desde 2012 (11,218 milhões), segundo o IBGE.

CAGED PIOR

O ministro do Trabalho e da Previdência Social, Miguel Rossetto, afirmou nesta quinta-feira (22/10) que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de setembro deve mostrar nova redução do nível de emprego formal no país. 

Em entrevista após participar de seminário na Câmara, o ministro disse que os números ainda estão sendo fechados e anunciou que o resultado oficial deve ser divulgado nesta sexta-feira (23/10).

Pesquisa da Agência Estado Projeções com 20 instituições do mercado financeiro aponta que o Caged do mês passado deve voltar a ficar negativo pela sexta vez consecutiva, ao mostrar fechamento entre 45 mil e 102.510 postos, na série sem ajuste sazonal. A mediana mostra um corte de 61.500 vagas formais. Em agosto, foram fechados 86.543 postos de trabalho com carteira assinada.

Na entrevista, Rossetto comentou também o resultado da Pesquisa Mensal de Emprego, divulgada pelo IBGE. "Com grande preocupação nós acompanhamos evidentemente esse tema. Buscamos iniciativas que devem minimizar, a exemplo da política de proteção ao emprego que instituímos recentemente. Com grande atenção e preocupação acompanhamos", afirmou.

Foto: Thinkstock 

*Com informações de Estadão Conteúdo e Agência Brasil

Atualizado às 13h35

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