Vendas no comércio tiveram queda de 1,9% em março ante fevereiro
A queda acumulada no primeiro trimestre atingiu 3% ante igual período do ano passado, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE

As vendas do comércio varejista caíram 1,90% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, informou nesta quinta-feira, (11/05), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na comparação com março de 2016, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram baixa de 4% em março de 2017.
No primeiro trimestre, a retração acumula de 3% frente a igual período do ano passado.
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Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas caíram 2% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal.
Na comparação com março de 2016, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram baixa de 2,7% em fevereiro de 2017. Nesse confronto, as projeções variavam de uma retração de 4,3% a avanço de 2,1%, com mediana de zero.
As vendas do comércio varejista ampliado acumularam queda de 2,5% no ano e redução de 7,1% em 12 meses.
Para Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), os dados vieram piores do que o esperado. “O grande problema para a retomada efetiva é o desemprego em alta. Os efeitos das quedas da inflação e dos juros, da liberação do FGTS e dos reajustes salariais não têm sido suficientes para compensar o peso do desemprego para o consumo”, diz Burti, reforçando a necessidade de cortes maiores na Selic “para que a baixa dos juros seja sentida pelos consumidores o mais rapidamente possível”.
Mas as expectativas do presidente da ACSP são positivas. “Mesmo com o resultado de hoje, podemos dizer que estamos chegando quase ao empate com 2016, principalmente em razão da base fraca de comparação. No ano passado, a cada mês a queda era mais forte. Agora o movimento é inverso. Nossa expectativa é que no segundo semestre deste ano os resultados sejam pelo menos iguais aos de 2016, para poder crescer depois”, diz Burti
MÉDIA MÓVEL
O índice de média móvel trimestral das vendas do comércio varejista restrito subiu 0,7% em março, segundo o IBGE. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o índice de média móvel trimestral das vendas teve alta de 0,5% em março.
REVISÃO
O IBGE revisou o resultado das vendas no varejo em fevereiro ante janeiro, de um recuo de 0,2% para queda de 1,6%.
A taxa de janeiro ante dezembro de 2016 também foi revi, de alta de 5,5% para avanço de 6,0%, e a de dezembro em relação a novembro do ano passado saiu de -2,0% para -1,7%.
No varejo ampliado, também houve revisão no resultado de fevereiro ante janeiro, que saiu de alta de 1,4% para aumento de 0,6%. A taxa de janeiro ante dezembro de 2016 passou de 2,8% para 3,1%.
POR ATIVIDADE
A queda de 1,9% no volume de vendas do varejo, de fevereiro para março deste ano, reflete resultados negativos em quatro das oito atividades, na série ajustada sazonalmente, com destaque para hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, cuja retração é de 6,2%; depois, aparecem tecidos, vestuário e calçados (-1%); e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-0,5%).
Os segmentos que mostraram avanços foram móveis e eletrodomésticos (6,1%); livros, jornais, revistas e papelarias (5,6%); combustíveis e lubrificantes (1,1%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,9%).
Queda de 2% no volume de vendas
Ainda na análise sobre as atividades, o comércio varejista ampliado anotou em março, em relação a fevereiro, queda de 2% no volume de vendas refletindo o comportamento das vendas de veículos, motos, partes e peças, com taxa negativa de 0,1%. Quanto ao segmento de material de construção, a variação para o volume de vendas na passagem de fevereiro para março foi de 2,7%.
Os números do IBGE sobre a Pesquisa Mensal do Comércio indicam que a queda de 1,9% de fevereiro para março deste ano reflete queda no volume das vendas no varejo em 16 das 27 unidades da federação.
Os principais destaques negativos foram observados em Goiás (queda de 13,3%), São Paulo (-5,9%), Acre (-2,5%), e Mato Grosso do Sul (-2,4%).
Já na comparação com março do ano passado, a queda de 4% significa retrações nas vendas do comércio em 17 unidades da federação, com destaque para Goiás, (queda de 17%); Distrito Federal (-10,3%); Roraima (-9,5%); e São Paulo e Espírito Santo (-8,9%).
No sentido contrário, entre os dez estados que registraram resultados positivos, destacam-se Santa Catarina, com crescimento nas vendas de 15,2%; Alagoas (5,8%); Tocantins (5,6%) e Paraná (3,5%).
Já no comércio varejista ampliado, 15 estados anotaram variações negativas nas vendas, na comparação entre março de 2017 e março de 2016, sendo as maiores quedas em Goiás (-15,5%), São Paulo (-7,9%), Rondônia (-7,4%) e Rio Grande do Norte (-5,8%).
*Com Agência Brasil

