Vendas do varejo paulistano caem 11,7% em julho
Segundo a ACSP, setores como o de material de construção, decoração e automóveis são os que mais sofrem. Queda é de 6,2% no acumulado do ano

O volume de vendas do varejo paulista caiu 11,7% em julho sobre o mesmo período de 2014. A informação é do boletim ACVarejo, da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), com base em informações enviadas pela Secretaria da Fazenda do Estado.
Na comparação com junho, o recuo é de 1,4%. E, no acumulado do ano, o segmento apresentou retração de 6,2%. Os dados se referem ao varejo ampliado, que inclui automóveis e material de construção.
“O contexto atual nos leva a crer que o comércio paulista continuará em queda até o fim do ano. Não há, por enquanto, sinais que apontem para uma melhora estrutural, tendo em vista o atual momento político e econômico do país”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo).
QUEDA GERAL
Na comparação de julho com o mesmo mês de 2014, houve redução no volume de vendas em todos os nove setores considerados pela pesquisa, principalmente nas concessionárias de veículos (-18,3%), lojas de móveis e decorações (-15,4%), lojas de material de construção (-15%) e lojas de departamento, eletrodomésticos e eletroeletrônicos (-13,4%). Esses segmentos representam os artigos de maior valor e, portanto, mais dependentes do crédito.
De acordo com Ulisses Gamboa, economista da ACSP, a queda da renda e os juros altos limitam o acesso ao crédito, e engrossam a crise imobiliária, que afeta diretamente lojas de material de construção e artigos de decoração – um dos setores mais prejudicados.
“Infelizmente, estamos com todas as condições para continuar tendo queda. A Capital é relativamente, mais afetada pela crise da indústria, e sofre mais que o interior”, diz.
Gamboa afirma que os dados de junho e julho podem causar uma interpretação equivocada. “A comparação com 2014 tem uma base muito baixa por causa da Copa, e dá a impressão de uma retomada da economia. Mas isso é ilusório.” Gamboa afirma que a tendência é de queda forte, tanto para o Estado quanto para a cidade de São Paulo.
No entanto, setores que abrangem produtos mais básicos também apresentaram recuos, embora menores – é o caso de farmácias/perfumarias (-5,8%) e supermercados (-4,8%).
REGIÕES
Com exceção da Região Metropolitana do Alto Tietê, que registrou aumento de 5,3% no volume de vendas frente a julho de 2014, todas as outras 17 áreas pesquisadas tiveram retração. O litoral de São Paulo apontou a maior queda (-19,4%), seguido das regiões: Metropolitana Oeste (-17,4%), São José do Rio Preto e Alta Noroeste (-15,9%), Marília (-15,3%) e Metropolitana do ABC (-14,9%).
Para Burti, a perspectiva para 2016 ainda é nebulosa, mas se espera o começo de uma reversão do quadro de recessão, ao longo do ano que vem, em direção ao equilíbrio.
“A piora das condições financeiras e a menor segurança no emprego, num contexto de maior inflação, menor renda e crédito mais escasso, tem reduzido a confiança do consumidor, e, portanto, sua disposição em comprar durante os próximos meses, sobretudo produtos de maior valor, dependentes de crédito”, completa Burti.
*Foto: J.F.Diorio/Estadão Conteúdo

