Vendas do Dia dos Pais devem ficar estagnadas este ano
Para ACSP, vendas não vão superar o crescimento da mesma data de 2014. Situação econômica instável pode deixar cerca de 70% dos pais sem presentes no domingo, segundo a Fecomercio

A estimativa da ACSP (Associação Comercial de São Paulo) para este Dia dos Pais é de que o volume de vendas comercializado no varejo paulistano seja o mesmo de 2014, com crescimento zero.
"A crise econômica tem levado o comércio a uma tendência de queda, o que não possibilita projeções positivas para o setor. O resultado mais otimista para este Dia dos Pais é um volume de vendas igual ao do ano passado. Mas há chance de queda", avalia Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).
Ele lembra que o Dia dos Pais envolve uma gama de produtos menor do que outras datas comemorativas, como o Dia das Mães, por exemplo. Para Burti, é importante que os lojistas foquem no marketing e nas promoções para tentar aquecer as vendas.
Por fim, o presidente da ACSP observa que as temperaturas também podem influenciar no desempenho das vendas na data comemorativa. "O clima frio motiva o consumidor a comprar itens de vestuário. No entanto, esse inverno tem sido mais quente do que o habitual", comenta.
ANO PASSADO
Em 2014, as vendas do comércio no Dia dos Pais cresceram 1,2% em relação ao ano anterior, de acordo com dados da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Já em 2013, o avanço foi de 3% sobre 2012.
BALANÇO
Julho foi o quarto mês seguido de queda nas vendas em geral na capital, segundo o Balanço de Vendas da ACSP - o recuo médio foi de 5,3%.
FECOMERCIO
O medo do desemprego, a restrição ao crédito e as altas taxa de juros explicam o motivo de 70% das famílias paulistanas não pretenderem adquirir, nos próximos meses, qualquer tipo de bem durável. A informação é da Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo.
A entidade ouviu 2.200 famílias entre os dias 26 de junho e 8 de julho. Deste total, 1.540 famílias afirmaram que não tem intenção de comprar produtos como geladeira, fogão, TV ou carro. "De cada dez famílias consultadas, 7 responderam que não pretendem comprar bens duráveis", diz Vitor França, assessor econômico da FecomercioSP.
O ICF (índice que mede a Intenção de Consumo das Famílias) recuou 7,5% em julho em relação a junho, passando de 81,7 pontos para 75,6 pontos e despencou 30,9% na comparação com julho do ano passado. O indicador varia de zero a 200 pontos, sendo que abaixo de 100 pontos é considerado insatisfatório e acima, satisfatório.
De acordo com a pesquisa, um dos itens avaliados na pesquisa - momento para duráveis - caiu 11,5% e atingiu 49,8 pontos no mês. "Trata-se do menor nível e da maior queda observados entre os sete componentes do índice."
Na compoaração anual, a pontuação está 42,7% abaixo do registrado em julho do ano passado. Assim como no mês de junho todos os itens contemplados pelo ICF atingiram os menores patamares já registrados.
Outra baixa ocorreu no item Perspectiva Profissional, que teve a maior perda em termos de pontuação (-7,7 pontos), ao passar de 103,4 para 95,7 pontos. Esse resultado coloca o item, pela primeira vez, abaixo dos 100 pontos.
"Isso significa que a maioria das famílias paulistanas está pessimista em relação a alguma melhora profissional nos próximos seis meses", diz.
"A renda familiar, de acordo com a entidade, está visivelmente afetada pela inflação, que já beira os 9% em 12 meses na região metropolitana de São Paulo. Para agravar ainda mais o cenário, a dificuldade na obtenção de crédito e a alta dos juros se tornaram os principais vilões para quem buscava, nessa opção, uma alternativa para complementar o orçamento", afirma França.
A segunda maior queda porcentual no mês foi a do item Perspectiva de Consumo (10,5%), que atingiu 58,1 pontos. Nível de Consumo Atual, com variação negativa de 5,4%, atingiu 53,2 pontos e está há 30 meses no patamar de insatisfação. Em julho, o item superou apenas o componente momento para duráveis.
RENDA
A pesquisa da FecomercioSP apontou que as famílias com renda superior a 10 salários mínimos estão mais insatisfeitas com as suas condições econômicas. A pontuação deste grupo atingiu 69,2 pontos em julho contra 77,8 pontos das famílias de classe mais baixa.
Assim como no índice geral, no recorte por renda, o item Momento para Duráveis também foi o destaque negativo para as famílias que recebem até 10 salários mínimos. Além de ter registrado a maior variação mensal negativa (12,6%), também é o item com pior avaliação: 48,6 pontos.
"Ainda que as previsões sinalizem um aumento do desemprego para os próximos meses, as famílias desta faixa de renda ainda demonstram certa segurança, uma vez que o item Emprego Atual é o único que está na zona de satisfação, com 105,3 pontos", avalia a assessoria econômica da FecomercioSP.
*Foto: Thinsktock

