SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ministro Bruno Dantas, do TCU (Tribunal de Contas da União), afirmou nesta sexta-feira (27) que despachou um pedido para que a Caixa Econômica Federal envie todos os estudos relacionados ao interesse em comprar as carteiras do BRB (Banco de Brasília).
Segundo Dantas, a ideia é entender o que motivou a Caixa a se interessar em comprar os ativos de uma instituição financeiras com problemas.
“No caso da Caixa Econômica, como eles confessaram que estudaram a compra de carteiras [do BRB], eu despachei também pedindo que eles me mandem todos os estudos que foram realizados, que eu quero entender em que contexto a Caixa Econômica se interessou em comprar carteiras de um banco que está em grandes dificuldades”, afirmou a jornalistas nesta sexta (27), durante evento da revista Veja.
Dantas é o ministro relator de um processo no TCU sobre uma eventual federalização do BRB. Segundo ele, o processo começou com um questionamento do Ministério Público de Contas sobre a intenção de algum banco público ou mesmo do Tesouro Nacional no BRB.
“Eu despachei nessa representação pedindo que os três principais bancos federais, Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES, além do Tesouro Nacional, se pronunciassem”, afirmou o ministro.
Segundo ele, o Tesouro Nacional respondeu que não havia nenhum estudo no Ministério da Fazenda para a federalização. O Banco do Brasil teria dito que “nunca cogitou, não cogita e não cogitará comprar qualquer coisa do BRB”.
O BNDES também negou qualquer interesse, dizendo que seu estatuto proíbe o aporte de recursos em instituições financeiras.
Já a Caixa, segundo Dantas, teria negado interesse em comprar participação acionária, mas admitiu que estudou adquirir carteiras do BRB. O processo não teria avançado, de acordo com a resposta do banco estatal, após o processo de diligência prévia.
A Caixa afirmou à reportagem que disse ao TCU, em 17 de março, que não tem interesse ou possui qualquer estudo sobre a federalização do BRB.
O ministro do TCU disse também que questionou os pedidos de sigilo que BNDES e Caixa fizeram em relação às respostas enviadas ao tribunal. “Tanto o BNDES quanto a Caixa Econômica não mandaram documentos comprovando o que afirmaram, mas ambas pediram sigilo desse documento que mandaram para o TCU, alegando a lei de sigilo bancário”, afirmou.
“Como houve esse pedido de sigilo da parte deles, eu dei cinco dias para que eles justificassem por que essas respostas precisariam ficar em sigilo, porque a regra da administração pública é a publicidade dos atos”, acrescentou.