Vendas do varejo caem 0,5% em setembro

Na comparação com setembro de 2014, sem ajuste sazonal, a baixa foi de 6,2% em setembro de 2015. Para Alencar Burti, presidente da Facesp e ACSP, a retração decorre da queda de confiança dos consumidores

Estadão Conteúdo
12/Nov/2015
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Vendas do varejo caem 0,5% em setembro

As vendas do comércio varejista caíram 0,5% em setembro ante agosto, na série com ajuste sazonal, de acordo com o IBGE  (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas, que esperavam uma queda de 0,20% a 1,62%, com mediana negativa de 0,80%.

Na comparação com setembro de 2014, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram baixa de 6,2% em setembro de 2015. Nesse confronto, as projeções iam de declínio de 3,20% a 8,20%, com mediana negativa de 7,10%.

As vendas do varejo restrito acumulam queda de 3,3% no ano, além de retração de 2,1% em 12 meses.

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas caíram 1,5% em setembro ante agosto, na série com ajuste sazonal – outro resultado esperado pelos analistas, que esperavam redução de 1% a 5,5%, com mediana negativa de 2,4%.

Na comparação com setembro de 2014, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram baixa de 11,5% em setembro de 2015. Nesse confronto, as projeções variavam de retração de 9,3% a 15,5%, com mediana negativa de 12,3%.

Até setembro, as vendas do comércio varejista ampliado acumulam queda de 7,4% no ano. Em 12 meses, houve redução de 6,0%.

Para Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), a retração no varejo nacional decorre principalmente da queda da confiança do consumidor.

“O momento de retração da economia faz com que o consumidor tenha menos dinheiro no bolso e fique mais inseguro no emprego. Com isso, ele deixa de comprar, sobretudo artigos de maior valor, que dependem de crédito”, afirma Burti.

De acordo com o empresário, até mesmo setores mais resistentes e que não dependem de compra parcelada – como artigos de farmácia e perfumaria - já começam a sentir o impacto negativo do pessimismo do consumidor.

“O salário real não está acompanhando a inflação e o brasileiro está fazendo de tudo para economizar, priorizando compras de artigos essenciais e deixando de adquirir itens que considera supérfluo”, diz Burti.

CONSTRUÇÃO

As vendas de materiais de construção caíram 17,7% em outubro na comparação com o mesmo mês de 2014. A informação é da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) com base nos dados deflacionados de faturamento entidade. 

Na comparação com setembro, houve crescimento de 5,5%. No acumulado no ano até outubro, a variação anual foi negativa em 12,3%. Já o resultado acumulado dos últimos 12 meses apresentou queda de 11,5%.

Apesar da retração, uma das maiores do ano até o momento, os números não surpreenderam o presidente da Abramat, Walter Cover. "O resultado negativo de outubro era esperado, tendo em vista que outubro de 2014 apresentou vendas excepcionalmente altas", disse.

De acordo com o executivo, os próximos meses devem registrar uma estabilidade na queda do faturamento. "Comparado a setembro houve melhora e essa pode ser uma tendência para os próximos meses, com resultados mais equilibrados."

Em outubro, o nível de emprego na indústria de materiais caiu 7,5% em comparação com igual mês de 2014. Em relação a setembro, a queda foi de 0,7% e no acumulado janeiro a outubro, houve 4,9% de retração.

*Foto: J.F.Diorio/Estadão Conteúdo

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