Terceira geração quer trazer inovação à Bananinha Paraibuna

A trajetória de um negócio de família com um produto artesanal que ganhou escala, foi para as prateleiras, já está disponível em lojas virtuais, e se prepara para ganhar seu próprio canal de vendas pela internet

Mariana Missiaggia
09/Mar/2016
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Terceira geração quer trazer inovação à Bananinha Paraibuna

Se ela fosse lançada nos dias de hoje, certamente estaria na moda. Sem açúcar, glúten e conservantes, a Bananinha Paraibuna é fiel ao sabor da fruta que provém, e atende a um público crescentemente preocupado em levar uma vida saudável. 

Mas não foi assim que o produto surgiu. Há 41 anos, o doce de banana era uma opção de renda extra para Célio Geraldo da Silva, em Paraibuna, a 124 quilômetros de São Paulo.

Fundador da Bananinha Paraibuna, Célio só queria garantir o sustento de sua esposa, e de quatro filhos, além do salário que recebia como alfaiate, sua principal função.

Na época, década de 1970, o alfaiate preparava a bananinha em casa, em grandes tachos, e as vendia em tabletes, como os de goiabada.

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Aos poucos, o segredo que envolvia a preparação do doce teve de ser revelado a toda a família, que precisou ajudá-lo para atender a alta demanda de restaurantes.

Ciente do potencial do produto que tinha em mãos, Célio começou a oferecer novos formatos do produto, como a porção unitária -acondicionada em displays no balcão, tornando-o mais barato e de fácil distribuição.

“Foi aí que a bananinha ficou famosa. As pessoas compravam e levavam para outras cidades”, diz Letícia Paiola, 23 anos, gerente de marketing da marca e neta de Célio.

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Atento a movimentação de seus clientes e de outros produtos que se tornavam tradicionais, em Paraibuna, como a cachaça e o pastel feito com massa de milho, Célio decidiu se dedicar integralmente ao negócio, batizado de Bananinha Paraibuna, em 1975. 

Sem capital, ele foi adaptando a própria cozinha, produzindo embalagens, e desenvolvendo maneiras de automatizar o processo de fabricação do doce sem perder o caráter artesanal.

E assim ele seguiu durante 20 anos, até conseguir os primeiros grandes clientes – os supermercados Pão de Açúcar, a rede Frango Assado e os postos Bandeirantes.A visibilidade tornou a marca ainda mais requisitada, e levou a Bananinha Paraibuna às prateleiras de outras grandes redes.

“Uma experiência única, porém complicada para uma pequena fábrica que se estruturou em torno da casa de meu avô. Foi preciso muita persistência.”

Além de todas as dificuldades a que qualquer negócio está sujeito, em 2001 a história da Bananinha Paraibuna chegou bem perto do fim, após uma enchente que destruiu 80% dos equipamentos da pequena fábrica.

CÉLIO E A PRIMEIRA MÁQUINA QUE DESENVOLVEU/Arquivo de família

O que eles recebiam não seria suficiente para reerguer o que restou, de acordo com Letícia. “Inesperadamente, após aquele dia, nossos telefones tocaram o dia todo com novos pedidos e novos clientes. Nos reerguemos e ainda crescemos.”

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SUCESSÃO

A morte de Célio, em 2007, passou a responsabilidade do negócio para os quatro herdeiros, que já companhavam o negócio da família.  

Eles tinham como objetivo fortalecer a marca, e modernizar toda a produção sem comprometer a qualidade, mantendo a receita original do patriarca. Letícia garante que deu certo. Nos últimos três anos, a Bananinha Paraibuna cresceu 80%, e passa ilesa pela crise.

LETÍCIA, NETA DE CÉLIO E REPRESENTANTE DA TERCEIRA GERAÇÃO

Assim como os filhos, cinco netos de Célio também se dedicam a perpetuar a marca. Com uma visão de negócio mais estratégica, eles definiram três objetivos para os próximos dois anos. 

E-commerce: Acompanhando a tendência de mercado, a Bananinha Paraibuna conta com uma loja virtual há quatro anos. No entanto, o canal não representa nem 2% do volume de vendas.

Na opinião de Letícia, além da falta de divulgação, o formato da atual loja virtual é muito limitado, além de estar ultrapassado.

"Sabemos que temos público porque somos vendidos em grandes e-commerces, como a Natue. E é um volume bem representativo", diz. "Estamos apostando que nosso novo e-commerce atrairá o consumidor final." A expectativa é que num futuro próximo as vendas online comecem a ter uma representatividade mais expressiva.  

Preço competitivo: Líder de mercado, a marca lançou moda nas décadas de 1980 e 1990, e o sucesso do mercado de alimentação saudável trouxe ainda mais concorrentes. Diariamente, a empresa recebe 12 toneladas de banana, e gera 8 toneladas de doce.

Diferente da maioria das concorrentes, a Bananinha Paraibuna se vale da fruta, em vez da polpa. Cada embalagem de 23 gramas leva 75 gramas de banana in natura.

A técnica faz com que a Bananinha Paraibuna se posicione no mercado com um preço superior à concorrência. "Não vamos abrir mão de trabalhar integralmente com a fruta. Por isso, estamos focados em criar novos mecanismos de venda para apresentar um preço mais competitivo."

PRODUÇÃO DA BANANINHA COM COBERTURA DE CHOCOLATE

Chocolate: Se no passado os adeptos de uma alimentação saudável eram apenas um nicho, hoje eles representam um grande mercado para a marca.

Empenhados em lançar novidades para esse público, há um ano eles lançaram a bananinha com cobertura de chocolate meio amargo, sem glúten.

Mas, o produto não teve bom desempenho de vendas. Para Letícia, faltou divulgação. No entanto, ela acredita no sucesso da nova receita, que já estará sendo comercializada no próximo mês.  

Outro sonho é ver o cultivo de banana crescer na região. Apesar de fama, os produtores de Paraibuna são responsáveis por menos de 10% do que é recebido pela marca.

Uma plantação própria, que poderia ser uma estratégia, está descartada, segundo Letícia. "Queremos que nossa marca seja instrumento de desenvolvimento local. Como incentivo, nos prontificamos a comprar tudo o que for plantado aqui. "

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